Sally


O texto seguinte pode conter spoilers do conto “Sally”

Escritor e bioquímico, Isaac Asimov nasceu em Petrovichi, na Rússia, e foi autor de uma míriade de renomeadas obras de ficção científica. Com Robert A. Heinlein e Arthur C. Clarke, Asimov foi considerado um dos três grandes mestres da ficção científica, e a sua obra tornou-se molde para um cem número de autores. Falecido em 1992, Asimov ficou célebre sobretudo pelas séries Fundação e Robots, e as suas três leis da robótica tornaram-se cânones da ficção científica.

O conto Sally, incluído originalmente na obra Nós, Robots, conta-nos a história de uma quinta onde se cuidam e modificam carros automáticos fora de circulação. Jacob Folkers é o dono dessa quinta, um homem afetuoso que aprendeu a valorizar esses carros – que se destacam por ser livres, inteligentes e produzirem sentimentos e pensamentos – e os trata como se fossem a sua família. No entanto, a ganância dos homens ricos sempre desvirtua este tipo de singularidades e após um incidente provocado pela ambição de Raymond Gelhorn, Jacob começa a temer as intenções secretas das suas próprias criações.

Sem Título

 

SINOPSE:

In a future time of intelligent self-controlled automobiles, the caretaker of a Farm for Retired Automobiles discovers that the cars in his charge have unsuspected abilities.

OPINIÃO:

Eis um conto que me deu grande gosto ler. A escrita de Asimov é elegante e fluída, com descrições técnicas mas leves e de fácil entendimento, fazendo-nos entrar de uma forma inconsciente no cenário apresentado. Grande parte do conto tem um ritmo muito rápido, com vários momentos de ação, embora seja nos parágrafos finais que conhecemos a moral que o autor nos quis incutir e percebemos, através da mente do protagonista/narrador, o quanto pode ser perigoso doar o poder da inteligência às máquinas. Esta é, aliás, uma premissa presente em toda a obra de Isaac Asimov.

Neste conto em específico, Jacob mostra-nos que o carinho dado a uma criação pode também ser uma espécie de autoridade, e as criações – ao ganharem vida própria – podem manter-se fiéis enquanto seres domesticados, mas rebelarem-se ao sentir qualquer tipo de mágoa pela submissão a que são sujeitos, e planear uma rebelião. Porque ao dotar algo de sentimentos, pode-se obter deles tanto amor, como falta dele, o que comummente se entende como ódio.

Sally é o automático preferido de Jacob, a quem ele acarinhou e aperfeiçoou com maior complexidade. Certo dia, ele percebe que o controlo que julga deter sobre ela – assim como das suas outras criações – lhe está a fugir das mãos. Quem é afinal, o inimigo? Os gananciosos que pretendem lucrar à custa das suas invenções, ou as suas próprias criações a fugirem-lhe do controle? O conto não dá resposta a essa pergunta, mas faz-nos pensar seriamente sobre ela. Gostei bastante e recomendo a todos, até a quem não é particularmente fã de ficção científica. É uma história bastante movimentada e envolvente. Peca por curta.

Avaliação: 9/10

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4 thoughts on “Sally

  1. Pingback: Janeiro de 2016 | Rascunhos

  2. fiacha

    Viva,

    Ena tenho aqui algo deste escritor por ler, alias sempre foi um escritor que tive vontade de investir na feira do livro mas que acabei por optar por outros, mas depois de ler este excelente comentário tenho mesmo que repensar e conhecer algo deste escritor 😉

    Abraço e boas leituras

  3. Pingback: Resumo Trimestral de Leituras #5 – Nuno Ferreira

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