Alice in Wonderland


O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Alice in Wonderland”

Charles Lutwidge Dodgson é o nome menos conhecido, embora o verdadeiro, do célebre matemático e escritor britânico Lewis Carroll. A sua obra Alice no País das Maravilhas foi publicada pela primeira vez em julho de 1865 e tornou-se um clássico mundial. A visão onírica de uma menina que cai numa toca de coelho e entra num mundo fantástico foi matéria prima para um sem número de adaptações, da música ao teatro, passando pelo cinema, onde adquiriu maior visibilidade. A história é um retrato do absurdo, a sua primeira camada é uma história para adormecer crianças… e alguns adultos; já as camadas subliminares escondem um rol de simbolismos peculiares. Símbolos que ainda nos dias de hoje são alvo de estudos e alguns poderão mesmo escapar à nossa perceção. Carroll era um homem que guardava os mistérios para si próprio, um homem cuja aversão à fama o poderá ter deprimido fortemente, um matemático segundo alguns genial, um reverendo ortodoxo. Segundo notícias mais sensacionalistas, foi também um pedófilo reprimido. É tendo atenção a todos estes pressupostos que vos convido a ler e a estudar Alice no País das Maravilhas.

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Alice (Disney)

Toda a história é baseada em factos verídicos. Diz-se que Lewis foi convidado a contar uma história às três filhas do vice-chanceler da Universidade de Oxford e decano da Igreja de Cristo, Henry Liddell. Uma das meninas chamava-se Alice, servindo-se dela como base para a história que iria contar. Quando Alice dá um passeio, encontra um coelho de colete a segurar num relógio, e então decide segui-lo. Cai na toca do coelho, que a transporta para um mundo cheio de coisas mágicas. Ali avista um belo jardim, mas a passagem é demasiado pequena para ela atravessar. Ao beber uma garrafa a dizer “Beba-me”, ela encolhe drasticamente de tamanho, e ao comer um bolo a dizer “Coma-me”, fica enorme. É uma situação que se repete frequentemente durante as suas aventuras. Pelo caminho conhece melhor o Coelho Branco, o Rato, um Dôdo, uma Lagarta Azul que a ajuda a resolver os seus problemas de identidade, a Duquesa e o Chapeleiro Louco, até chegar ao jardim tão almejado, que se revela um campo de críquete onde se encontram cartas de jogar com vida. E é ali que ela tem de enfrentar a crueldade da feroz Rainha de Copas, que repete a constante frase “Cortem-lhe a Cabeça”, embora nunca seja cortada, de facto, nenhuma cabeça.

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Guardas de Copas (Disney)
SINOPSE:

One day, a young girl named Alice is sitting on the riverbank with her sister, when she sees a curious looking white rabbit. She soon after falls into the magical world of Wonderland, where she meets a series of strange creatures.

OPINIÃO:

Nos dias de hoje, acho Alice in Wonderland uma mera história para adormecer bebés. Convido-vos a tentar descobrir todos os enigmas de Lewis ao ler este livro, os seus simbolismos matemáticos e religiosos que lhe estão subjacentes. Eu encontrei alguns, embora o meu verdadeiro objetivo tenha sido praticar o inglês. Talvez por isso me tenha sentido a leste, muitas vezes, nessa busca de um sentido alegórico. A metáfora mais evidente é a queda de Alice pela toca do coelho, uma referência quase óbvia à transição entre a infância e a adolescência, e a toda a descoberta de um mundo novo. A escrita é elegante, sem frases de efeito, uma escrita tão simples e infantil quanto a história, daí que tenha achado a leitura perfeita para treinar o meu inglês. Acabei por ficar satisfeito com esse objetivo, mas o meu foco de atenção foi a tradução do livro, daí que não me tenha concentrado propriamente no seu conteúdo. Ter percebido, de uma maneira geral, todas as histórias, faz-me sentir que o objetivo foi cumprido.

Em relação à narrativa, em nenhuma parte do mundo seria uma história a recomendar. Nunca gostei do universo de Alice, nem das suas adaptações, que oscilam entre o absurdo e o obscuro, que me recorda pesadelos de criança. É uma obra-prima da literatura pelas diversas camadas concebidas por Lewis, o verdadeiro factor de interesse. A história é mais do que absurda, é aborrecida.

Avaliação: 3/10

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5 thoughts on “Alice in Wonderland

  1. Elsa

    Olá Nuno

    Sempre detestei Alice in Wonderland. Dá a impressão de que foi escrito por alguém com um grande desequilíbrio mental.É um absurdo, um mundo excêntrico e nada apelativo (imo).

    Bjos

  2. Pingback: Resumo Trimestral de Leituras #2 | Nuno Ferreira

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