O Começo de Uma Era, Batalha Entre Sistemas #1


O texto seguinte pode conter spoilers do livro “O Começo de Uma Era”, primeiro volume da série Batalha Entre Sistemas.

Natural de Caracas, na Venezuela, J. A. Alves é um dos mais recentes autores a ver o seu trabalho produzido no nosso país. Depois de, em 2012, ter lançado La Dueña, Devoradora de Homens, o seu primeiro romance, J. A. viu realizado o sonho de publicar Batalha Entre Sistemas, um livro de ficção científica que depressa remete o leitor para o universo de Star Wars. Não é de estranhar, uma vez que o autor é grande fã da obra de George Lucas.

O Começo de Uma Era é a primeira parte de Batalha Entre Sistemas. O sistema de Cloud e de Encarnado vivem uma guerra intensa, na qual os cloudeanos parecem ganhar vantagem. Cloud é governado pelo temível Imperador Sisterool, enquanto Encarnado vive uma crise política sem precedentes. O seu monarca, Idris, parece ter abandonado o povo, e o Conselho parece hesitante quanto ao seu futuro e ao futuro do sistema. Idris é o monge-rei, um dos remanescentes utilizadores da Disciplina, uma arte muito antiga que permite manobrar a luz.

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Star Wars Battlefront (Doug Chiang)

Com o avançar dos anos, a Disciplina caiu em desuso, e nos dias que correm apenas parece manifestar-se no seu berço – Telver, o planeta d’os belos – e na família do monge-rei. Tentando esconder dos seus inimigos o poder que emerge na sua prole, Idris perde o poder para Kastre Blokus, que converte a monarquia numa federação, graças às maquinações da sua esposa, a envolvente jornalista Isabelle Rouge. No entanto, Sisterool almeja muito mais do que conquistar ou destruir o sistema de Encarnado.

O Imperador trata-se, na verdade, de um deus de trevas, um espectro maligno que em tempos possuiu o corpo do rei de Cloud, mas esse corpo está decrépito e precisa de encontrar rapidamente um novo e poderoso invólucro carnal. A filha mais nova do monge-rei Idris, Saphie, torna-se então o fruto da sua obsessão, uma vez que revelou desde muito jovem o seu talento inusitado para a arte da Disciplina.

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Capa Chiado Editora
SINOPSE:

Naquele momento, a Galáxia estava virada para os acontecimentos que sucediam entre os dois Sistemas estelares vizinhos, separados pelo deslumbramento de uma estrela encarnada e por uma devastadora guerra religiosa que já durava há algumas décadas. Constava-se que  os eventos entre Sistema Encarnado e Cloud tiveram o seu génesis no momento da  descoberta de um portal infernal, algures na zona de El’Kabur – o lado mais escuro do Universo, por conquistadores cloudeanos a mando dos seus ambiciosos ministros, libertando um exército de criaturas lideradas pelo Sem Corpo, um ser superior cuja maior ambição era conseguir um corpo físico que durasse uma eternidade e assim conseguir reconstruir o seu império, tendo Cloud como um dos seus objectivos.

Governado há tempos idos por uma casta de monges reis, que cultivavam a prática de uma antiquíssima religião pacífica, mas poderosa, que simplesmente denominavam como Disciplina, Encarnado enfrentava os seus próprios problemas. Idris, o atual monge rei, vê-se obrigado a abandonar o Sistema, deixando-o desfragmentado. Ele sabe que terá que sacrificar a esposa e os quatro filhos por um bem maior.

OPINIÃO:

Desde que desfolheei as primeiras páginas que percebi que este primeiro volume de Batalha Entre Sistemas é mais do que um livro. Ele é o fruto de um trabalho e de um sonho. A escrita de J. A. Alves é envolvente e intimista, fazendo-nos sentir presentes no mundo apresentado e aproximando-nos aos personagens. Não é uma obra muito adulta, nem infantil, localiza-se naquele meio-termo muito utilizado para agradar a miúdos e graúdos, da mesma forma que outras franquias ganhadoras no género. Nota-se, desde o início, a falta de várias revisões a nível gramatical por mãos mais experientes que a do autor. O livro incorre em erros ortográficos que se sucedem ao longo das mais de 700 páginas, erros que advêm, não só da ausência de revisão, como das origens do autor, ao qual passaram ao lado palavras inexistentes no nosso léxico. No entanto, esses erros não prejudicam em nada a leitura do livro. Se ao princípio, uma ou outra frase parecem não fazer muito sentido, ao longo da narrativa a leitura melhora imenso.

É aqui que tenho uma grave advertência a fazer. Um dos motes pelo qual os escritores são obrigados a guiar-se é: “não digas como foi, mostra-o”, e neste livro grande parte do desenvolvimento da história não é mostrada, e o autor limita-se a contar o que aconteceu, como sentimentos se desenvolveram, por aí. Em contrapartida, cenas como o encontro de Saphie com o cão-lobo, ou perseguições de caças e naves espaciais, consomem páginas e páginas. O livro começa com capítulos enormes, e na fase final eles ocupam três ou quatro páginas cada um. Também não posso deixar passar ao lado a forma como somos introduzidos à história. A fase inicial demorou demasiado tempo. Levou-me a crer, inclusive, que Werener Tiaka seria o protagonista da história, mas ele desapareceu para não mais dar cor de si. Também não gostei de algumas paixões à primeira-vista, dos consecutivos amores e desamores, demasiadas lágrimas e beijinhos, nem das muitas semelhanças do mundo apresentado com Star Wars.

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Imperador Palpatine de Star Wars (Ralph McQuarrie)

Nem tudo, no entanto, são defeitos. A escrita de J. A. Alves cativa pela proximidade, gostei de alguns volte-faces no enredo, o panteão apresentado cativou-me, mas acima de tudo o talento de J. A. Alves manifesta-se na apresentação de cenários e no conhecimento técnico que revela ao descrevê-los. Vejo este livro como uma pedra em bruto do que este autor pode ser capaz de fazer, com o devido treino e aconselhamento. Recomendo obviamente o livro aos fãs de Star Wars, mas sem que estes esperem por qualquer brilhantismo lírico. Não que o autor não o saiba fazer, vários apontamentos indicam abertamente a sua capacidade para tal, mas Batalha Entre Sistemas é um produto acima de tudo visual.

Avaliação: 5/10

Batalha Entre Sistemas (Chiado Editora):

#1 O Começo de Uma Era

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