Resumo Trimestral de Leituras #3


As leituras por estes lados têm andado mais lentas. Chegámos ao fim de mais um trimestre, a dar passos largos para o fim do ano. Estou a cumprir relativamente bem as metas de leitura que tinha traçado para mim próprio, mas espero terminar o ano com mais ritmo. De qualquer forma, e assim como nos meses pretéritos, consegui diversificar bem os géneros literários, com algum destaque para o fantástico.

Aqui ficam as minhas leituras relativamente aos meses de julho, agosto e setembro:

A Grande Matança, Sin City – Frank Miller

República de Ladrões, The Gentleman Bastards #3 – Scott Lynch

Cardiga: De Comenda a Quinta da Ordem de Cristo (1529 – 1630) – Luís Batista

Os Leões de Al-Rassan – Guy Gavriel Kay

A Rapariga no Comboio – Paula Hawkins

A Voz da Vingança, Tigana #2 – Guy Gavriel Kay

O Império Final, Mistborn #1 – Brandon Sanderson

E com isto percebi que, depois de ler 14 livros no primeiro trimestre, e 12 no segundo, li apenas 7 neste terceiro trimestre, mas espero que esta redução drástica seja mais uma exceção que uma regra. O tempo quente (com a consequente falta de vontade de ler) e o grosso volume de alguns livros lidos este trimestre são justificações para o ocorrido. Ainda assim, tenho conseguido cumprir os objetivos propostos e o desafio Viagens à Lareira.

Comecei julho com uma banda-desenhada, e o que eu já suspirava por voltar a ler este género. Li A Grande Matança, volume da série Sin City num só dia. A edição é mais do que apetecível, com uma textura suave, uma capa muito bem produzida e uma arte fantástica. O episódio em si também é cheio de ritmo. Sem TítuloShellie é uma rapariga perseguida por um homem com quem esteve envolvida, Jackie Boy, e o seu gangue. Dwight, o novo caso da moça e o herói da história, encarrega-se de dar uma lição ao grupo, mas a coisa corre mal quando esse mesmo grupo vai parar à Cidade Velha, controlada pelas prostitutas. Existe um acordo tácito entre a polícia e essas meninas, um acordo que fica seriamente abalado quando elas decidem dar uma lição em Jackie e no seu bando, para perceberem que eles são polícias. Já tinha visto esta história no cinema, mas posso dizer que a arte é superior ao filme.

Continuei a ler aquela que é já a minha saga predileta em fantasia, ao lado de Crónicas do Gelo e Fogo – os The Gentleman Bastards. Li o terceiro volume em português do Brasil e a República de Ladrões não me desiludiu. Depois de achar a ação do segundo livro bastante lenta, Scott Lynch voltou a surpreender-me. Talvez a República não tenha personagens tão apaixonantes como Requin, Ezri, Selendri ou Stragos, mas somos conduzidos ao ninho dos magos-servidores, num jogo político sem paralelo. E acima de tudo isso, somos apresentados a Sabetha, uma personagem de que já tinhamos ouvido falar, a grande paixão de Locke Lamora. Os dois personagens são muito a alma deste livro, que termina com um gancho que me deixa reservas mas sobretudo curiosidade. Infelizmente, vai demorar a sair o próximo volume. O livro sobre a Cardiga: De Comenda a Quinta da Ordem de Cristo, mostrou-me mais sobre a minha terra, e sobre as ações e interesses daqueles que foram proprietários de um dos locais mais bonitos do Ribatejo.

Sem títuloOs Leões de Al-Rassan deixaram-me um misto de sentimentos. O início foi confuso, há personagens que ficaram ali pelo meio perdidos, demasiados para serem colocados todos num volume isolado. Mas não nego o mérito a Guy Gavriel Kay naquilo que fez com este livro. A escrita é cuidada e requintada, a história é épica, uma fantasia inspirada na Reconquista Cristã da Península Ibérica, com personagens marcantes como Ammar ibn Khairan ou Rodrigo Belmonte. É um livro muito bom para quem é fã do romance histórico. Eu gostei, mas há algo neste autor que não me cativa. Será o tom melancólico? O caos que são os primeiros capítulos? Não sei explicar, mas o livro tem grande qualidade.

Uma brisa fresca foi A Rapariga no Comboio. Não conhecia o trabalho de Paula Hawkins, mas este thriller é muito bom. Contado na perspetiva de três mulheres, confesso que tive desde logo uma empatia especial com a “rapariga no comboio”. Rachel era uma mulher que tinha tudo, e perdeu por uma grande dose de azar e também por culpa própria. Mas nem tudo o que parece está perto da realidade. Ela todos os dias anda de comboio, e quando ele pára, na rua onde vivia com o marido antes de ele a deixar, ela presta atenção numa casa e num casal em especial. Um casal com uma vida aparentemente tão perfeita, como foi a dela. Rachel inventa-lhes nomes, profissões, quase tentando viver uma vida que não é a sua. Mas um dia, algo de estranho acontece naquela casa, e até mesmo a vida de Rachel vai mudar. Como thriller, não é genial. Descobrimos quem é o mau-da-fita bem antes de ele ser revelado, mas as personalidades das três narradoras desta história, e os seus percursos, cativaram-me bastante. A escrita da autora e o suspense permanente foram outros pontos a favor. Um livro de leitura compulsiva.

Como eu até sou um tipo teimoso, voltei ao Guy Gavriel Kay para perceber se a minha embirração pelo autor continuava, e vá, também para terminar de uma vez por todas a coisa chamada Tigana. E não é que percebi que a embirração se manteve? O primeiro capítulo do segundo volume tinha personagens que nunca ouvi falar, uma luta contra mortos? que durou muitas páginas e nunca mais se ouviu falar no assunto, personagens sub-desenvolvidos que não deviam ter aparecido num volume isolado (só foi dividido em Portugal), o mesmo tom melífluo e nostálgico que por vezes me revolveu as entranhas… mas e daí, nem tudo foi tão mau assim. Alessan, Sandre, Dianora, Catriana e Brandin mostraram-se personagens riquíssimos numa obra de inspiração. Pena que o autor tenha metido o Naruto como protagonista. Ups, queria dizer Devin. :p O final da obra foi coerente e não desgostei da obra no seu todo; fica a certeza que Kay não é dos meus autores de eleição.

Sem títuloE terminei o trimestre com uma surpresa boa. Estava com tão más expetativas para O Império Final do Brandon Sanderson, depois do que ouvi falar e dos trechos que li, e afinal esta saga Mistborn é bem melhor do que eu estava à espera. O mundo tem várias lacunas: falta uma classe média, falta explicar como é que a protagonista aprendeu a ler sendo uma escrava, falta credibilidade no ecossistema criado… e temos uma menina bonita a aprender com um Jesus Cristo dotado em karaté o que fazer para derrotar o dark lord. No entanto, tudo o que o livro tem de bom… é muito bom. Há milénios atrás, um Herói foi profetizado para combater a Profundeza e salvar o mundo. Mas as histórias contam que, ao salvá-lo, o que ele trouxe foi a desgraça. De dia, a cinza cai. A noite é coberta de brumas. E é na noite que eles – os nascidos das brumas – revelam os seus poderes. Através dos personagens Vin e Kelsier, somos apresentados a um sistema de magia brilhante, a alomância. Brandon Sanderson não é nenhum génio literário, mas a confirmação da reputação como “senhor sistemas de magia”, aliada uma narrativa coerente e sólida, põe este Mistborn: Nascida das Brumas, como uma saga a seguir e sem dúvida, o Império Final é um dos livros que mais me surpreendeu este ano. Apesar de manter sempre uma toada juvenil e toda a história cheirar a religioso, todo o cenário é bastante negro e a esperança é uma luzinha ao fundo do túnel. Em breve conto adquirir o segundo livro da saga.

Dei assim por encerradas as leituras do terceiro trimestre de 2015. Podem consultar as leituras do primeiro trimestre aqui, e do segundo aqui. Neste momento estou sensivelmente a meio da antologia A Sombra Sobre Lisboa, e planeio ler em seguida O Feiticeiro e a Bola de Cristal de Stephen King, A Corte dos Traidores da Robin Hobb e Lisboa Triunfante de David Soares, em ordem por decidir. Continuem a acompanhar-me e é claro, não deixem de partilhar comigo as vossas excelentes leituras. 😉

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2 thoughts on “Resumo Trimestral de Leituras #3

  1. Fiacha

    Saudações,

    É caso para dizer poucos mas bons ;)…ainda tenho que ler o 3 volume do Scott Lynch

    Abraço e boas leituras para outubro o mês de aniversário aqui do corvo 😛

Comentário

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