O Monarca


O texto seguinte pode conter spoilers do livro “O Monarca”

Vassilis Vassilikos nasceu há mais de 80 anos em Kavala, na Grécia, terra onde se formou em Direito e trabalhou grande parte da vida como jornalista e político, sendo representante permanente da Grécia na Unesco desde 1996. É também conhecido como escritor, e entre as suas obras mais conhecidas está Z, que foi, inclusive, transformada em filme.

O Monarca é um livro contado na primeira pessoa, contemporâneo do autor, que conta a história de um biógrafo e as suas entrevistas com o rei islâmico, de forma a reunir informação suficiente para escrever um livro sobre o mesmo. Um livro que resultará num filme que começa a ser preparado. O protagonista desse filme é Omar Tamir, um perfeito sósia do Monarca e um ator extravagante que tem a pretensão de entrar em todas as cenas da fita. O Monarca é um livro com uma forte carga política que fala muito das tensões e relações entre o Islão e o resto do mundo. Uma obra sempre atual.

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OPINIÃO:

Este livro era daqueles que permaneciam escondidos nas estantes antigas cá de casa e nunca sequer lhe tinha posto os olhos em cima. Chamou-me a atenção pelo título e o conteúdo revelou-se diferente do que eu julgava, mas não foi para pior. O protagonista é um escritor afamado pelas suas obras sobre o Eufrates e o livro começa com a sua viagem ao Palácio, para a primeira entrevista ao famoso Monarca, um rei bastante solitário e sonhador, adepto e praticante de ténis. Gostei bastante das questões políticas aqui exploradas, mais do que dos personagens, pouco desenvolvidos e estereotipados.

A ação decorre numa época em que a bandeira de Israel é a nacionalização, em contraponto com as ideias imperialistas do Xá do Iraque e os seus aliados chineses. Uma época em que a monarquia foi já extinta das principais economias do nosso planeta. É curiosa a forma como o Monarca defende o marxismo, embora seja contra a sua existência no Irão. Segundo o personagem, o marxismo é, mais do que “a simplicidade do conjunto produtor de uma comunidade”, como defendem os seus seguidores, mas a “exploração do homem pelo homem”, e na Ásia nunca existiu escravatura.

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O Monarca defende a questão, reforçando que Marx e Engels desconheciam a forma como se vivia no Extremo Oriente, daí que os seus princípios não lhe possam ser aplicados. Ao longo do livro conhecemos várias particularidades deste Monarca, da sua vida pessoal e política, e Vassilikos consegue deixar-nos sempre com a sensação de que a qualquer momento iremos descobrir um atirador em cima do telhado ou um conspirador dentro da família ou entre os seguranças do Rei. O verdadeiro terramoto só acontece perto do final do livro, onde sangue vai rolar, de uma maneira não muito original, mas coerente.

Perguntei-me algumas vezes se teria sido falta de atenção minha, mas terminado o livro percebo que em momento algum nos é dito o nome nem do escritor (que se trata a ele como “eu”), nem do Monarca (que é sempre referido com esta designação). É uma obra muito interessante a nível político, com uma pontinha de suspense. Não é um livro fantástico, mas de entre as expetativas, encheu-me as medidas.

Avaliação: 7/10

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5 thoughts on “O Monarca

  1. Fiacha

    Ois,

    Parece-me um livro bem interessante, quem sabe venha a ler, embora goste de personagens fortes, mas tem politica, suspense…parece-me bem 🙂

    Abraço

  2. Pingback: Resumo Trimestral de Leituras #2 | Nuno Ferreira

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