O Poço e o Pêndulo


O texto seguinte pode conter spoilers do conto “O Poço e o Pêndulo”

Nome incontornável da literatura de terror, Edgar Allan Poe deixou um legado riquíssimo em obras de teor mórbido e horripilante. Autor de poemas, romances e contos, Poe foi influência para inúmeros escritores e poetas ao longo dos séculos, como Lovecraft, Dostoievski ou Baudelaire.

O conto O Poço e o Pêndulo passa-se em Toledo, nos dias negros da Inquisição. Ele relata, na primeira pessoa, a tortura submetida a um sujeito colocado num calabouço, onde se vem conhecendo os seus medos e horrores, tanto físicos como psicológicos. O narrador é atirado para uma sala escura com paredes metálicas e um poço no seu centro, que se trata de uma armadilha. Depois de passar por um estado febril, onde não consegue perceber se está vivo, morto, ou numa posição híbrida, o prisioneiro escapa a uma terrível armadilha a que estava reservado e é vencido pelo sono, provavelmente provocado por alguma substância nos alimentos que lhe foram concedidos. Ao acordar, encontra as luzes acesas, estuda a sala onde foi colocado, avalia as suas medidas e as figuras demoníacas que ali estão representadas. Percebe que está amarrado à cama, e que se prepara para ser submetido à mais cruel das torturas. Um pêndulo de metal com o formato de uma lâmina prepara-se para o dilacerar.

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SINOPSE:

The blackness of eternal night encompassed me. The intense darkness oppressed and stifled me so that I struggled for breath.Having been condemned to death by the Spanish Inquisition, the narrator descends into a kind of hell. Dizzy with weakness and fainting with fear, he experiences such torments that death itself would be welcome. What troubles him most is the eternal question: how will he die?Toledo Prison is notorious for the torture of the condemned. What minds have dreamed up the terror of the pit in the center of the cell? What is the significance of the painted figure of Time with his menacing pendulum? Why do the walls glow with heat?Experience with the narrator the intensity of his suffering when death seems inevitable but its form uncertain. Can anything, or anybody, help him?”Real Reads” are accessible texts designed to support the literacy development of primary and lower secondary age children while introducing them to the riches of our international literary heritage. Each book is a retelling of a work of great literature from one of the world s greatest cultures, fitted into a 64-page book, making classic stories, dramas and histories available to intelligent young readers as a bridge to the full texts, to language students wanting access to other cultures, and to adult readers who are unlikely ever to read the original versions.”

OPINIÃO:

Por vezes não é preciso muito para se fazerem obras-primas. O Poço e o Pêndulo não é o melhor conto que eu já li, nem o maior, mas é uma prova viva que, mesmo sem uma grande história consegue fazer-se arte. A submissão do narrador desta história não nos transmite muitas surpresas. Foi um conto publicado em 1842, que nos traz uma questão extremamente sensível: as torturas exercidas pela Inquisição. Mais do que uma história dramática com um algum empolgamento literário, O Poço e o Pêndulo é um conto de horror. E esse horror é-nos transmitido pela discrição do narrador que o experimenta. A grande mais-valia desta história é mesmo a escrita envolvente de Edgar Allan Poe e os sentimentos que ele nos transmite. A clausura, o confinamento, a impossibilidade de expressão, a privação de satisfazer necessidades básicas… sensações a que o autor nos remete com uma subtileza exímia. Somos transportados para a pele do personagem, sofrendo com ele. Há poucos autores que nos conseguem fazer sentir isso com tal envolvência. Neste conto não existem criaturas paranormais nem monstros horripilantes, mas as sensações transmitidas pelo autor são muito idênticas.

Estou a gostar bastante de conhecer este escritor norte-americano e recomendo vivamente a todos os fãs de horror psicológico.

Avaliação: 7/10

 

 

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4 thoughts on “O Poço e o Pêndulo

  1. fiacha

    Viva,

    É terrível ler os teus comentários, fico sempre com vontade de ler o que comentas, ainda não li nada deste escritor, tenho mesmo que experimentar.

    Abraço

  2. Pingback: Fevereiro de 2016 | Rascunhos

  3. Pingback: Resumo Trimestral de Leituras #5 – Nuno Ferreira

Comentário

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