E Depois de Itália!


Olá!!! Sei que não tenho andado muito por aqui, mas tenho uma justificação mais do que aceitável – FÉRIAS! Pois é, depois de uns dias de praia, lá rumei eu a Itália para uma semana fantástica, onde conheci pessoas incríveis. Fiquei alojado em Madone, uma comuna italiana na região da Lombardia, onde pude testemunhar os modos de vida e costumes da região. Adorei a forma como os habitantes se deslocam para o trabalho, a maior parte das vezes de bicicleta, a dedicação em separar os lixos e em manter as estradas e as casas sempre limpas. Achei curiosos os semáforos dentro das localidades, com um visor a indicar o tempo em falta para mudar de cor, e acima de tudo o espírito aberto dos populares em receber e em confraternizar com pessoas novas. Conheci algumas cidades riquíssimas em História; Itália reúne dois períodos que me dizem muito e me enchem de inspiração: o Império Romano e o Renascimento.

Em Monza, conheci a villa e o Palácio Real, onde está em exposição a Bella Principessa de Leonardo DaVinci. A cidade não me pareceu muito grande, mas intercala monumentos de grande aparato com igrejas lindíssimas, como a Chiesa del Carrobiolo, a igreja da Piazza di Pietro, onde está um monumento ao pintor Mozè Bianchi e, no seu interior, um belíssimo Santo António, logo à entrada. Santa Maria di Strada é talvez a igreja mais bela por fora, mas não cheguei a ver o seu interior. O parque da cidade é lindo, cheio de verdes e lagos povoados de peixes e tartarugas; nas suas ilhotas podem ver-se pombos e até esquilos.

A cidade de Bérgamo é dividida entre cidade baixa e cidade alta. A baixa é mais cosmopolita, construída muito depois de terem sido erguidos os imponentes muros da cidade velha, à qual pode ser acedida através de um elevador funicular sempre a abarrotar de gente. A cidade alta, rodeada de muros e com um grande portão medieval em cada um dos pontos cardeais, conquistou-me pelos contrastes. As ruas de pedra fazem-nos sentir num outro espaço temporal, bem distante, mas se olharmos para lá das vitrinas vemos lojas sofisticadas, desde roupas de marca até aos desfiles de bolos apetitosos acabados de sair do forno. Em várias inscrições podemos ver o leão alado, símbolo de S. Marcos que significa o domínio veneziano da cidade, que lhe trouxe paz depois de anos sobre o domínio de Milão. Visitei as praças, o Duomo e a Capilla Colleone, lindíssimas, e trouxe da cidade as melhores recordações. Acima de tudo o contraste entre a visão renascentista, e os cafés cheios de turistas bem-vestidos e de tablet na mão, que vêm naquele velho testemunho renascentista o local ideal para fazer uma paragem, para o que contribui a proximidade do Aeroporto de Orio al Serio.

Ali perto fica o Convento de Astino, transformado em restaurante, bar e salas de exposição. Fiquei muito bem impressionado com a forma como aproveitaram um fantástico convento desalojado para o transformar num local de requinte no meio das vinhas.

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Brescia foi outra agradável surpresa. Conheci o fantástico Museu da Cidade, o Santa Giulia, onde somos logo surpreendidos com a imagem da santa crucificada à entrada. Ali encontramos testemunhos desde os pré-históricos até ao Renascentismo, é um museu que uma hora não chega para ser visto na sua totalidade. O grande problema do museu é a falta de indicações, pelo que uma pessoa pode facilmente perder-se naqueles labirintos e acabar por não ver tudo. Logo ao lado fica o capitólio romano, bem parecido ao nosso Templo de Diana, em Évora. No museu contíguo, tive uma explicação, através de jogos de luzes numa maqueta, de tudo o que aconteceu na cidade, e as várias transformações que ocorreram desde o Império Romano. A construção do templo é atribuída ao Imperador Vespasiano. Nesta cidade fantástica temos também a colossal Piazza Paolo VI, que inclui o Duomo Vecchio (Concattedrale Invernale di Santa Maria Assunta) e o Duomo Nuovo (Concattedrale Estiva di Santa Maria Assunta) – qual delas a mais bela? A Piazza della Loggia também é lindíssima, contém uma Torre do Relógio com um magnânime relógio solar. Esta praça foi vítima de um atentado bombista em 1974, e vários são os memoriais em honra das vítimas.

O Castelo de Brescia é um local digno de ser visitado; também ele com o símbolo de Veneza à entrada. Ali somos surpreendidos por uma estranha avestruz feita de uma espécie de casca de madeira e, junto ao miradouro com vista para a enorme cidade – ao estilo Castelo de S. Jorge -, encontramos em exposição uma locomotiva a vapor, um dos símbolos do Castelo. Pelo que vi no Museo di Risorgimento, o comboio entre Brescia e Edolo passava por ali.

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Outro dia muito bem passado foi na Expo Milão, cuja temática era a alimentação. Os pavilhões eram imponentes por fora, e as pessoas eram muitas, mas o interior dos pavilhões deixou a desejar e não valeu o tempo de espera. Ainda assim vi mais de 20 pavilhões e o máximo que esperei para entrar foi 40 minutos. O Pavilhão de Angola foi o único que falava de Portugal e, não por essa razão, foi aquele que achei mais bonito. O Pavilhão do Qatar foi também uma surpresa agradável, depois de um belo espetáculo de luzes, fui presenteado com uma fotografia vestido de árabe. O dia terminou com um grande jogo de luzes na Árvore da Vida à entrada do complexo, e por volta das 22h demos a visita por terminada.

Os últimos dias foram reservados a visitar os grandes centros comerciais da zona de Bérgamo e Milão, mas também visitei a vila de Crespi d’Adda, uma incrível vila construída pela família Crespi nos finais do século XIX. Todas as casas têm a mesma constituição e foram habitadas exclusivamente por funcionários da grande fábrica da família. Apenas existe uma estrada, que termina no imponente cemitério, que tive a oportunidade de visitar; ele inclui uma espécie de mausoléu que me fez lembrar as Pirâmides Incas. E assim terminou essa semana muito bem passada.

Levei comigo a minha leitura actual “Tigana #2: A Voz da Vingança”, mas tempo para ler não houve e só lhe peguei no avião. Agora que as férias estão a acabar, é hora de regressar à rotina e aos meus projetos, que não são poucos. Para já, só vos posso convidar a estar presentes na feira ALPIAGRA, em Alpiarça, para a qual a Rota dos Livros me convidou a estar presente. Dia 13 de Setembro, pelas 19 horas irei dar uma pequena sessão de autógrafos nessa feira agrícola e comercial, a todos os interessados.

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4 thoughts on “E Depois de Itália!

  1. Fiacha

    Ois,

    bem vindo de volta e vejo que tiveste uma semana daquelas que ficam gravadas para a vida toda, fico contente por ti 🙂

    É um pais que gostava de visitar, quem sabe um dia 😉

    Abraço

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