Resumo Trimestral de Leituras #5


Novo ano, novas leituras. Como se tornou habitual a partir do pretérito ano, ao fim de cada trimestre faço um pequeno apanhado do que li durante esse período. O ano de 2016 começou fraquinho, mas fui apanhando o ritmo e as experiências literárias têm sido empolgantes. Destaco o meu regresso a Ken Follett, depois de um ano de hiatus, a conclusão da primeira saga Mistborn de Brandon Sanderson e a passagem por uma série de monstros da literatura como H. P. Lovecraft, Edgar Allan Poe ou até Eça de Queirós. Este último mês ficou marcado pelo meu regresso em força ao mundo dos quadradinhos.

Aqui fica a lista de leituras referente aos meses de janeiro, fevereiro e março deste ano:

The Call of Cthulhu – H. P. Lovecraft

Dagon – H. P. Lovecraft

Berenice – Edgar Allan Poe

Os Pilares da Terra Vol. I – Ken Follett

Os Pilares da Terra Vol. II – Ken Follett

Sally – Isaac Azimov

Em Parte Incerta – Gillian Flynn

O Poço e o Pêndulo – Edgar Allan Poe

O Defunto – Eça de Queirós

Conan, The Barbarian #5 – Brian Wood, James Harren e Dave Stewart

Brisingr, Ciclo da Herança #3 – Christopher Paolini

O Começo de Uma Era, Batalha Entre Sistemas #1 – J. A. Alves

Saga #1 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Saga #2 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Saga #3 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Dias Passados, The Walking Dead #1 – Robert Kirkman e Tony Moore

Um Longo Caminho, The Walking Dead #2 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

Segurança na Prisão, The Walking Dead #3 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

O Herói das Eras II, Mistborn #3 – Brandon Sanderson

O Desejo do Coração, The Walking Dead #4 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

A Melhor Defesa, The Walking Dead #5 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

Esta Triste Vida, The Walking Dead #6 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

A Calma Antes, The Walking Dead #7 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

Feitos Para Sofrer, The Walking Dead #8 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

Aqui Permanecemos, The Walking Dead #9 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

Aquilo Em Que Nos Tornámos, The Walking Dead #10 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

Temam os Caçadores, The Walking Dead #11 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

Viver Entre Eles, The Walking Dead #12 – Robert Kirkman, Charlie Adlard e Cliff Rathburn

Sem título 2O ano começou com a tarefa hercúlea de ler Os Pilares da Terra, de Ken Follett, dividido em Portugal em dois volumes. Daí que tenha entremeado a leitura com contos de expoentes máximos da literatura de horror, ficando a intenção de ler mais durante o resto do ano. Comecei com The Call of Cthulhu e Dagon de H. P. Lovecraft. Enquanto o primeiro é um conto obrigatório do autor, onde conhecemos os relatos sobre a presença de uma das mais complexas e fenomenais figuras criadas pelo escritor, Cthulhu, o segundo fala sobre um prisioneiro de guerra que chega a uma terra desconhecida e depara-se com um monstro terrível. Gostei bastante de ambos, apesar do primeiro conto ser maior e um pouco confuso em determinados momentos. Berenice é um conto de Edgar Allan Poe. Bastante negro e perverso, fala-nos de um homem estranho que está noivo de uma rapariga de grande beleza. No entanto, ela começa a padecer de uma doença que a faz apodrecer aos poucos. Só os dentes é que ficam saudáveis e o homem torna-se obcecado com eles, de uma forma mórbida. Gostei muito.

Sem títuloTerminei então Os Pilares da Terra (Vol I e Vol II). Dividida em dois volumes, a famosa obra de Ken Follett é uma narrativa que todos deviam ler. Não se assustem com o número de páginas, porque vale bem a pena. Os personagens são riquíssimos e fazem-nos torcer por eles. A primeira parte é mais descritiva mas também nos ajuda a entrosar-nos com os personagens. Alguns começam como crianças e terminam o livro já com filhos crescidos. Com os conflitos pela sucessão e o papel fundamental da Igreja como pano de fundo, conhecemos profundamente algumas famílias e os seus dilemas. Tornou-se, seguramente, um dos meus livros preferidos de sempre. Terminei o mês de janeiro com Sally, um conto de Isaac Azimov de que gostei bastante. Fala de um homem que tem uma quinta onde repara carros fora de circulação, com características peculiares como o facto de terem vida própria. Como habitual em Azimov, a pergunta que se impõe é: será que a máquina se pode revoltar contra o homem? As intenções gananciosas de um abastado senhor interessado no trabalho realizado na quinta serão o motor para uma revolução.

Sem título 1O mês de fevereiro foi o mais módico em leituras. Em Parte Incerta (Gone Girl) de Gillian Flynn desiludiu-me. A autora é competente e já me tinha conquistado com um conto na antologia Histórias de Aventureiros e Patifes, mas esta história desapontou-me. Fala sobre um casal, os seus problemas matrimoniais e as suas mentes complexas. Amy e Nick vivem um casamento aparentemente perfeito, mas quando ela desaparece, o principal suspeito é o marido. Pouco a pouco vamos conhecendo melhor estes personagens e as revelações sucedem-se sem surpreender muito. Odiei o final apresentado. Voltei aos contos de terror com O Poço e O Pêndulo, de Edgar Allan Poe. Passado no período da Inquisição, em Toledo, acompanhamos os medos e angústias de um prisioneiro a caminho da morte e sentimos na pele a sua inquietação de uma forma perturbadora. Um terror bizarro, um poço e um pêndulo ameaçadores. Gostei imenso. Para terminar as leituras de fevereiro, li O Defunto de Eça de Queirós. É visto como conto de terror, mas um terror suave, quando comparado a nomes como Poe ou Lovecraft. Temos uma história trágica, o amor platónico de D. Rui de Cardenas pela esposa de D. Alonso de Lara, um encontro sobrenatural e uma armadilha tecida por um marido ciumento que não chega a bom porto. Um conto que encaixa perfeitamente na corrente mitológica nacional e na vasta panóplia de lendas que povoam o nosso Portugal.

Sem Título

O mês de março ficou marcado pelo meu regresso em força às bandas-desenhadas. Comecei com um volume de Conan, The Barbarian. Excelente graphic novel a nível de argumento. Aqui acompanhamos duas aventuras de Conan, o Bárbaro. Na primeira, incluída no arco The Argos Deception, Conan é acusado de roubo e assassínio. Quando está a caminho do cadafalso para ser executado, eis que vozes erguem-se do povo, exigindo que o campeão lute pela sua vida. Na segunda aventura, Conan é contratado por uma bela mulher, para a ajudar a atravessar um cemitério pejado de vampiros. Publiquei finalmente a opinião a dois livros lidos maioritariamente durante o mês de fevereiro. Brisingr é o terceiro volume do Ciclo da Herança de Christopher Paolini, uma saga que deixei a meio já há alguns anos e que decidi terminar. Um livro pouco entusiasmante e sem acontecimentos de relevo para a ação da saga, mas que ainda assim surpreendeu-me positivamente pelo desenvolvimento de personagens e pelo protagonismo dado a factores sócio-políticos. A escrita do autor amadureceu bastante ao longo dos livros e isso nota-se largamente neste volume. Apesar de não ser grande fã de fantasia juvenil, esta saga é das melhores que já li nessa categoria. O outro livro foi Batalha Entre Sistemas, do meu amigo J. A. Alves. Nota-se a inexperiência do autor, uma história idêntica ao universo Star Wars com alguns twists muito positivos e originais. A nível de escrita, muitos erros ortográficos, muita descrição e pouco diálogo. A história foi mais contada que exibida, apesar do notável talento do autor em descrever cenários.

Sem título 2O melhor, no entanto, ficou para o fim. Li os três primeiros volumes da graphic novel Saga (Vol. 1, Vol. 2, Vol. 3), escrita por Brian K. Vaughan e ilustrada por Fiona Staples. Uma space opera muito boa, cheia de humor e cenas de sexo, onde um casal estranho – uma mulher alada e um sujeito cornudo – fogem das autoridades, pelo espaço, depois de ela o ajudar a fugir da prisão onde estava detido como prisioneiro de guerra. Nesse entretanto, tiveram um bebé e agora vivem um sem-número de peripécias ao não estarem preparados para a paternidade. Um mundo original e divertido, com um príncipe com cabeça de televisão, uma mulher aracnídea, ossos-insetos e uma gata detetora de mentiras. Excelente a todos os níveis.

Sem título 2Continuei com outra graphic novel excelente, The Walking Dead (Vol. 1, Vol. 2, Vol. 3, Vol. 4, Vol. 5, Vol. 6, Vol. 7, Vol. 8, Vol. 9, Vol. 10, Vol. 11, Vol. 12), com argumento do genial Robert Kirkman. Li todos os volumes já publicados em Portugal, que narram a história que deu origem à série de TV com o mesmo nome, até à chegada do grupo principal à comunidade de Alexandria. Uma narrativa sensacional, mostrando o dia a dia de um grupo de sobreviventes após um apocalipse zombie. Mais do que tiros, lutas e sexo, esta história mostra como as pessoas conseguem manter a sua humanidade quando tudo à sua volta se desmorona. Irei seguramente continuar, com as edições internacionais. Pelo meio, li O Herói das Eras Parte II , segunda parte do terceiro e último volume de Mistborn. A história de Vin, Elend, Susto, Sazed e companhia termina aqui. Apesar dos muitos defeitos e incongruências que encontrei ao longo da obra, apesar de a escrita do autor não me arrebatar, posso dizer que Brandon Sanderson cumpriu e surpreendeu-me. Os debates morais e ideológicos são constantes. Política, teologia e confiança são questionados de forma muito consistente (e pertinente). Porém, o que me apanhou de surpresa foi o controverso e inesperado final.

Depois de um primeiro trimestre repleto de ótimas leituras e poucas desilusões, estou ligeiramente a meio de A Balada de Antel, livro vencedor do prémio Bang! da Saída de Emergência, escrito por Eric M. Souza. Tenciono também continuar a ler bandas-desenhadas e contos. Resta-me agradecer o carinho dos que acompanham o meu blogue e espero que continuem a visitá-lo.

Anúncios

6 thoughts on “Resumo Trimestral de Leituras #5

  1. Anónimo

    Olá Nuno 🙂
    Como falhei tantos comentários, resolvi fazer uma visita neste resumo trimestral.
    Já vi que leste imensa coisa e pelos vistos apostaste bem forte nos contos de horror e banda desenhada.
    Começando pelos mais volumosos, deixa-me referir-te, a título de curiosidade, que os Pilares da Terra já tiveram uma edição em Portugal que eram um só livro, eu li-o nessa altura (deve ter sido há uns vinte e tal anos ) eh eh estou velhota 😀 Agora, mais recentemente, reli-o e gostei é claro.
    Quanto ao Brisingr também já li, na altura em que saíram, e concordo contigo que vê-se uma evolução muito grande no escritor e confesso que gostei mais deste, talvez por isso mesmo, as personagens estão mais maduras e há um desenvolvimento do seu interior. Mas é de facto uma fantasia juvenil que às vezes sabe bem ler para descontrair.
    Não li Brandon Sanderson e não sei quando o farei, vou deixar correr mais um tempo, pois relativamente a sagas fantásticas e épicas, tenho um em mãos que recomecei 😛 .
    Fiquei muito curiosa com a BD Saga, vou querer ler. Quanto ao The Walking Dead não obrigada 🙂 não estou minimamente interessada.
    Os contos que leste são muito bons, já li alguns e tenho outros dos autores para ler e há muitos outros autores com contos igualmente fantásticos. Eu sou uma verdadeira fã de contistas e escritores do final do século XIX. Muito bons escritores, muitos contos fantásticos.

    Beijinhos e boas leituras, a ver se retomo os bons hábitos de vir aqui mais vezes

Comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s