Os Anos Perdidos, Merlin #1


O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Os Anos Perdidos”, primeiro volume da saga Merlin

T.A. Barron é um autor norte-americano de fantasia para crianças e adolescentes, onde a natureza geralmente reclama o papel principal. Vencedor de vários prémios e reconhecido como forte disseminador de valores humanos, Barron defende valores como a amizade ou a justiça, fazendo valer a ideia que existe um herói dentro de cada um de nós.

Os Anos Perdidos é o primeiro volume da mais famosa saga do autor: Merlin. Através dela, T. A. Barron pretende mostrar-nos a sua versão da infância de Merlin, quando ainda não era conhecido por esse nome. O livro fala-nos de um rapaz, Emrys, que chega à costa do País de Gales com uma mulher, que se diz chamar Branwen. Com ela aprende muitas coisas, mas não se recorda de nada da sua vida desde que ali chegaram, quando um enorme javali os tentou matar. Certamente o faria, não fosse a intervenção de um corpulento veado que os salvou a ambos. Aqui vemos uma alusão ao zoroastrismo clássico. O javali como Rhita Gawr, o símbolo do mal e o veado como Dagda, a personificação do bem. A verdadeira identidade dos animais é revelada por Branwen, a mulher que o jovem Emrys não consegue reconhecer como mãe.

Barron convida-nos a entrar no mundo mágico de Fincayra, povoado por seres mágicos como duendes e Gigantes, e onde as árvores mostram toda a sua sabedoria numa perspectiva “humanizada” das mesmas. Este não é um livro para os velhos fãs do personagem Merlin, é um livro para levar os mais jovens leitores a conhecer a lenda.

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Capa Editorial Presença
SINOPSE:

Antes de ser Merlin, ele era apenas um menino, sem terra, sem memória, sem nome. Um mar tempestuoso lançara-o para as costas escarpadas do país de Gales, juntamente com uma mulher de extraordinária beleza que dizia ser sua mãe. Cinco anos mais tarde, estão a viver juntos numa aldeia, mas o rapaz sonha descobrir a verdade sobre si próprio e sobre os seus estranhos poderes, e parte em busca das suas origens.

Chega a uma ilha, Fincarya, que se assemelha ao paraíso na Terra, mas rapidamente se apercebe de que uma entidade maléfica, em conluio com o rei da ilha, Stangmar, ameaça destruí-la. Sem saber que Fincarya é a sua terra e Stangmar seu pai, o jovem empenha-se na salvação da ilha e do seu povo e, com a ajuda de um grupo de novos amigos – um pequeno falcão; Rhia, uma rapariga que fala com as árvores; e Shim, um gigante que tem o tamanho de um anão -, tenta entrar no castelo rodopiante do rei, enfrentando perigos inimagináveis.

Aventura, tesouros, criaturas mirabolantes, florestas frondosas, castelos em ruínas e muita magia num épico fantástico. Merlin – Os Anos Perdidos revela-nos os anos de juventude daquele que estava destinado a ser o maior mago de todos os tempos!

OPINIÃO:

Ouvir falar no nome de Merlin, o sábio feiticeiro e conselheiro do Rei Artur, sempre despertou algum fascínio dentro de mim. Mas este livro deitou por terra todas as minhas expectativas. Já quando peguei nele e vi uma alusão a Harry Potter na capa, pensei: um livro que vai agradar aos fãs de Harry Potter? Bem, nunca fui fã do Harry Potter, mas não há como experimentar. A leitura começou lenta, as primeiras cem páginas do livro foram em slow-motion, achei até algo aborrecidas as descrições. De resto, o livro oscilou entre descrições exageradas e completa falta delas, o que me desagradou imenso.

Não posso dizer que o livro é mau. A escrita do autor não apaixona, mas é irrepreensível. A história está bem contada, da perspectiva de Barron. Surpreendeu-me pontualmente, mas no geral foi muito previsível. O autor demonstrou algum conhecimento de mitologia e as analogias foram satisfatórias.

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Mapa de Fincayra (Ian Schoenherr)

Posso recomendar este livro a crianças até aos 12, 13 anos. Não mais. E de preferência, crianças que nunca tenham lido Terry Brooks, J.R.R. Tolkien ou Christopher Paolini. Porque a história é tão parecida que quase me faz rir. T. A. Barron resolveu armar-se em engraçado e levou o Merlin para a Terra Média, onde um Senhor das Trevas domina o mundo e ameaça destruir a natureza e os seus amiguinhos saltitões com as suas malévolas intenções.

A interação entre os personagens foi bem feita e os diálogos entre os personagens, coerentes. Gostei do personagem Stangmar e gostaria de saber mais sobre ele e sobre o Castelo Amortalhado. Sei que isto é apenas o início de uma longa saga, mas não sei se continuarei a segui-la. O problema, de facto, foi que não é um género de fantasia que me cative. Não foi um livro que me agradou, mas provavelmente agradará a um público menos exigente e acostumado à típica aventura épica.

Avaliação: 5/10

Merlin (Editorial Presença)

#1 Os Anos Perdidos

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3 thoughts on “Os Anos Perdidos, Merlin #1

  1. Pingback: Resumo Trimestral de Leituras #1 | Nuno Ferreira

    1. Oi

      Se gostares de livros sobre crianças prometidas que se tornam amigos da Natureza e dos bichinhos e que se tornam heróis a lutar contra os Dark Lords, então este livro é para ti hehehe
      Sem dúvida que não deixa saudades, só quando sair o segundo volume decido se leio ou não. 😛

      Abraço

Comentário

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