Lisboa no Ano 2000


O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Lisboa no Ano 2000”

De fácil ou difícil leitura, a Ficção Científica em Portugal para mim tem um nome: João Barreiros. E foi ele que me “impingiu” este Lisboa no Ano 2000, uma antologia organizada pelo próprio. A promessa é ambiciosa. Mostrar a visão que os “antigos” tinham sobre o futuro da nossa Lisboa, um futuro que nunca existiu, uma Lisboa monárquica dominada pelas megadônticas Torres Tesla que conspiram e envenenam os seus últimos resquícios de Humanidade. Dirigíveis a planarem sobre a cidade e traços evidentes de uma linhagem germânica que não capitulou na Segunda Guerra Mundial…

Imaginas uma Lisboa subjugada pelos poderes da energia? Monocarris sobre as principais avenidas da capital? Mortos sugadores de energia? Freiras-ninja e freiras exorcistas? Enguias elétricas no Tejo? Peixes sem cabeça, bonecas que ganham vida, e autómatos para dar e vender? Então prepara-te, porque esta antologia, mais do que um conjunto de contos, eles oferecem-te tudo isto e muito mais.

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Capa Saída de Emergência
SINOPSE:

Bem-vindos à maior cidade da Europa livre, bem longe do opressivo império germânico. Deslumbrem-se com a mais famosa das jóias do Ocidente! A cidade estende-se a perder de vista. O ar vibra com a melodia incansável da electricidade.
Deixem-se fascinar por este lugar único, onde as luzes nunca se apagam, seja de noite, seja de dia. Aqui a energia eléctrica chega a todos os lares providenciada pelas fabulosas Torres Tesla.

Nuvens de zepelins sobem e descem com as carapaças a brilhar ao sol. Monocarris zumbem por todo o lado a incríveis velocidades de mais de cem quilómetros à hora. O ar freme com o estímulo revigorante da electricidade residual. Bem-vindos ao século XX!

Lisboa no Ano 2000 recria uma Lisboa que nunca existiu. Uma Lisboa tal como era imaginada, há cem anos, por escritores, jornalistas, cientistas e pensadores. Mergulhar nesta Lisboa é mergulhar numa utopia que se perdeu na nossa memória colectiva.

 OPINIÃO:

Não é uma obra perfeita. Não o é. Nem algo muito entusiasmante e vibrante. Também não. Mas ter um livro destes na minha estante é um privilégio, e por isso só posso agradecer ao João a recomendação e claro, o autógrafo. Este livro é um claro sinal que a Ficção Científica em Portugal não está morta e ainda há muito boa gente com grande vontade e espírito de iniciativa em alimentar este género tão mal-amado no nosso país. Em comparação com a antologia Os Anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa, que li anteriormente, esta Lisboa no Ano 2000 ganha no sentido que não consigo encontrar um só conto que seja mau, o que encontrei na referida antologia. Mas perde na falta de diversidade e na quase repetição dos temas.

Apesar de, na maioria dos contos, a escrita ser significativamente boa – o que é sempre gratificante para quem lê -, houve casos em que ela se tornou maçuda. Todos os contos se passam no mesmo mundo, na mesma visão desse mundo distópico da nossa Lisboa, com várias inovações, sim… mas a base era a mesma. Concluo que era esse o objetivo e que todos os escritores tiveram que se reger pela mesma premissa, uma série de tópicos a seguir para que todas as histórias se passassem nessa mesma visão de Lisboa, ainda assim em certos casos tornou-se cansativo ler discrições semelhantes dos mesmos “monumentos”. Este, no entanto, não passa de um pequeno apontamento a registar numa obra que me agradou e que não sei se faria melhor.

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Lisboa futurista (a chave dicotomica)

O livro começou com um Prólogo que serve como uma introdução original não só à visão de Barreiros como também aos escritores que fazem parte da antologia. Seguiu-se o primeiro conto, O Turno da Noite. É o primeiro conto de João Barreiros na antologia, uma história muito na linha de outro conto que li dele: A Mina do Deus Morto. No entanto, ao contrário desse conto, este não me agradou. A nível de escrita, nada a apontar, mas a história não me atraiu por aí além e o final soou-me mais do que previsível, sem sal. Mas logo depois dei o salto para Venha a Mim o Nosso Reino de Ricardo Correia. Aí somos apresentados pela primeira vez a sério a esta Lisboa fantástica. Com uma escrita extremamente gráfica e rápida, confesso que me maravilhei com as freiras-ninja e o Canhão do Raio da Morte que saiu da estátua de Nikola Tesla. Não houve praticamente desenvolvimento de nenhum conceito nem personagem e soube a pouco. Mas provavelmente ainda bem que assim foi.

Os Filhos do Fogo de Jorge Palinhos foi o conto que se seguiu. E que conto. Gostei imenso, do princípio ao fim. Uma história bem estruturada. Uma escrita atrativa. Palinhos introduziu-nos numa história de terror científico sobre um poeta que se quis reproduzir e faz-nos pensar sobre a multiplicidade do fogo e sobre a consciência dos nossos inúmeros “eus” interiores. Dedos, de AMP Rodriguez, pecou por ser algo confuso, mas não só nos ofereceu uma narrativa humorística e diálogos com pronúncia do Norte, quanto nos presenteou com uma aura de mistério e terror. Um assassínio numa fábrica? Autómatos a fazerem tapetes de Arraiolos? Serão eles confiáveis? Só fica aquém dos anteriores pelo final pouco consistente e abrupto.

O conto seguinte, As Duas Caras de António, de Carlos Silva, fala-nos sobre espionagem e um personagem que faz jogo duplo com os seus aliados alemães. A escrita é muito boa, a história irrepreensível, mas ainda assim foi um conto que passou despercebido nesta antologia. Temos depois o primeiro conto que li da autora Ana C. Nunes, Electrodependência. Esta autora também é ilustradora de banda desenhada e posso garantir que a sua escrita é igualmente gráfica. Gostei muito. O protagonista é um eletrokinético que se usa dos seus poderes sobrenaturais para vender a sua droga, uma droga a que só os ricos têm direito. A droga da electricidade. É um conto rico em detalhes visuais que me agradaram bastante.

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Electricidade (Eletric X)

Nanoamour de Ricardo Cruz Ortigão é mais um conto que cumpre mas que passa despercebido. É uma daquelas histórias em que o Cupido resolve pregar partidas aos chico-espertos, e o nosso protagonista paga pela sua presunção. O feitiço vira-se contra o feiticeiro. Um conto com um final bom, apenas, porque o caminho até lá chegar foi algo insonso. O conto A Energia das Almas de João Ventura foi ainda menos significante. Apesar de a ideia de se transformar a energia das almas em energia elétrica ser interessante, o conto não o é e ainda conseguiu matar um príncipe pelo caminho. Fuga, de Joel Puga, é um conto que me toca pessoalmente, porque fala de um escritor que não pode dar asas à sua imaginação e cumprir os seus sonhos, e isto porque no mundo em que vive os escritores foram substituídos por máquinas. Um conto que nos faz pensar e que gostei, apesar de não ser, efetivamente, algo de grande qualidade narrativa.

Somos então apresentados ao segundo conto de João Barreiros na antologia. Tratado das Paixões Mecânicas não foi apaixonante. Páginas atrás de páginas recheadas de conceitos técnicos, contando-nos uma história confusa e sem percebermos o que realmente ali se passa. Algum tédio. E então, as páginas finais revelam-nos tudo. Toda a tramóia que a mente do João Barreiros andava a conjeturar. Não posso negar que é um conto de grande qualidade, com um final genial, mas o sabor é agridoce. Menos 50 quilos de descrição teria-o tornado quase perfeito. Seja como for o conto tem grande mérito e faço uma vénia ao autor. De Telmo Marçal temos O Obus de Newton. A ideia é interessante, mas o autor divagou imenso e a sensação que fiquei foi que o autor teve sempre a necessidade de mostrar a sua erudição literária, o que é sempre cansativo e desmotivante para o leitor. Algumas saídas irónicas também soaram forçadas. Gostei dos índios que afinal não o eram. No conto Ex-Machina de Michael Silva somos presenteados com boas cenas de ação e um ritmo acelerado. Gostei dos dois personagens principais, mas o conto não traz nada de novo e vale pela ação.

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Nikola Tesla (activist post)

A Rainha de Pedro Vicente Pedroso é um conto muito bom, sobre um homem que se passeia no Tejo com a sua embarcação. Ao encontrar duas crianças órfãs, usa-as para alcançar o seu objetivo pessoal: caçar a maior das enguias elétricas conhecida como a Rainha. O final é brutal e surpreendente. Em Taxidermia de Guilherme Trindade, somos surpreendidos com uma prosa cativante sobre um empalhador de animais que é contratado para revestir os autómatos que iriam colocar no Jardim Zoológico em substituição dos animais que estavam a morrer por conta dos resíduos eléctricos. Uma história muito bem construída e um conto de grande qualidade. O cavalo com a bomba de oxigénio foi um pormenor excelente, apesar disso confesso que não gostei do twist final. Quem Semeia no Tejo, eu não sei, mas Pedro G. P. Martins conduziu-nos num conto com um início um pouco lento sobre um médico que quer encontrar uma explicação real para a doença do Príncipe e dá de caras com um fantasma. Gostei do conto e do final, apesar de ser das histórias menos bem construídas da antologia.

O conto Coincidências de Pedro Afonso é bastante interessante. Gostei do desenvolvimento da narrativa, do enquadramento político, do ar pulp e das personagens, mas o final devia ser mais satisfatório. Terminamos então o livro com Chamem-nos Legião, o terceiro conto de Barreiros e é nele que percebemos enfim o nome atribuído aos três contos: O Que Escondem os Abismos. É nele que eu percebi a dedicatória no meu livro: “uma exorcista com uma vara electromagnética”. João, uma freira que come fadas ao pequeno almoço? Que imaginação. Desenvolvimento, enquadramento, acção, descrição e termos técnicos muito bons, duas histórias paralelas que se entrelaçam, sempre com a escrita irónica com que o autor já nos habituou. Termina então com o Epílogo que vem complementar o Prólogo inicial. É o final excelente para uma antologia que cumpriu o que prometera. Apesar de algumas falhas e incongruências, penso que a maioria dos contos manteve o mesmo nível, pelo que me é difícil escolher o preferido. Chamem-nos Legião, Electrodependência, Os Filhos do Fogo e A Rainha foram os que mais me surpreenderam, e daí a minha predilecção. É um livro que deixa bem claro que se escreve bem em Portugal e que temos muitos talentos em todos os géneros. Atenção amigos, a FC portuguesa não morreu.

Avaliação: 7/10

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33 thoughts on “Lisboa no Ano 2000

  1. Catia valente

    Olá!

    FC…
    Confesso que apesar da curiosidade li a tua opinião, numa primeira vez, na diagonal. Mas voltei a trás e li como deve ser. 🙂

    Não é o género de livro que pegue para ler, apesar de ultimamente ter comprado alguma FC para experimentar.
    Há livros para entreter e outros para pensar. A ficção cientifica não me entretém por isso morro de medo de perder tempo com um livros desse género. Li apenas um e não gostei.

    Apesar de tudo a tua opinião deixou-me com alguma vontade de ler o livro. Tenho uma relação estranha a FC.

    1. Este é um livro que pode ser lido devagarinho, ler um conto de vez em quando. Eu fui guloso quis ler tudo de seguida e dei por mim a “não gostar” de histórias que se calhar gostaria se as lesse isoladamente noutra ocasião. Se não gostas de Ficção Científica então sou sincero, não vale a pena leres. Eu gosto e esta antologia surpreendeu-me por ser um livro que nos mostra Lisboa de uma forma completamente “estrambólica”. Gostei muito.

      1. Catia valente

        Não posso dizer que não gosto, porque ainda não li quase nada do género.
        Sou curiosa e desconfiada ao mesmo tempo. Tenho sempre essa sensação quando leio opiniões de livros do género.

  2. Olá Nuno 🙂

    Por acaso já li outras antologias de alguns dos autores que referes lá em cima. Há aguns que até costumo gostar bastante. Como te disse, ainda não li muitos comentários a este livro nem sabia ao certo do que se tratava. Apesar de referires alguma repetição de temas, por exemplo, fiquei com vontade de ler o livro. Parece bem interessante. Em relação ao João Barreiros, ainda não tive oportunidade de ler nada dele, mas está para breve. Ouço sempre maravilhas a seu respeito (e da sua obra, claro).

    beijinhos

    1. Acho que fazes muito bem, Sofia. A escrita dele não é muito fácil e tem linhas e linhas de termos científicos que uma pessoa fica cansada. Ainda assim esse conhecimento todo só enriquece o texto e a mim pessoalmente agrada-me desde que não seja em demasia. Muitas páginas seguidas aborrece. Mas a escrita dele compensa e muito. Certamente já leste comentários dele ou no blogue do Fiacha ou no Cantinho, ele a escrever é igual. Ele escreve com ironia e o grande segredo da qualidade do seu texto é a paixão que ele imprime. Trata as palavras e os personagens com um grande carinho e é principalmente isso que eu gosto no João. E é assim que todos os escritores deviam escrever. Não basta escrever uma história bonita, deve-se viver o que se escreve, acho que só assim os leitores se identificam e sentem empatia para com os textos.
      Acho que devias ler o livro. Acho a maioria dos finais um pouco abruptos e reviravoltas com poucas explicações, mas tem qualidade e é português. Vejo ali muito potencial em escritores portugueses.

  3. Saudações,

    Bem vejo que tive esta antologia por ler nas minhas maos e acabei por não ler, mas está visto que lhe tenho de dar oportunidade pois adorei a Pulp Fiction.

    Penso que deste um bom contributo para divulgar a FC nacional e sem duvida que o João Barreiros é o seu espoente máximo, ainda tenho que ler os seus livros, mas não tenho a menor duvida em afirmar ser ele o melhor escritor nacional dentro do genero, alias e muito elogiado, pasme-se, no Brasil 🙂

    A FC tem livros de muita qualidade por oferecer, felizmente li muita coisa em 2014 e espero continuar em 2015

    Abraço e fico contente que tenhas gostado 🙂

    1. Oie! A sério que não leste?! Tinha a sensação que tinhas lido, curioso! Pois então recomendo-te, se gostaste da Pulp este não lhe fica atrás, apenas se torna um pouco mais aborrecido porque o tema é sempre o mesmo mas tem contos de grande qualidade e cada autor conseguiu criar figuras diferentes e muito interessantes.
      A mim não me admira nada que seja o Brasil a elogiar os nossos autores, conheço por exemplo o Samuel Pimenta que em Portugal não vendeu e precisou ir para o Brasil para ver o seu trabalho reconhecido, e até já foi galardoado. A verdade é que Portugal lê pouco e não trata muito bem os seus autores (a não ser que este apresente um Telejornal ou um talk-show na TV!)
      Abraço.

      1. Não podia estar mais de acordo contigo e sim a ver se arranjo tempo para ler esta antologia, caso contrario sou depenado pelo tio 😀

        Não sei se o Samuel Pimenta chega aos calcanhares, nao digo ao meio do tio barreiros, não querendo tirar merito ao seu trabalho claro, mas penso ser um escritor que até tem tido muitas oportunidades, até ao programa do Coucha já foi 😀

    2. Do Samuel só conheço alguns textos de poesia, e acho que tem algumas coisas muito boas, mas não posso dizer que é extraordinário porque não li muito. Ele hoje já tem oportunidades em Portugal porque foi muito reconhecido no Brasil e depois de os portugueses serem elogiados no estrangeiro já se lembram: ah este é bom e é nosso. Infelizmente funcionamos assim.
      Mas sem dúvida que o João merecia ser muito mais reconhecido no nosso país, os seus textos são preciosidades literárias.

  4. Olá Nuno
    Aí está um livro que conto ler, mas não para já que a lista vai longa. Eu gosto de FC, mas de facto pelo que folheei da antologia, a ideia com que fiquei, foi essa mesmo que referes, o facto de ser o mesmo tema em todos os contos, e talvez por isso vá retardando a sua leitura.
    beijinho

  5. Barreiros

    Pequenotes, o mesmo tema é LISBOA! Sei que para a malta do Porto isto pode perturbar. E o género associa-se ao steampunk, embora os autores novecentistas tivessem todos optado não pelo vapor mas sim pela electricidade. Vide Salgari, Verne, Wells, Robida. Os contos passam-se todos no mesmo ano com um intervalo de poucos meses. Não consegui a unificação perfeita entre todos eles, mas enfim…a minha parte é um pequeno romance disposto em três capítulos. E não estamos a falar do FUTURO, Cátia Valente. A história passa-se no ano 2000 e nós já estamos em 2014. Não será pois um livro de FC, mas sim uma homenagem a todos aqueles autores que, no passado, de idiram sonhar com o mundo em que vivemos. Dizer que as histórias se repetem, bom, é uma questão um bocadinho delicada. Numa antologia passada em Lisboa, se vários autores falam do Chiado estarão a repetir-se?

    1. Não vale a pena pegarmos em pequenos pormenores quando o resultado final é bastante bom. Dei 4 estrelas no Goodreads e isso diz tudo. 🙂 Todos podemos dizer que gostamos menos de algumas coisas mas, bem, não é propriamente comum alguém gostar de tudo mesmo nos seus livros preferidos. Dou como exemplo o meu livro. Tenho tido a sorte de toda a gente andar a gostar mas… o Fiacha não gostou dos mahlan e a Elsa Esteves adorou-os. A Tita odiou o Hymadher e outras pessoas adoram-no. Há pessoas que sentem dificuldades com a minha escrita e outros adoram-na. Há coisas mais consensuais que outras, mas toda a gente tem gostos distintos e não existe um livro que agrade a todos, nem que agrade a todos da mesma maneira.
      Fez um bom trabalho com esta antologia, caro colega. 🙂

  6. Barreiros

    Céus! “O mesmo tema”!!!? E quando vós, pequenotes, mergulhais na leitura de um livro de fantasia heróica, não estão lá os ” mesmos” cavalinhos, feiticeiras, elfos, espadas mágicas, orcs, florestas encantadas, dark lords, princesas guerreiras e coisa e tal? Mas nunca vos vi queixarem-se disso. Então porquê protestar quando se fala de energia eléctrica? Se num conjunto de contos há a coincidência de toda a gente usar “torneiras”, será que esses contos estão a falar do mesmo tema? Pergunto eu…

    1. Há contos mais diversificados que outros, João. Não deixa de ter razão. Mas, digo eu, não lemos dez livros de fantasia seguidos com esses elementos. Na antologia estamos a ler muitas histórias diferentes com os mesmos elementos, de seguida. É por isso que fiquei com essa sensação. Se entremeasse a antologia com outras leituras provavelmente não ficaria com essa sensação. 🙂 e percebo a crítica aos elfos, espadas mágicas, etc. Sem dúvida que o mundo elétrico desta Lisboa distopica é muito mais original e fundamentado. 🙂

  7. Barreiros

    Não, Cátia Valente, não se trata aqui de FC, podes ler o livro descansada. O jogo é, não propriamente o da história alternativa, mas o do romance de cordel alternativo. Aquele tipo de romance que o Camilo, o Eça, o Julio Dinis poderiam ter escrito se, infelizmente não tivessem perdido tempo a descrever os amores das burguesas e das saloias.

  8. Barreiros

    Acho que o principal problema aqui, Nuno Ferreira, é que se tratam de “contos” e que vivemos numa terra onde os contos não são apreciados. É por esta a razão que o Fiacha ainda não leu nada do que eu escrevi. Porque na verdade, só escrevo contos. Bom, tenho um quase romance, “A verdadeira invasão dos Marcianos”, mas, como é feito por duas partes independentes, o Fiacha assustou-se. Ele tem entre as mão uma novela minha de 50.000 palavras, a mesma quantidade de palavras da sequência “O que escondem os Abismos”. A ver vamos se, 50.000 palavras já chegam para ele descolar do trauma. O TERRRIUM ( romance em mosaico com 600 páginas) poderá voltar a aparecer por aí, num futuro próximo. Vamos lá a ver, se for esse o caso, se o nosso amigo Fiacha o lerá. Sei que a minha escrita hiperdensa não agrada a muita gente. Mesmo quando quero ser levezinho, sou denso. Mas os termos científicos têm de lá estar. Fazem parte do contexto. E eu não os inventei. Existem mesmo. Na colectânea “Se acordar antes de morrer”, aparece uma longa novela sobre um Congresso de fãs de Fantasia. Quando a novela apareceu pela primeira vez na Bang online, a pequenada quase me quis cortar a cabeça com extremo prejuízo. Os fãs do então famoso e agora obscuro Filipe Faria, espumaram pela boca, julgando que a personagem principal era um heterónimo do dito. Até nem era, ao princípio. Não será um dos meus melhores contos, bem sei, mas na altura andava tão fulo com o triste espectáculo da edição portuguesa, que resolvi despejar a bilis sobre os putos que liam fantasia infanto pueril. E meti o Sócrates e. Ministra da Educação so barulho. Em boa verdade, não sei se irás gostar dele, porque está voluntariamente “mal escrito” e hiperadjectivado como se tivesse sido feito por um fã incondicional do Faria. Mas, para ser honesto, também eu lá estou metido ( o sinistro José de Barros). E mais uns quantos amigos meus que não se importaram de participar no jogo.

    1. Fiacha O Corvo Negro

      Ai que mauzinho que está o tio barreiros ehehe, vou só esclarecer que não li ainda A Verdadeira Invasão dos Marcianos e Se acordar antes de morrer, que já tenho e assinados pelo Barreiros, pura e simplesmente porque os mesmos foram alvos de mensagem no meu blog em 2014, logo não fazia sentido comentar novamente, mas conto este ano ler e seguramente que vou ler o Terrarium se for publicado, isso é garantido e vou divulgar antes de sair, fico a torcer que tenhamos novas 🙂

      E sim admiro bastante o tio, embora me lance constantemente maldições 😀

  9. Ahahah! Adoro. Quanto ao Fiacha, mesmo não tendo lido nada, é uma pessoa que o admira muito e não se cansa de o elogiar, por isso perdoe-lhe a heresia 🙂 sim, o conto é extremamente subestimado enquanto forma de ficção, é a cultura literária que existe no nosso país. Pessoalmente também prefiro obras maiores, mas sei dar o valor ao conto é já escrevi alguns.
    Quanto à sua escrita, João, já sabe o que eu acho sobre ela, é uma escrita rica, apaixonante, irreverente e erudita. Não gosto de algumas coisas, já sabe as muitas e muitas páginas sem ter noção do que vai acontecer e aqueles temos científicos que eu adoro mas que as tantas são tantos e eu só quero saber o que vai aco, mas não há escritores nem leitores perfeitos. Dentro dos escritores nacionais, para mim é uma referência. O Filipe Faria teve o seu mérito, pôs muitos jovens a ler, e a ler fantástico, e teve personagens e histórias bem desenvolvidas. Os personagens não eram propriamente originais, mas para mim o principal problema dele foi a escrita aborrecida e a permanente tentativa em mostrar os seus conhecimentos de vocabulário. Tive pena de não conseguir terminar a saga porque gostei de várias ideias do autor, mas a escrita dele foi sempre um handicap. Ainda hei de ler esse conto, também 🙂

  10. Barreiros

    Ontem, caro Fiacha, estava mesmo pérfido. Mil desculpas. Hoje já estou mais mansinho e quase reconciliado com o cruel universo. Fiquei possuído pelo demónio do José de Barros, hihi. Quando lerem o Se Acordar…vão compreender do que falo. Pessoalmente nunca consegui ler o Faria. Bloqueei logo nas três primeiras páginas do primeiro volume da Saga, devido áquele chatissimo infodump. Mas leiam esse meu conto. O tal onde o Faria ( salvo seja) é rei. Sujeito aos cruéis tratos do José de Barros & Companhia dos viçosos Anarco Futuristas. Sei que se vão rir ( um bocadinho) — talvez já não diga o mesmo da Catia Valente.

    1. Catia valente

      Porque acha que não vou gostar?
      Por acaso até tenho a seu livro na minha longa lista de pedidos para o Natal que passou e como ninguém me ligou nenhuma passou para futuras compras, mas se acha que não vou gostar, adio por mais uns tempos…
      E já agora, eu gosto de ler contos, mas ainda só li alguns de fantasia.
      O meu problema com a FC é puro preconceito. Não ponho totalmente de parte e tenho comprado alguns livros ultimamente, mas ainda não li. Há temas tratados que não gosto e isso não se discute. Ainda ando a procura de um género que goste, mas dificilmente gostarei de livros cheios de termos que não vou entender.

  11. Barreiros

    Claro que vais entender, Catia Valente. O livro foi escrito em português com termos que existem em português. Eu não sou propriamente o Aquilino Ribeiro…

    1. Catia valente

      Tem piada, Aquilino Ribeiro é um autor que quero muito ler… Comecei a ler o “Andam faunos pelos bosques” e gostei do inicio. Não pude continuar na altura porque o livro não era meu, mas já comprei um exemplar. Está em lista de espera.

      1. Nunca li nada de Aquilino Ribeiro. Quanto aos termos há alguns mais complicados (principalmente para ignorantes de ciências como eu) mas mesmo que não se conheça percebe-se o que significa. 🙂

  12. Pingback: Resumo Trimestral de Leituras #1 | Nuno Ferreira

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