E Pronto… Já Está! (Crónicas de Gelo e Fogo) Parte Dois


O texto seguinte pode conter spoilers dos livros “O Festim dos Corvos”, “O Mar de Ferro”, “A Dança dos Dragões” e “Os Reinos do Caos”, sétimo ao décimo livros da série Crónicas de Gelo e Fogo

Como prometido é devido, aqui estou eu para fazer a minha crítica às Crónicas de Gelo e Fogo, mais especialmente focando-me nos livros O Festim dos Corvos, O Mar de Ferro, A Dança dos Dragões e Os Reinos do Caos, da editora portuguesa Saída de Emergência.

Feast
Capa da Edição de Colecionador Brasileira

Desta feita farei uma análise a estes quatro livros, com os pontos fortes e os pontos fracos das duas histórias paralelas. Para obterem uma noção mais pormenorizada dos moldes em que eles foram organizados, posso dizer que os volumes O Festim dos Corvos e O Mar de Ferro são apenas um livro na versão original, e os volumes A Dança dos Dragões e Os Reinos do Caos outro, tal como habitual nas obras de Martin traduzidas em português. Acontece que o nosso bom velhinho dividiu as tramas por locais e personagens, e tanto O Festim dos Corvos como A Dança dos Dragões acontecem imediatamente após os acontecimentos finais de A Glória dos Traidores, o livro anterior. Ou seja, nos volumes O Festim dos Corvos e O Mar de Ferro, a trama centra-se em Dorne, em Porto Real e na viagem de Samwell Tarly para Vilavelha, enquanto que A Dança dos Dragões se concentra em Jon Snow, na Muralha de Gelo, e nas aventuras de Tyrion Lannister e Daenerys Targaryen do outro lado do Mar Estreito, em Essos. No volume Os Reinos do Caos, os temas acabam por se cruzar e a narrativa segue o seu caminho sozinha, já com todos os personagens em campo.

O Festim dos Corvos + O Mar de Ferro

Pontos Fracos

Uma narrativa lenta e pesada, situações a serem moídas e moídas ao extremo, para fazer render o peixe. Páginas atrás de páginas repletas de informação, mas com um sem número de personagens que só vêm tornar a história ainda mais complexa e sem fim à vista. Brienne de Tarthe e Arya Stark são verdadeiras desilusões. O rumo que levam é penoso e completamente fora do que haviamos prenunciado para estas personagens, e os capítulos delas tornam-se maçudos e difíceis de atravessar. A Senhora Coração de Pedra é outra desilusão, valia mais que Catelyn Stark morresse de verdade. Quase não aparece, e quando aparece é para fazer estragos e matar um potencial aliado.

Pontos Fortes

De entre os novos personagens que nos são apresentados, conhecemos uma mão-cheia de pessoas interessantes, que vêm de alguma maneira ser um balde de água fria nesta complexa saga. Acho que o desaparecimento de Jon, Tyrion e Dany destes livros acaba por ser um ponto positivo, pois faz o leitor ter algum tipo de saudades deles. Dorne é mesmo o ponto mais positivo deste livro.

Nota positiva também para o percurso de Sam, que consegue os melhores capítulos destes dois volumes, e também para o final prometedor de Victarion Greyjoy, que encheu muitos dos capítulos apenas para nos apresentar de forma desenvolvida os homens de ferro. Sansa Stark absolutamente incrível, a relação dela com o Mindinho está a fazê-la crescer como personagem e como mulher, e espero bem que venha a tornar-se tão astuta quanto ele. O declínio de Cersei é brilhantemente descrito, até provoca pena.

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Visenya e o dragao Vhagar (game of thrones fan art)

A Dança dos Dragões + Os Reinos do Caos

Pontos Fracos

Desde logo, Tyrion Lannister. Depois de ter morto o próprio pai e estar um (dois) livro(s) sem aparecer, esperávamos muito, mas muito mais deste fantástico personagem. Atravessa o mar em busca de Daenerys, com a ajuda de Varys e Illyrio Mopatis, mas findo o livro acaba por não se cruzar com ela. Os capítulos dele são penosos, sempre com as mesmas dúvidas, os mesmos pensamentos, e apesar de ir tendo diferentes companheiros ao longo destes livros, as suas aventuras parecem repetidas umas das outras. Uma crueldade o que fizeram com Jorah Mormont, o personagem merece mais do que o que lhe reservaram, espero que o seu futuro seja mais risonho. Gosto muito mais de o ver com Daenerys do que Daario Naharis. A permanência de Daenerys em Meereen até parecia ser interessante, mas o núcleo de Meereen é verdadeiramente intragável. Nomes difícilimos de prenunciar, personagens que parecem todos iguais, e nenhum desenvolvimento rumo a Westeros. Acho que Martin se perdeu completamente neste livro e revelou alguma infantilidade.

Cria um novo personagem: Quentyn Martell, dá-lhe protagonismo e vários capítulos com Ponto de Vista, para [MEGA SPOILER] depois ser morto por um dragão. Na verdade, até gostei que tivesse sido morto, pois era um personagem sem qualquer sentido na história. Fiquei foi sem perceber o porquê da sua existência. Qualquer que sejam as consequências da sua morte para as relações entre as Casas, será apenas um enrolar de história. [/MEGA SPOILER] Jon Connington e o pretenso Aegon são outros personagens que, a serem usados a sério, teriam continuado com Tyrion até ao fim da aventura. Agora, passarem quase uma vida em Essos para, de um momento para o outro, decidirem viajar para Westeros? São mais personagens que na minha óptica, eram dispensáveis.

Pontos Fortes

Gostei da escolha do autor em levar Tyrion Lannister para o outro lado do Mar, gostei da ideia de explorar a fundo a cultura de Essos e dos seus povos. Só não gostei da forma como foi feito. Ponto fortíssimo destes livros: Jon Snow. Vê-lo atuar como Senhor Comandante é fantástico. A relação dele com Stannis, com Melisandre, é admirável. Muitos dos personagens na Muralha são odiosos e irritam-me solenemente, desde alguns selvagens, à Rainha Selyse e aos companheiros da Patrulha da Noite, mas isso não é mal de Martin, conseguir despertar em nós esses sentimentos é realmente interessante.

Ramsay Bolton é outro personagem completamente desprezível, e os primeiros capítulos de Theon como Cheirete desiludiram-me muito de tão intensamente dramáticos que são, nenhum ser humano merece aquilo, mas o destino de Theon acabou por me agradar até bastante também, e quem diria que Mance Ryder teria tão grande influência no destino deste personagem? Porém, duvido que Mance dure muito tempo agora que está nas mãos do Bolton. Davos Seaworth teve pouca participação nestes livros, mas como sempre foram bons capítulos, e saber do destino do pequeno Rickon acho que é assunto que nos interessa a todos.

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Euron Greyjoy (pinterest)

Bran teve também capítulos interessantes, o mistério em volta do Mãos Frias e o encontro com Brynden Rivers fizeram com que, pela primeira vez, os capítulos dele me agradassem, algo que só tinha sentido nos últimos de A Tormenta de Espadas, embora tema que ele se venha a transformar numa árvore e que não volte a viver mais aventuras. O único capítulo de Melisandre, no volume A Dança dos Dragões, mostra-nos que as suas visões são verdadeiras, a sua interpretação é que muitas vezes é irrónea. Quando finalmente ela acerta com as suas interpretações, Jon não a ouve.

Não acredito que Stannis tenha morrido, se assim fosse Bolton teria recuperado Jeyne e Theon, e também não acredito que Jon e Daenerys morram, como os finais respetivos dos seus últimos capítulos sugerem fortemente. Acho que Melisandre salvará Jon das múltiplas facadas de que foi alvo com algum tipo de magia, e Daenerys… o seu estado de saúde demonstra que deve estar a sofrer da égua pálida, uma doença contagiosa que tem matado exércitos inteiros, mas afinal, ela é a rainha dos dragões, e acabou de encontrar Khal Jaqqo e o seu khalasar. É provável que alguma mezinha a salve para que ela possa, por fim, regressar a Meereen com o seu dragão. Barristan salva os capítulos em Meereen, sempre com os seus bons conselhos e pontos de vista interessantes, especialmente, quando se recorda dos tempos na corte de Aegon. Os capítulos de Victarion são também muito interessantes, especialmente o penúltimo. O epílogo com Varys foi brutal.

Qualquer um dos livros tem vários focos de interesse, embora seja um caminho árduo tendo em conta que a acção pouco avança depois de lermos os quatro. No entanto, tudo o que os últimos capítulos de cada personagem nos sugerem são mudanças significativas, e afinal de contas Martin apenas nos esteve a preparar o terreno e a nos fazer conhecer as personagens, dando-lhes rotação e ritmo, para sustentar tudo o que planeia fazer em seguida.

Avaliação: 8/10

As Crónicas de Gelo e Fogo (Saída de Emergência):

#1 A Guerra dos Tronos

#2 A Muralha de Gelo

#3 A Fúria dos Reis

#4 O Despertar da Magia

#5 A Tormenta de Espadas

#6 A Glória dos Traidores

#7 O Festim dos Corvos

#8 O Mar de Ferro

#9 A Dança dos Dragões

#10 Os Reinos do Caos

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3 thoughts on “E Pronto… Já Está! (Crónicas de Gelo e Fogo) Parte Dois

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