O Vale dos Cinco Leões


“Follett vintage… Trata-se do seu romance mais ambicioso, e consegue um sucesso admirável.” – USA Today

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “O Vale dos Cinco Leões”

Comprei O Vale dos Cinco Leões de Ken Follett, exemplar da Bertrand com 520 páginas, em Janeiro deste ano para o levar comigo em viagem. A verdade é que comecei a lê-lo antes e terminei-o depois da referida viagem, mas bastou-me uma meia dúzia de leituras para o devorar por completo. Vale não é a melhor obra deste renomeado autor galês; a sua linguagem é muito acessível mas sem jogos de palavras que nos apaixone, a história não prima pela originalidade, e ainda assim, posso dizer que este livro é uma perfeita leitura de Verão.

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Capa Bertrand
Sinopse:

“Num mundo dividido ao meio onde todos são forçados a tomar partido, Jane, uma corajosa jovem inglesa, vê-se envolvida num perigoso triângulo de amor, intriga e enganos. Depois de ter sido traída pelo homem que amava, rende-se ao atraente Jean-Pierre e juntos partem para o Afeganistão para ali ajudarem os resistentes da guerra contra o invasor russo. É ali, no vale dos Cinco Leões, num ambiente selvagem e inóspito onde grassam a violência e a morte, que Jane descobre uma nova teia de mentiras. Encurralada e desesperada por escapar dali, a sua única esperança é Ellis, o seu grande amor e o maior inimigo de Jean-Pierre, que aparece inesperadamente no vale em missão ao serviço da CIA. Dá-se então início a uma perseguição alucinante e sem tréguas, uma luta vertiginosa pela sobrevivência na qual só poderá haver um vencedor.

Opinião:

Como os leitores mais atentos devem saber, um dos meus livros preferidos, senão o preferido é A Chave para Rebecca, deste mesmo autor, e a história deste livro, ou pelo menos a estrutura do mesmo não é muito diferente, embora num ambiente longínquo. Isso soma-lhe imensos pontos na minha análise. É, sem dúvida, um estilo literário que me agrada, aliando o rigor histórico a uma escrita despretensiosa, com uma história “para entreter”, que me remete a filmes antigos que me povoam as recordações.

Passamos grande parte do livro sem bem entender quem é o herói e quem é o vilão, ao mesmo tempo que a própria Jane não consegue perceber qual é – de entre os dois – aquele que verdadeiramente ama. É uma história simples, com aquele ingrediente mágico para o sucesso que é conseguir capturar o interesse do leitor, fazendo-o viver as mesmas experiências, os mesmos receios e inseguranças que a personagem fulcral do livro – a liberal e obstinada Jane.

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Menina afegã (pinterest)

Não gostei tanto das longas caminhadas que os personagens fizeram pelas montanhas do Afeganistão, em que a descrição se tornou cansativa na minha leitura, mas também isso mostrou um grande trabalho de pesquisa do autor – para além de quase nos sentirmos a sufocar por aquele ambiente árido, tiro o chapéu à fantástica pesquisa de Follett em relação às condições de vida de uma mãe estrangeira no Afeganistão. Não é um livro rico em palavras e em significados, mas é, sem dúvida, uma excelente leitura de entretenimento.

Avaliação: 7/10

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