Resumo Trimestral de Leituras #2


E mais um trimestre chegou ao fim, repleto de muitas e boas leituras. Passando por géneros muito distintos, acabei por ler menos do que esperava, mas mantive o ritmo que vinha trazendo desde janeiro. Irei também fazer um apanhado dos livros que li em todo o semestre, uma vez que não se justifica fazer dois balanços em separado.

Aqui ficam os livros que li em janeiro, fevereiro e março:

Lisboa no ano 2000 – Organização João Barreiros

O Espião que Saiu do Frio – John le Carré

O Coração é um Predador Solitário – João Barreiros

O Saque de Lampedusa – João Barreiros

A Cativa, Wulfric #1 – Manuel Alves

Mares de Sangue, The Gentleman Bastards #2 – Scott Lynch

Exhalation – Ted Chiang

Suspeito – Robert Crais

Os Anjos Não Têm Asas – Ruy de Carvalho

O Amigo Fritz – Erckmann-Chatrian

A Lenda do Vento, A Torre Negra #4,5 – Stephen King

As Raparigas Cintilantes – Lauren Beukes

Operação Tolerância Zero, X-Men #65  – Scott Lobdell

Os Anos Perdidos, Merlin #1 – T. A. Barron

E os livros que li em abril, maio e junho:

Coisas Frágeis – Neil Gaiman

The New Atlantis – Ursula K. Guin

Bons Augúrios – Neil Gaiman e Terry Pratchett

Operação Tolerância Zero, Wolverine #13 Scott Lobdell

Voo Nocturno – Antoine de Saint-Exupery

O Miniaturista – Jessie Burton

As Terras Devastadas, A Torre Negra #3 – Stephen King

As Cidades Invisíveis – Italo Calvino

O Monarca – Vassilis Vassilikos

Alice in Wonderland – Lewis Carroll

O Punhal do Soberano, A Saga do Assassino #2 – Robin Hobb

Duna, Crónicas de Duna #1 – Frank Herbert

Comecei este segundo trimestre com Neil Gaiman em dose dupla. Se a colectânea de contos, Coisas Frágeis, me conquistou pela diversidade de temas, pelo ambiente soturno e pelo humor imprevisível – retenho, por exemplo, uma versão polémica das Crónicas de Nárnia sobre a problemática da velhice e outras questões sociais, assim como uma cena porno entre o leão Aslan e a feiticeira Jadis -, o livro Bons Augúrios, escrito a quatro mãos por Gaiman e Terry Pratchett já não me cativou. A premissa é interessante, mas todo o humor me soou forçado e um tanto ou quanto previsível. Nesse entretanto, li um fantástico conto de Ursula K. Le Guin, The New Atlantis, passado em Portland, a terra natal da autora. Nesse conto futurista, o mundo está a desabar e novas espécies podem ser a salvação da humanidade. Um conto de carácter ecológico que aborda, de uma forma camuflada, muitas das problemáticas dos nossos dias, e também a volatilidade e falta de humanidade do ser dito “humano”. Neste conto, o casamento e a conceção de crianças são vistos como crimes capitais, pois quanto mais pessoas nascem, mais recursos são gastos.

Sem Título 2No número 13 de Wolverine, continuamos a acompanhar a Operação Tolerância Zero e a caça aos mutantes. Bastion mantém os mutantes aprisionados na sua base, enquanto a Dr.ª Cecília Reyes, apostada em camuflar os seus instintos mutantes, é obrigada a aceitar a ajuda do Homem de Gelo. O livro Voo Nocturno, de Antoine de Saint-Exupery, é uma extraordinária viagem ao mundo da aeronáutica em plena Segunda Guerra Mundial. Os sentimentos de irmandade entre os homens estão à flor da pele e tudo pode acontecer naquela que é uma obra de incrível similaridade com a vida do autor. O destino trágico de um personagem assemelha-se ao fim do escritor conhecido pelo livro O Principezinho, o que se torna de certo modo arrepiante.

Sem título2O Miniaturista deixou-me de nariz torcido. A sinopse fala-nos de uma jovem que é obrigada a casar com um mercador holandês, devido às dificuldades da família, e vai viver para a sua mansão. O presente de casamento do marido é uma casa de bonecas que é a reprodução exata da casa onde vivem. Mas ela começa a receber encomendas, peças que são a reprodução fiel das pessoas que ali vivem, e essas peças alteram-se como prenúncio das tragédias que ali vão acontecer. Isto fez-me esperar uma narrativa de forte suspense e terror, mas não o é. A protagonista não se amedronta e cria até uma relação de empatia com quem lhe envia aquelas peças. Petronella, a rapariga, torna-se o pilar daquela família e uma destemida defensora daqueles que ali habitam. A autora, Jessie Burton, leva-nos ao engano. Fiquei desiludido por o livro não manter correntemente aquele tom macabro que eu esperava, mas isso não me fez gostar menos do livro. A escrita é deliciosa e, para uma autora estreante, conseguiu aqui conceber um dos romances históricos mais empolgantes que já li até hoje. As páginas deslizaram umas atrás das outras até ao fim.

Sem Título 2Continuei a saga A Torre Negra. O terceiro volume, As Terras Devastadas, leva Roland, o pistoleiro, e o seu ka-tet – o ex-drogado Eddie e a afro-americana sem pernas Susannah – até a uma fábrica de ciborgues, após enfrentarem um urso gigante com uma antena parabólica na cabeça. Depois de enfrentarem um demónio fornicador, conseguem trazer para o mundo médio o jovem Jake, que Roland havia sacrificado no primeiro volume, mas que continuava vivo na “nossa” Terra. Com Jake, fica completo o ka-tet. Jake cria afeição por um billy-bumbler, uma espécie de doninha que reproduz os sons que ouve, sendo baptizado por Oi. O grupo viaja até à cidade destruída de Lud, onde terão de apanhar um comboio se querem chegar à tão almejada Torre Negra. O pior é que o comboio está possuído por um demónio brincalhão e suicida, que aterroriza os povos das Terras Devastadas há anos e anos. Eu sou super-fã desta saga, e este volume trouxe muitas coisas pelas quais esperava desde o final de O Pistoleiro, como por exemplo a composição final do ka-tet. E apesar de estar desejoso de comprar o próximo volume (já nas bancas), continuo a achar que os acontecimentos são muito demorados, as divagações são muitas e Stephen King – o autor – poderia escrever os eventos deste livro em metade das páginas.

Sem TítuloAs Cidades Invisíveis é uma obra-prima. Compreendo quem não gosta deste livro, ele é um catálogo de cidades imaginadas por Italo Calvino e as descrições parecem ser semelhantes umas às outras. Mas o livro é muito mais do que isso, e aquilo que passa pelas entrelinhas é de uma profundidade incrível. Marco Polo conta a Kublain Khan como são as cidades por onde passou, mas a dado momento percebemos que ele está a inventar, para além de o nosso subconsciente segredar-nos que os nomes das cidades são todos nomes de mulher. O que é certo é que fiquei rendido aos cheiros e às vivências de cada cidade, quiçá traços da Veneza de onde Marco é natural, quiçá traços de mulheres que ele conheceu, quiçá um alerta da grandiosidade que é a imaginação e a crescente fome de conhecimento do ser humano. O Monarca, de Vassilis Vassilikos, é um livro de grande composição política. Ele fala-nos de problemáticas como as relações entre o Ocidente e o Extremo Oriente, das responsabilidades de um monarca no mundo atual e ainda lança a discussão sobre ideias marxistas e facções políticas. O enredo mostra-nos um biógrafo, que acompanha diariamente o monarca com a intenção de escrever um livro sobre o mesmo, mas os propósitos desse biógrafo, e a forma como ele olha para esse monarca vai mudando à medida que o conhece melhor. Não me encheu as medidas em termos literários, mas fez-me conhecer melhor vários aspetos da vida de um rei na era dos media.

Sem títuloAlice in Wonderland não me agradou. O clássico de Lewis Carroll é um livro profundamente infantil, mas com camadas subjacentes que nos remetem para a matemática e para a física. O livro é um enigma, encerrando códigos sobre códigos que, muito sinceramente, me escapam à compreensão. O autor pareceu-me de certo modo doentio, na forma alegórica como estigmatiza uma Alice a entrar na adolescência, digo, na toca do coelho. O Punhal do Soberano, de Robin Hobb, é o segundo volume da Saga do Assassino. Continuo a sublinhar que a escrita da autora é muito boa, e consegue tornar credível um mundo que, falado, soa a infantil e mágico. Hobb humaniza os seus personagens e torna as interações entre eles coerentes e carregadas de sentimentos inerentes à classe humana. Neste livro, FitzCavalaria tornou-se um homenzinho, à medida que vai tendo os seus primeiros dilemas de amor e compreende as hipocrisias de comportamento dentro da corte. É um livro muito fechado sobre as teias de conspiração dentro de Torre do Cervo. Gostei especialmente do desenvolvimento dado a Kettricken e a Veracidade e da subtileza de Majestoso, um grande vilão que quase sem aparecer mostra permanentemente a sua presença. Trata-se de um mundo inspirado na Europa Medieval, em que a maioria dos personagens têm nomes de características humanas, um reino dividido em Sete Ducados, ameaçados pelos horríveis Navios Vermelhos que saqueiam as populações para lhes roubar as almas, transformando-as em quase zombies. Para a sua oposição, existe uma mão cheia de nobres que possuem o Talento, capacidade incrível de entrar na mente de outras pessoas. FitzCavalaria, o filho bastardo do príncipe morto, possui uma habilidade ainda mais incrível e alvo de uma discriminação doentia por quem a conhece: a Manha, capacidade de comunicar e partilhar a mente com animais. Este livro ainda não tornou a saga como uma das minhas preferidas, mas não lhe retiro mérito e julgo que os próximos livros possam ser melhores.

Sem título 3Por fim, porque o melhor fica sempre para o fim, Duna, de Frank Herbert. Um dos melhores livros que já li este ano, sem dúvida, este livro de ficção científica escrito nos anos 60 fala-nos de uma casa ducal, os Atreides, ameaçados pelos seus arqui-inimigos, os Harkonnen, agora apoiados pelas forças do Império. Atraídos para uma armadilha, os Atreides são vítimas de um ataque estudado ao pormenor, que inclui um traidor dentro das suas fileiras. O duque Leto é morto, mas a mulher, uma bruxa Bene Gesserit, e o filho, o prodígio Paul, fogem para o deserto. Ali, Paul desenvolve as suas capacidades, conquista o favor dos povos dos desertos – os Fremen – e arma uma revolta em grande escala. Mais do que um profeta, Paul torna-se um poderoso líder sem igual em todo o universo, que só irá parar quando fizer pagar todos os que tiveram participação na morte do seu pai. Uma escrita deliciosa, uma história cativante, uma ficção original e genial para a época em que foi escrito. Pecou pela estranheza (até se entranhar).

Assim terminaram as leituras no primeiro semestre de 2015. Podem consultar as leituras do primeiro trimestre aqui, e continuem a acompanhar-me frequentemente, aqui no blogue, no site e no facebook. Estou já a ler dois livros incríveis: Os Leões de Al-Rassan de Guy Gavriel Kay e República de Ladrões, o terceiro livro dos Gentleman Bastards de Scott Lynch. Em baixo fica um vídeo, feito alguns dias atrás, sobre os livros que mais me marcaram neste primeiro semestre:

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10 thoughts on “Resumo Trimestral de Leituras #2

  1. Hello!

    Mais uma vez andaste a ler bons livros!
    Dos que referes, li à pouco tempo O Miniaturista, e fiquei como tu.
    Li o Duna há uns anos e, apesar de ter gostado, não fiquei maravilhada e não continuei a leitura dos outros livros. Mas gostava de ver a série.

    Já quanto a Robin Hobb…que maravilha. Espero muito pela próxima trilogia, que já começou em inglês. A SdE disse que ia apostar, por isso é que ainda não comprei em inglês.

    Bjs!

    1. Olá Lamora Girl. 🙂

      Obrigado; quanto ao Duna, deixei no comentário o que gostei e não. Eu só fiquei maravilhado porque para os anos em que foi escrito, foi algo incrível. Ainda para mais sou fã do Star Wars, que veio buscar aqui muita inspiração 😀
      Da Robin Hobb ainda tenho muito livrinho para ler 😛
      Beijo e boas leituras.

  2. Ena tantos livros!!!
    Bem que gostaria de ter tempo e ler metade dos que leste 😛

    Gostei de ver a lista e os comentários que fazes de uma forma reduzida mas que nos dão uma boa prespectiva. Bons livros, ainda não me aventurei pelos mundos de Robin Hobb, mas a ver se o faço um dia destes 😀

    beijinhos

    1. Acho que podes gostar da Robin Hobb. 😀 Foi uma média de 4 livros por mês, não correu mal.
      Pode ser que comeces a ter mais tempo, para ler mais (e também um que tens em formato word no teu ambiente de trabalho 😛 😛 😛 )
      Beijinho

    2. OK, you didn’t understand. And you can only think idloioglcaley, and in extremes. I’ll get back to you another time.PS. The answers to your questions are in what I already wrote, if you just read it carefully.

  3. Fiacha

    Ois,

    Bem já li vários livros que leste este trimestre e sem duvida que leste muito coisa boa, ainda bem que gostaste da Robin Hobb e do Herbert 😉

    estás a gostar dos Leões de Al Rassan ? Assim espero 😀

    Quem me dera ler tanto livro 😛

    Abraço

  4. Pingback: Resumo Trimestral de Leituras #3 | Nuno Ferreira

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