R.I.P. Herberto Hélder


Dia 23 de Março de 2015 é a data que fica marcada pela morte do “maior poeta português da segunda metade do século XX”. Nasceu na ilha do Funchal, Açores, em 1930. Com 16 anos veio viver para o continente, onde fez o liceu em Lisboa. Frequentou a Universidade de Coimbra, primeiro em Direito e depois em Filologia Romântica na Faculdade de Letras e não terminou nenhum dos cursos. Viveu entre Lisboa e a Madeira com uma vida modesta, os recursos não eram muitos, mas foi em Lisboa que ele deu asas à sua imaginação e começou a escrever poemas. Reunia-se em pequenas tertúlias com senhores como Mário Cesariny, Hélder Macedo ou Luiz Pacheco. Vivia como propagandista e redactor. Viveu em vários países da Europa. Operário numa forja, cortador de legumes numa casa de sopas e empacotador de aparas de papéis foram alguns dos seus trabalhos. Na Holanda, guiava os marinheiros para o mundo da prostituição. Uma vida pobre e marginal. Foi repatriado no ano de 1960, e em Lisboa voltou a escrever fantásticas obras de poesia. Fez trabalhos em Lisboa como jornalista, tradutor e bibliotecário, sendo também conhecido pela sua atividade paralela como locutor de rádio, onde criou empatia e reconhecimento junto do público. Em 1968, participou num livro sobre o Marquês de Sade, e a polémica levou-o ao afastamento das rádios e televisão; nessa altura acabou como diretor numa editora. Viajou pela Europa e foi a trabalhar em Luanda, como redactor da revista Notícia, que sofreu um aparatoso acidente de viação que o deixou três meses internado. Isso não o fez parar de escrever.

Sem título

A sua escrita é considerada de um surrealismo tardio. No pós-25 de Abril trabalhou na edição e organização da revista Nova, que reconhecia na literatura portuguesa uma aproximação às literaturas hispânicas, africanas e latino-americanas, afastando-se da perspectiva revolucionária de 1974. A sua figura sempre foi rodeada de uma intensa aura de mistério, adensada pelo facto de declinar qualquer prémio. Em 1994 venceu o Prémio Pessoa, que recusou. Viveu no anonimato até ao lançamento do último livro, A Morte Sem Mestre, um ano antes da sua própria morte.

A Obra:

Poesia

Poesia – O Amor em Visita (1958)

A Colher na Boca (1961)

Poemacto (1961)

Lugar (1962)

Electrònicolírica (1964)

Húmus: poema-montagem (1967)

Retrato em Movimento (1967)

Ofício Cantante: 1953-1963 Antologia (1967)

O Bebedor Nocturno (1968)

Vocação Animal (1971)

Poesia Toda (1º vol. de 1953 a 1966; 2º vol. de 1963 a 1971) (1973)

Cobra (1977)

O Corpo o Luxo a Obra (1978)

Photomaton & Vox (1979)

Flash (1980)

A Plenos Pulmões (1981)

Poesia Toda 1953-1980 (1981)

A Cabeça entre as Mãos (1982)

As Magias (1987)

Última Ciência (1988)

Do Mundo (1994)

Poesia Toda (1996)

Ou o poema contínuo: súmula (2001)

A Faca Não Corta o Fogo – Súmula & Inédita (2008)

Ofício Cantante – Poesia Completa (2009)

Servidões (2013)

A Morte Sem Mestre (2014)

Ficção

Os Passos em Volta (1963)

Apresentação do Rosto (1968).

A Faca Não Corta o Fogo (2008).

—————————–

Fontes: Wikipédia | RTP

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4 thoughts on “R.I.P. Herberto Hélder

  1. Não conheci muito da sua obra, mas do que li gostei bastante. Espero ainda ler muito mais.
    A sua vida é impressionante, mas penso que deve ser daquelas pessoas que quando chega ao fim dos seus dias poderá pensar em tudo o que fez e dizer : “Eu vivi a vida”
    Pelo que ouvi no noticiário ontem, um amigo do poeta referiu que ele percebeu que iria morrer e este seu livro tem muito a ver com esse sentimento, aliás, dizia ele, nos últimos dois anos ele falava muito na morte como se a aguardasse a qualquer momento.
    Um grande Homem, um grande poeta que quero conhecer melhor.

    1. Eu só li alguns poemas e gosto bastante. 😀
      É daquelas pessoas com uma vida cheia 🙂 Viveu sempre na corda bamba, e não me parece ter tido uma vida muito feliz, mas sem dúvida que chegou a esta idade e pôde transmitir muitos ensinamentos.
      Acima de tudo, pôde dizer: eu fiz isto.
      É muito bom. Sem dúvida, uma figura incontornável da nossa literatura.

      1. Sim é verdade o que dizes 🙂 Terá sido feliz? Não sei, se o facto de ter tido tantas tarefas e ter andado por tanto lado, foi uma procura de algo, ou da propria felicidade, ou se foi apenas porque quis viver a vida.
        o que é certo que isso lhe proporcionou uma vivência extraordinária, pelo menos é o que me parece
        beijinhos

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