A Vida Num Sopro


O texto seguinte pode conter spoilers do livro “A Vida Num Sopro”

A Vida Num Sopro é o sexto romance do célebre José Rodrigues dos Santos. São cerca de 600 arrebatadoras páginas de grande amor e sofrimento, editado pela Gradiva em 2008. Este romance não é sobre o Estado Novo, não é sobre a Guerra Civil de Espanha, nem é sobre as políticas austeras de Salazar. Este romance é sobre uma história de amor passada nesses tempos, uma história de amor travada pelo conservadorismo da época, pela volatilidade dos homens e pela ironia do destino.

Sem título
Capa Gradiva

Luís Afonso é um jovem estudante do liceu de Bragança que conhece Amélia, uma linda rapariga que o cativa de imediato. A paixão arrebatadora é a premissa prometedora deste livro, uma premissa que nos conduz linha a linha com uma semelhante paixão, um debate sôfrego e sofredor. Devido à mesquinha mente austera da mãe de Amélia, vemos os caminhos destes dois protagonistas se desviarem dramaticamente, levando-os a um percurso de vida repleto de dor interior.

Vários anos depois da sua separação, eles reencontram-se em circunstâncias difíceis, comprometidos com outras pessoas, com as suas vidas formadas ou a formarem-se, sem margem de manobra, sem margem para erro. Os sentimentos destes dois nossos personagens terão de ser engolidos por eles mesmos, sabendo que dar asas aos seus sentimentos destruiria não só os seus mundos como os daqueles que os rodeavam. Mas o amor é o sentimento mais forte à face da terra, e mesmo conhecendo as possíveis consequências dos seus actos, Luís e Amélia não conseguem resistir à paixão que os une. O produto desse ato é um homicídio, remorso, negação, pânico e, acima de tudo, o nascimento de uma criança. Manipulado pelas forças do poder, obrigado a ir contra os seus próprios ideais, Luís é conduzido a um labirinto sem saída, que o leva a um desfecho bem descrito, ainda que previsível. Acima de tudo, o amor destes dois personagens foi posto à prova de uma forma cirúrgica e intemporal, um amor como já não existe nos dias de hoje.

Uma prosa bem trabalhada, sem muitos floreados, uma escrita despretensiosa, uma história bem contada, sem aprofundar demasiado o mundo em que a história se insere, um retrato dos anos 30 tal como eles o foram. Este bloco de virtudes leva-me a elogiar o trabalho de um autor que nos últimos tempos me tem desiludido um pouco. Sem dúvida, uma leitura a recomendar.

Avaliação: 6/10

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