Mia Couto no “MBIP”


O autor de origem moçambicana, responsável por um ror de belíssimos escritos em língua portuguesa, entre os quais se destacam Mar me Quer, Terra Sonâmbula, Um Rio Chamado Tempo e O Último Voo do Flamingo, foi nomeado para o prestigiado prémio Man Booker International Prize.

Foi com orgulho que o autor moçambicano se viu entre os dez nomeados para um dos prémios mais invejados do mundo literário. Entre os vencedores deste prémio encontram-se nomes como Ian McEwan e Salman Rushdie. O anúncio dos nomeados foi feito na Cidade do Cabo na África do Sul e a cerimónia de entrega do prémio será no Museu Victoria and Albert em Londres, a 19 de Maio. “Recebo a notícia com surpresa…”, disse o autor, “… trata-se de um prémio com prestígio internacional”. Os outros nove nomeados são: o argentino César Aira, o libanês Hoda Barakat, a sul-africana Marlene van Niekerk, o congolês Alain Mabanckou, a norte-americana Fanny Howe, a guadalupense Maryse Condé, o indiano Amitav Ghosh, o libanés Ibrahim Al-Koni e o húngaro Lazlo Krasznahorkai. É a primeira vez que um autor de língua portuguesa é nomeado para este prémio.

Sem título

Aqui vos deixo um poema de Mia Couto:

Diz o meu nome

Diz o meu nome

pronuncia-o

como se as sílabas te queimassem

                                         [os lábios

sopra-o com a suavidade

de uma confidência

para que o escuro apeteça

para que se desatem os teus cabelos

para que aconteça

—————-

Porque eu cresço para ti

sou eu dentro de ti

que bebe a última gota

e te conduzo a um lugar

sem tempo nem contorno

—————–

Porque apenas para os teus olhos

sou gesto e cor

e dentro de ti

me recolho ferido

exausto dos combates

em que a mim próprio me venci

—————–

Porque a minha mão infatigável

procura o interior e o avesso

da aparência

porque o tempo em que vivo

morre de ser ontem

e é urgente inventar

outra maneira de navegar

outro rumo outro pulsar

para dar esperança aos portos

que aguardam pensativos

—————-

No húmido centro da noite

diz o meu nome

como se eu te fosse estranho

como se fosse intruso

para que eu mesmo me desconheça

e me sobressalte

quando suavemente

pronunciares o meu nome

in Raiz de Orvalho

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2 thoughts on “Mia Couto no “MBIP”

  1. Muito bom 🙂 Parabéns Mia Couto !
    Eu gosto imenso da sua escrita, dos seus textos, dos seus versos, do seu palavrear …
    Ele transporta no coração os sons, os cheiros, as cores, as paisagens, os sentimentos de África e esses esparramam-se pelas suas palavras.
    Um prémio muito merecido, espero que ele o ganhe 🙂

    1. Apenas li excertos da obra dele, emprestaram-me um livro, o Terra Sonâmbula, mas devolvi-o sem o terminar. Já estive com livros dele na mão mas tenho adiado a leitura, mas quero dar-lhe uma oportunidade ainda este ano. O mesmo com Agualusa.
      Não há dúvidas que Mia escreve muito bem e é um prémio muito merecido. 😀
      Quanto a ganhar é mais difícil, mas também torço para que ganhe 🙂

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