Fados Solidários


Depois de várias conversas entre a direção do Clube União de Recreios de Moita do Norte e a autarquia de Vila Nova da Barquinha, nasceu a ideia de fazer uma noite de fados na Praça da República, em frente à Câmara Municipal, cujas receitas revertessem para uma causa que careça de ajuda. A Associação de Paralisia Cerebral do concelho, por todas as dificuldades que tem passado para levar a cabo o propósito que serve, esteve desde logo presente na mente da organização. A ideia formou-se, e depois de grandes batalhas e da generosidade de todos aqueles que, com trabalho ou donativos, contribuíram sem nenhuma contrapartida, eis que se conseguiu. Um espetáculo maravilhoso, cerca de 400 pessoas a assistir e um elenco fadista excecional. Era impensável, para a importância que o projeto merecia, levar a palco vozes menos competentes. Saímos com o coração cheio e com a sensação de missão cumprida. Acima de tudo, fica a certeza que demos o nosso melhor por uma causa que tanto o merece.

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Foi um prazer apresentar esta gala. Entre o elenco fadista estão as novas vozes do fado nacional, vozes carismáticas e emotivas, vozes que fazem do fado um património imortal e mostram que é uma arte com futuro. Os irmãos Ricardo e João Silva dão cartas à guitarra e à viola, Carlos Almeida está no contrabaixo e estes três jovens são o pulmão da noite. As notas vogam no ar perante a sua musicalidade, fica a fúria de quem ama aquilo que faz, e são estes três jovens que fazem o espetáculo funcionar ao melhor nível. A noite termina com a voz de Ricardo, mais do que um músico extraordinário, um cantor surpreendente, que levanta o público das cadeiras com o seu Fado Falado de João Villaret, para encerrar a noite. Mas antes desse momento, são outras vozes que se ouvem. Vozes extraordinárias. Silvina Pereira, natural da Marinha Grande e uma habituée do Clube União de Recreios, é fadista com provas dadas, uma exímia divulgadora do fado pelo mundo. João Paulo, de Montemor, é também conhecido – e reconhecido – por estas paragens. Dono de um timbre harmonioso, é no silêncio que a sua voz emerge com um pulso emocionante.

Sem títuloPaula Carapeta gravou o primeiro disco aos 15 anos. Esta jovem de Sousel, no Alentejo, é mais conhecida mediaticamente pelas suas participações nos programas da TVI Uma Canção Para Ti e Rising Star (com o seu grupo Los Romeros). Não é uma voz cristalina de garota. É uma voz profunda e emocionante de fadista. Não se iludam com o olhar jovial, ela sabe o que faz em cima de um palco. Cristiano de Sousa e Yola Dinis, ambos fadistas residentes do conceituado Café Luso, no Bairro Alto, Lisboa. Cristiano é uma das vozes mais carismáticas e mais faladas do atual fado lisboeta. E foi cantar Alfama à janela da Câmara Antiga, um momento marcante da noite. Yola foi semi-finalista do Chuva de Estrelas aos 16 anos, e três anos depois foi à final com uma interpretação de Dulce Pontes. Participou em vários musicais de Filipe La Féria, e este ano esteve entre os finalistas do Festival da Canção, deixando para trás nomes como Simone de Oliveira. Todos eles brilharam numa noite sem estrelas e um pouco ventosa, onde o calor humano levou a melhor e deu a 400 pessoas um serão memorável. E deu à Associação de Paralisia Cerebral uma ajuda preciosa.

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