Voo Nocturno


Ame aqueles em quem manda. Mas sem lhes dizer que os ama.

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Voo Nocturno”

Antoine de Saint-Exupery, filho de condes, escritor, poeta e aviador. Nasceu em 1990 em Lyon e viveu entre as duas grandes guerras. Desde muito cedo que despertou nele o gosto pela mecânica e pelos aviões. Tornou-se um piloto experiente, tanto que, no ano de 1944, com 43 anos, foi destacado para voar com as Forças Francesas no Mediterrâneo, auxiliando os Aliados. A tarefa era recolher informações sobre as movimentações das tropas alemãs em torno do Vale do Ródano antes da invasão aliada no Sul de França. No entanto, o avião que ele pilotava foi alvo de disparos e um acidente fatal matou o escritor. Horst Rippert confessou ser o autor dos disparos e lamentou profundamente a sua morte.

É curioso. Já ouvi falar deste escritor desde que me lembro e só soube agora desta curiosidade, a pesquisar na Wikipedia. E depois de ter lido o livro Voo Nocturno: um livro que nos fala exatamente sobre aviões, sobre o amor aos homens e sobre a perda. Sobre a perda de um homem que todos gostavam num acidente de avião. Que ironia. Curioso também é, que Saint-Exupery tenha escrito o Principezinho – livro pelo qual foi celebrizado – apenas um ano antes da sua morte (Voo Nocturno foi escrito uma década antes). Saint-Exupery mostrou nas suas obras a essência de um ser humano maravilhoso, e com muito para ensinar.

Sem título
Capa Rio Gráfica
SINOPSE:

 Segunda obra do criador de O Princepezinho, Voo Nocturno, publicado em 1931, tem por tema um período em que a aviação reclamava heróis e não apenas pilotos. Aviador dos 21 anos de idade até sua morte – ocorrida em 1944, durante uma missão de reconhecimento no Mediterrâneo -, Saint-Exupéry narra aqui a atribulada trajetória de um pioneiro, como ele, de vôos comerciais nocturnos. O enredo muito provavelmente se baseia num acontecimento real: o desaparecimento, na cordilheira dos Andes, do piloto Fabien Gillaumet, que se tornara amigo do autor. Dono de uma dicção singular e escrevendo com “conhecimento de causa” – conforme ressalta, no prefácio, o escritor André Gide -, Exupéry sai de Voo Noturno como “autêntico romancista do ar”.

OPINIÃO:

Simplesmente maravilhoso. Ao ler o livro, não fazia ideia que o personagem Fabien era inspirado num amigo pessoal do escritor, apenas na nota final do livro isso é explicado. O livro é fantástico, porque fala-nos não só do mundo da aeronáutica como, acima de tudo, das relações entre os homens. A minha personagem preferida é Riviére, o chefe. É aquele homem que ama os seus homens sem lhes dizer que os ama, é o homem que por vezes é obrigado a ser injusto, para dar exemplo aos outros subordinados, quando por dentro está a fraquejar e a sentir-se extremamente mal com a sua consciência, quando tudo o que tinha vontade era abraçar o seu homem e ser clemente para com ele. É aquele que dá a cara. É um ser humano complexo, mas que reflete no seu pensamento tantas coisas que todos nós, como membros de uma sociedade, de uma família ou de uma organização sentimos e, verdade seja dita, nunca tinha visto escrita. Exupery consegue fazer magia em palavras, e a sua escrita é simples e encantadora. Consegue conquistar-nos em poucas palavras. Enquanto o Principezinho é um livro para todas as idades, Voo Nocturno é um livro para adultos. Recomendo.

Avaliação: 7/10

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7 thoughts on “Voo Nocturno

  1. Fiacha

    Ois,

    Bem não deixa qualquer tipo de duvida aqui está um grande livro, se tiver oportunidade vou ler, gostei muito do teu comentário 🙂

    Abraço

    1. É um autor que nunca desilude e transmite grandes mensagens. A primeira parte do livro é um pouco confusa, porque somos apresentados a muitos personagens e não sabemos quem é o principal, mas pouco a pouco vamos percebendo. 😀
      Abraço.

  2. Um excelente livro, já o li há muitos anos, mas recordo-o sempre com carinho 🙂
    E sem dúvida que o escritor sabe como transmitir as mensagens aos seus leitores, de uma forma simples e suave 🙂
    Gostei bastante do teu comentário
    Beijinhos e boas leituras

    1. Olá Isaura. Obrigado.

      A minha versão é muito antiga, não te sei dizer se anda por aí alguma à venda.
      Mas se encontrares, posso dizer-te que não tem propriamente um enredo aliciante, a mensagem que passa e a complexidade da mente do chefe é que são muito interessantes.

      Beijinho e boas leituras

  3. Pingback: Resumo Trimestral de Leituras #2 | Nuno Ferreira

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