As Origens de Zallar #7: Os Jogos de Poder


A sorte não existe. Aquilo a que chamais sorte é o cuidado com os pormenores. Winston Churchill

AVISO:

Este artigo contém spoilers do meu livro Espada que Sangra, mas pode ser lido em simultâneo, como um companion, pelos leitores mais curiosos. Conheçam mais do meu mundo fantástico.

Hoje venho falar-vos sobre jogos de poder. Mais do que as movimentações entre irmãos pela conquista do poder (reparem que os Ameril governam há imenso tempo e sempre houve despiques entre irmãos pela posse do trono), quero falar-vos de movimentos que lhes estão subjacentes: as camadas inferiores da governação. O Conselho de Estado que tem sempre um voto na matéria, composto por homens que já deram tanto de si à Espada e que foram nomeados para aqueles cargos tão veneráveis. Quem são estes homens? Quais as suas verdadeiras intenções? Há todo um jogo de bastidores que coordena as engrenagens de Welçantiah? Em que me inspirei para a criação deste Conselho?

Na monarquia romana, uma das funções mais decisivas era a de escolher o rei, o que acontecia no período a que se convencionou chamar interregnum. Quando um rei morria, um membro do senado indicava um candidato para substituir o rei. Durante o primeiro intervalo de tempo que se deu após o desaparecimento de Rómulo, o senado de cem homens dividiu-se em dez decurias, cada uma delas era representada por um decurio. Esse sujeito desempenhava a função de interrex durante cinco dias, sendo substituído logo após esse período por outro senador, o que se sucedeu durante um ano. Ao final desse ano, um novo rei foi eleito, após ser aprovada a candidatura pelo senado, ter sido eleito pelo povo e novamente pelo senado, que tinha sempre a última palavra a dizer, o que por si só mostrava o poder desta faixa política. É também de destacar a influência que esse senado tinha a nível legistativo e consultivo. As suas palavras tornaram-se sinónimo de sabedoria e o conselho do senado romano um famigerado exemplo de sucesso.

A única coisa a fazer com os bons conselhos é passá-los a outros; pois nunca têm utilidade para nós próprios. Oscar Wilde

Sem Título

À sua volta gravitavam homens que colecionavam competências ímpares no jogo de estratégia e um tato apurado para todo o tipo de questões palacianas. No entanto, o que os olhos – e os ouvidos – de Hymadher lhe mostravam eram sombras expectantes, que esperavam ansiosamente pela sua oportunidade para lhe meterem as garras em cima.

Sombras que mordem.

A organização do governo de Welçantiah era complexa. O órgão máximo da cadeia era o Rei, também chamado de xer ou Príncipe Maior. Ele era o sumo responsável por todos os desígnios da sua espada e ninguém detinha mais poder do que ele. A sua ação estava mais intimamente ligada às questões marciais, pois era o principal representante do exército, mas estava também encarregue dos poderes administrativos e legislativos. Em ambos os casos, tinha alguém em quem delegar funções. As questões administrativas eram essencialmente desempenhadas pelo Rei, mas muitas questões menores eram ministradas pelo chanceler: uma figura institucional ocupada por dois ou três conselheiros da sua máxima confiança. Mesmo nas questões de maior importância, eram pedidas Assembleias em que o voto de um chanceler tinha grande peso na decisão finalEspada que Sangra

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No meu livro Espada que Sangra, o Conselho de Welçantiah desempenha um papel em muito semelhante ao do senado romano nos seus tempos monárquicos. É neste cenário que emergem figuras políticas tão ricas como controversas; estou a falar de nomes como Fel Manny, Vax Mohill, Agnim Wilfred-Hunther, personagens importantíssimos no decorrer desta saga. Cada um deles tem a sua motivação secreta, o seu requinte de intriga e uma palavra a dizer no que concerne à governação daquela que é a Espada mais fulgurante de Terra Parda. Curioso?

Arrisca-te a entrar no sangrento mundo de Zallar.

Atreve-te a sobreviver.

Apaixona-te.

Nota: Para a realização deste artigo tive o auxílio de várias anotações minhas. Procurei também na Wikipedia informações sobre o senado romano para não pecar em imprecisões. 

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2 thoughts on “As Origens de Zallar #7: Os Jogos de Poder

  1. Viva,

    É do que mais gosto na saga é este tipo de jogos de poder e de como os cordelinhos estão a ser puxados, muito interessante e personagens que não damos muito por elas mas que foram importantes e quem sabe não venham ainda a ter um papel a desempenhar 🙂

    Gostei do artigo 😉

    Abraço e venham mais destes 😀

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