E pronto… Já está! (Crónicas de Gelo e Fogo) Parte Um


O texto seguinte pode conter spoilers dos livros “A Guerra dos Tronos”, “A Muralha de Gelo”, “A Fúria dos Reis” e “O Despertar da Magia”, primeiro ao quarto volumes da série Crónicas de Gelo e Fogo

Ano e meio. Foi o que precisei para ler (leia-se, devorar) toda a saga Crónicas do Gelo e Fogo de George R. R. Martin, ou, pelo menos, os livros brilhantemente escritos até hoje. Depois de já ter comentado prolongadamente os livros A Tormenta de Espadas e A Glória dos Traidores, pensei em fazer a minha crítica, um a um, aos livros O Festim dos Corvos, O Mar de Ferro, A Dança dos Dragões e Os Reinos do Caos. Só de imaginar isso fez-me saltar os olhos da cara.

Não, não vos irei maçar (nem a mim), com tamanha quantidade de críticas relativas à mesma saga, nem aos números de páginas, editoras, etc, mas vou fazer aqui, isso sim, duas megas críticas a toda a saga, uma relativa à história em si e outra com foco nos livros supracitados. Este artigo irá incidir sobre os primeiros quatro volumes da série, lidos antes de começar este blogue, e farei outro para comentar os últimos quatro livros.

Feast
Capas Saída de Emergência

As Crónicas de Gelo e Fogo

George R. R. Martin foi, durante vários anos, guionista em Hollywood, o que lhe deu uma certa bagagem para desenhar e criar um mundo complexo e completamente vibrante, capaz de conquistar qualquer um. Por isso, o que é que ele decidiu fazer? Tomar como ponto base um mundo imaginário (como a Terra Média do Senhor dos Anéis), dar-lhe realismo e tornando toda a magia em algo apenas secundário e muito… inicialmente MUITO superficial. Para os acérrimos fãs de Masmorras e Dragões ou Eragon… esqueçam. Esta série é muito mais direccionada para fãs de séries televisivas como Os Sopranos ou Rome, ou tal como eu adeptos de romances históricos e (confesso), também de fantasia. Sim, porque a partir de determinado momento, a história toma uma direção fantasiosa que é impossível de a negar. E assim nasceram Westeros e Essos, os dois continentes inventados pelo senhor Martin.

Aqui, as estações do ano podem durar vários anos, e num mundo completamente medieval cada Casa tem a sua real importância, as alianças são mais que muitas e vemos inúmeros jogos de poder que normalmente terminam com muitas cabeças cortadas e entranhas à mostra. Palavrões e cenas de sexo são descritos de uma forma capaz de fazer corar um leitor mais desprevenido. Westeros é em tudo idêntica à Inglaterra do século XV, geralmente fria, e Essos uma mistura quente entre África e a Ásia.

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As Crianças Stark (Game of Thrones Fan Art)

No incrível continente de Westeros, existe uma imensa Muralha de Gelo construída com forças mágicas, e nela vive a Patrulha da Noite, um exército de homens vestidos de negro cuja missão é proteger a população de Westeros das ameaças misteriosas que existem do outro lado da Muralha, onde os mortos se erguem e coisas horríveis acontecem. Estes homens vestidos de negro são, na verdade, um exército de ostracizados; criminosos, ladrões e filhos bastardos são enviados para a Muralha, embora apenas alguns aprendam o verdadeiro significado da Patrulha e comunguem dos seus ideais. Logo no início do livro A Game of Thrones, traduzido na minha opinião erradamente como A Guerra dos Tronos (Jogo de Tronos fazia mais sentido), vemos uma criatura de gelo da prole maligna intitulada “Os Outros” a matar elementos da Patrulha da Noite.

Logo em seguida, é-nos apresentada a família com quem mais nos afeiçoamos, embora não seja a mais poderosa. Os Stark são uma família nobre que vive em Winterfell, encabeçada pelo leal Eddard Stark, também conhecido por Ned, a sua esposa Catelyn Tully e os seus filhos: Robb, Sansa, Arya, Bran e Rickon. Neste núcleo também surge o filho bastardo de Ned, Jon Snow, e o seu protegido Theon Greyjoy, assim como uma série de personagens curiosos: Benjen Stark, Meistre Luwin, Rodrik, A Velha Ama e o moço de estrebaria Hodor, um pequeno gigante que repete constantemente a palavra Hodor. Tudo na vida desta pacata família muda quando o Rei dos Sete Reinos de Westeros, Robert Baratheon, chega com a sua prole.

Com ele vem a sua esposa, Cersei Lannister (com o seu irmão gémeo Jaime e o seu irmão anão Tyrion), os filhos Joffrey, Tommen e Myrcella, e alguns dos seus guardas, os quais se destaca o odioso Sandor “Cão de Caça” Clegane. Nessa visita, o jovem Bran, adepto de trepar paredes, encontra os irmãos gémeos Cersei e Jaime a ter relações sexuais e Jaime empurra o rapaz da janela, deixando-o inutilizado da cintura para baixo. Jaime é também conhecido como O Regicida desde que Ned Stark o encontrou junto ao trono, muitos anos atrás, a matar o rei Aerys O Louco Targaryen aquando da Rebelião de Robert. Os Baratheon eram descendentes da família real Targaryen, a Casa Maior em Westeros, uma família nascida na Antiga Valíria do outro lado do Mar Estreito, cujas principais características eram os cabelos platinados e os olhos violeta.

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Robert vs Rhaegar, na Batalha do Tridente (primordialcosmonaut, Game of Thrones Fan Art)

Como tal, Robert, que pelo amor a Lyanna Stark, a irmã do nosso Ned, ganhara um ódio mortal ao príncipe Rhaegar Targaryen, que ela amava, achou-se no direito de reclamar o trono para si. Com o apoio da família Lannister (uns verdadeiros vira-mantos que se chamam a si mesmos de leões), até ali leais servos dos Targaryen, Robert esmagou Rhaegar no Rio Tridente, enquanto Tywin Lannister, o pai de Cersei, Jaime e Tyrion, entrava em Porto Real como se os Targaryen tivessem vencido a Batalha. Com os conselhos do intrigante Pycelle, o rei Aerys deixou que eles entrassem, para ver os soldados Lannister acabarem com a sua prole. Gregor “A Montanha” Clegane, irmão do Cão de Caça, matou as crianças e Elia de Dorne, esposa de Rhaegar, e Jaime, que era membro da Guarda Real, matou o Rei. Ned Stark, acabado de chegar como um verdadeiro herói, deparou-se com aquela cena, e o nome de Jaime Lannister ficou manchado para sempre. Os Targaryen foram irradicados, apesar de duas crianças, os filhos mais novos de Aerys, terem sobrevivido…

ATENÇÃO… CONTÉM SPOILERS

O Rei é um velho amigo de Ned, e chega a Winterfell para o convencer a ser o seu Mão (uma espécie de Primeiro-Ministro), uma vez que o anterior, amigo de ambos e cunhado de Catelyn (uma vez que Jon Arryn era esposo da sua irmã, Lysa, senhora do Ninho da Águia), morrera misteriosamente. E assim, Ned Stark viaja com a família para Porto Real, no Sul, onde travam conhecimento com personagens misteriosas e inquietantes como o Mestre dos Sussurros Varys, um eunuco, O Mestre da Moeda Mindinho, dono de uma série de bordéis, o Grande Meistre Pycelle, entre outros. A verdadeira razão por que Ned ali se encontra é, secretamente, descobrir como morreu Jon Arryn ou – mais perturbantemente que isso – quem o matou, sendo que a maioria das suspeitas recaem na rainha, Cersei Lannister. Por sua vez, Jon Snow, o filho bastardo de Ned, é enviado para a Muralha com o seu tio Benjen, mas o tio acaba por desaparecer misteriosamente para lá da Muralha, e ele vê-se num ninho de criminosos onde os seus melhores amigos serão o muito velho Meistre Aemon Targaryen e o jovem gorducho e cobarde Samwell Tarly.

Do outro lado do Mar, em Essos, mais propriamente na cidade de Pentos, Viserys Targaryen, filho do Rei Louco Aerys, sonha constantemente com o regresso a Westeros para reclamar a Coroa. Para isso, vende a virgindade da sua irmã Daenerys a um bárbaro khal dothraki em troca do seu exército. Os dothraki eram uma espécie de mistura entre hunos e mongóis, uma raça grosseira que vive em cima de cavalos e até se alimenta deles. Khal Drogo, de seu nome, afeiçoa-se à jovem Dany e ela a ele, e juntos atravessam o grande Mar de Erva. Quem se demonstra impaciente e mal-humorado é Viserys, que tanto anseia por uma coroa que acaba por receber uma coroa de ouro fervido, que resulta na sua morte. Quando também Drogo morre, é Sor Jorah Mormont, um cavaleiro exilado de Westeros, filho do Senhor Comandante da Patrulha da Noite Jeor Mormont e espião do misterioso Varys, A Aranha, quem lhe dá conselhos de modo a que Daenerys consiga tornar-se a Rainha de Westeros.

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Stannis Baratheon (pinterest)

A jovem Daenerys Targaryen, o ingénuo Jon Snow, a pequena Arya Stark, o roliço Samwell Tarly, o divertidíssimo Tyrion Lannister, o próprio Jaime Lannister e o muito estimado Ned Stark, cuja cabeça vemos separada do corpo no fim do segundo livro são os protagonistas de uma história cheia de reviravoltas.

A Fúria dos Reis e O Despertar da Magia contam como Daenerys sobrevive aos inúmeros interesseiros que lhe querem deitar as mãos, e a como ela se afeiçoa aos seus dragões, enquanto em Westeros se dá início à Guerra dos Cinco Reis, após a morte de Robert Baratheon. O seu irmão Stannis (aconselhado por Davos Seaworth e Melisandre, a Mulher Vermelha) reclama o trono para si, tendo como bandeira um novo deus, Rh’llor, o deus vermelho, relengando os sete deuses da religião predominante. O irmão mais novo, Renly, também exige ser coroado, mas acaba morto por uma sombra com a forma de Stannis, enviada por Melisandre. Catelyn é acusada do homicídio e só Brienne de Tarth, uma “donzela” pouco efeminada sabe a verdade. Joffrey Baratheon herda a coroa, revelando-se um rei sádico e tirano, enquanto Balon Greyjoy, das Ilhas de Ferro, e Robb Stark, do Norte, movem alianças para conquistar o Trono de Ferro. Quatro livros maravilhosos, cheios de reviravoltas e personagens ricos e complexos, e uma escrita sedutora que não deixa ninguém indiferente.

Avaliação: 8/10

As Crónicas de Gelo e Fogo (Saída de Emergência):

#1 A Guerra dos Tronos

#2 A Muralha de Gelo

#3 A Fúria dos Reis

#4 O Despertar da Magia

#5 A Tormenta de Espadas

#6 A Glória dos Traidores

#7 O Festim dos Corvos

#8 O Mar de Ferro

#9 A Dança dos Dragões

#10 Os Reinos do Caos

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3 thoughts on “E pronto… Já está! (Crónicas de Gelo e Fogo) Parte Um

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