A Senhora de Avalon


O texto seguinte pode conter spoilers do livro “A Senhora de Avalon”

Que Marion Zimmer Bradley é uma mestra da literatura de fantasia, não é novidade. Para mim, A Senhora de Avalon, um livro da editora Difel, foi o primeiro e – confesso – o único livro que tive o prazer de ler desta autora. Fantasia e realidade lado a lado ao longo de 460 páginas de extrema sensibilidade, de acção, de misticismo, de uma cambiante de sensações que nos deixa no mínimo realizados com o resultado desta leitura.

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Capa Difel

Admito que a perspetiva feminina da autora me assustou inicialmente, mas à medida que os meus olhos varriam as palavras, fui-me deixando seduzir por estas mulheres de sangue nobre, de sangue quente. Temos, de um lado, uma perspectiva fantasiosa, onde num mundo mágico vivem druidas e sacerdotisas, e do outro o Império Romano, uma realidade histórica completamente consistente que transforma a autora em mais do que uma excelente escritora de fantasia, mas também uma romancista histórica competente.  Bradley é rainha a transformar a mitologia celta em dramas profundamente realistas, pegando nos credos arturianos e transformando-os em testemunhos ímpares de mulheres frágeis e sensíveis capazes de mexer com poderes sobrehumanos.

O livro está dividido em três partes, e cada uma delas foca a perspectiva de uma grã-sacerdotisa do reino fantástico de Avalon, cada uma no seu tempo, e as suas tentativas desesperadas de proteger a sua deusa e o seu mundo encantado do domínio opressivo e avassalador da expansão romana. Tive alguma dificuldade em me ligar à primeira grã-sacerdotisa, Caillean, e a própria história de Gawen, o menino romano destinado a proteger Avalon, não me criou qualquer tipo de empatia. Foi um protagonista sem sal, sem conteúdo. Daí que tenha demorado uns 7 ou 8 anos até me decidir ir para além das primeiras 20 páginas (não se intimidem, foi comodismo mesmo). Identifiquei-me com a pobre Teleri, obrigada a casar com um homem que não amava, mas também com o austero almirante Carausius.  Na terceira parte, temos uma primeira abordagem a Viviane e ao Santo Graal, e somos introduzidos numa Avalon prestes a tornar-se no berço do próprio Rei Artur, o fruto do amor adúltero de Igraine com Uther Pendragon . Esta é uma prequela da prestigiada Brumas de Avalon, história que eu ainda não tive a oportunidade de ler embora tenha visto a sua adaptação para cinema com a maravilhosa Anjelica Huston.

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Caillean (fan art)

A linguagem de Zimmer Bradley é completamente acessível, os diálogos fluídos e intimistas, e o fio condutor muito forte e motivante. Já li trechos de outros livros da autora, que me deixaram bem mais entusiasmado que este livro em particular. A Senhora de Avalon funciona como um elo de ligação entre A Casa da Floresta e As Brumas de Avalon, embora as suas histórias sejam isoladas. Não me arrebatou minimamente, mas não deixa de ser uma leitura interessante, que recomendo aos fãs do género.

Avaliação: 5/10

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