Brisingr, Ciclo da Herança #3


O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Brisingr”, terceiro volume da série Ciclo da Herança.

A história de Eragon nasceu da mente imaginativa do jovem Christopher Paolini, natural da Califórnia. Aos 15 anos de idade, Paolini, que passou grande parte da sua vida em Paradise Valley, no Montana, uma das suas principais fontes de inspiração, percebeu que queria desenvolver um romance fantástico que incluísse muito do que mais gostava no género. Se ao princípio, a aventura começou como um passatempo, tornou-se algo mais palpável quando o seu manuscrito ganhou popularidade.

Graças ao envolvimento de toda a família, que inclusive abriu uma editora para publicar a Trilogia da Herança, o primeiro livro, Eragon, foi um fenómeno de vendas. Os planos de Paolini em escrever uma trilogia, no entanto, saíram gorados, uma vez que viu-se obrigado a alargar a saga para quatro livros.

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Espada Brisingr (vmpi em deviantart)

Neste terceiro volume, Brisingr, acompanhamos Eragon e o seu dragão, Saphira, no rescaldo da terrível Batalha das Planícies Flamejantes. Agora consciente do seu papel como Cavaleiro do Dragão, Eragon não foge às responsabilidades para com Nasuada, a líder dos Varden – a união de raças e povos humanos resultante da rebelião contra o todo-o-poderoso Imperador Galbatorix. No entanto, antes de acatar as ordens de Nasuada nos confrontos contra o Imperador, Eragon pretende resgatar a noiva do seu primo Roran às mãos dos Ra’zac e descobrir mais sobre si mesmo.

O combate contra o seu irmão Murtagh trouxe-lhe inúmeras dúvidas sobre o seu passado e a ideia de ser filho do temível Morzan consome-lhe o espírito. Ainda assim, a sua resolução em destronar Galbatorix e vingar a morte de Brom é mais forte que as suas dúvidas. Para pôr cobro aos inimigos, Eragon só precisa de algo: uma espada à sua altura.

 

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SINOPSE:

Juramentos prestados. . . Lealdades testadas. . . Forças em colisão.

Na sequência da batalha colossal nas Planícies Flamejantes contra os guerreiros do Império, Eragon e o seu Dragão, Saphira, escapam com dificuldade.

No entanto, o Cavaleiro e o Dragão ainda terão de se deparar com inúmeros desafios…

Eragon vê-se enredado numa série de promessas que poderá não conseguir cumprir. O juramento ao seu primo, Roran, no sentido de o ajudar a resgatar a sua amada Katrina das garras de Galbatorix.

Todavia, Eragon deve lealdade a outros também. Os Varden precisam desesperadamente dos seus talentos e da sua força, tal como os Elfos e os Anões. E, logo que a inquietação assalta os rebeldes e o perigo espreita em cada esquina, Eragon terá de fazer escolhas que o levarão a atravessar o Império, viajando muito além. Escolhas que o poderão submeter a sacrifícios inimagináveis…

Eragon é a grande esperança para libertar o reino da tirania.

Conseguirá este rapaz, outrora um simples camponês, unir as forças rebeldes e assim derrotar o rei?

OPINIÃO:

Por vezes acontece, quando começamos um livro com baixas expectativas, surpreender-nos positivamente. Foi o que me aconteceu com Brisingr, o terceiro volume do Ciclo da Herança de Christopher Paolini. Tinha lido os dois primeiros livros há mais de três anos, e a ideia que tinha da saga não era das melhores. Não só pela escrita algo infantil do autor, como também pela falta de originalidade do mundo criado. De facto, não passa despercebido a nenhum leitor que o Ciclo da Herança é a história de Star Wars no mundo de O Senhor dos Anéis.

E depois de ler autores como George R. R. Martin, Scott Lynch, Robin Hobb e outros génios da literatura fantástica, seria difícil para mim achar que uma história juvenil que já me havia dececionado antes, pudesse estar ao nível destes autores. De facto, pode não estar, mas não posso negar que este livro foi uma agradável surpresa. Em primeiro lugar, senti uma enorme evolução a nível de escrita. Posso dizer, sem nenhum tipo de complexo, que Paolini escreve tão bem como muitos grandes autores do género.

Apesar de não me identificar com o tipo de fantasia juvenil vinculado a esta saga, ou com a história em si, senti que este terceiro volume revelou – embora considerado por muitos como um livro sem grandes acontecimentos – um amadurecimento considerável por parte do autor. O desenvolvimento dos personagens veio dar um grande entrosamento à saga e despertar em mim algum interesse pela história. A personagem Nasuada e os seus dilemas interessaram-me bastante, e as cenas de batalha onde Roran é o protagonista são dignas de rasgados elogios. A descrição da forja de espadas e comportamentos relacionais entre povos foram descritos com muita precisão e conhecimento.

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Eragon e Saphira (TomAlbert em deviantart)

No entanto, não tenho somente elogios a tecer. Apesar da escrita ser madura, os diálogos por vezes foram demasiado infantis, principalmente no que diz respeito à relação entre Eragon e Saphira, dois personagens com os quais ainda não consegui nutrir grande empatia. A história corriqueira no género e as raças tão banais no imaginário tolkiano são pedras no sapato de qualquer amante de novas fantasias, como é o meu caso. Não posso também deixar passar ao lado a abordagem ridícula que Paolini faz à magia, tão leve e simplista que custa perceber como ela se adapta à história na qual ela se criva.

No seu todo, é uma leitura que me devolveu o gosto pelo Ciclo da Herança, com muitas cenas desinteressantes mas com poucos momentos mortos. Publicado pela Gailivro, este volume de 800 páginas é um livro pouco empolgante mas com grande teor político e um digno desenvolvimento das personagens apresentadas.

Avaliação: 7/10

Ciclo da Herança (Gailivro):

#1 Eragon

#2 Eldest

#3 Brisingr

#4 Herança

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9 thoughts on “Brisingr, Ciclo da Herança #3

  1. Anónimo

    Olá,

    gostei da tua opinião e confesso que fiquei surpreendida com as estrelas, uma vez que grande parte das opiniões são negativas. Eu ainda não li nada do autor, só vi o filme e gostei.

    Bjs e boas leituras

    1. Olá Lamora 🙂 Sim, também por grande parte das opiniões serem negativas comecei a lê-lo com baixas expectativas. Acho que é esse o real motivo para a minha baixa pontuação. Os acontecimentos do livro não vêm acrescentar em nada à ação da saga, mas dão muito sumo aos personagens, e a escrita do autor surpreendeu-me pela evolução. 🙂
      Beijinho e boas leituras

  2. fiacha

    Ois,

    Bem tenho este livro à imenso tempo por ler e pelo que percebo até acaba por ser uma leitura interessante onde se nota que o escritor evoluiu, a ver se leio pois até gostei do primeiro livro 🙂

    Abraço e boas leituras

  3. Pingback: Resumo Trimestral de Leituras #5 – Nuno Ferreira

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