A Balada de Antel


O texto seguinte pode conter spoilers do livro “A Balada de Antel”

Eric M. Souza, autor e investigador brasileiro, nasceu no Campo Grande e é formado em Direito pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Vencedor do Prémio Bang! para Literatura Fantástica da editora Saída de Emergência em 2014, A Balada de Antel é um romance de fantasia que funciona como prequela para a série Herdeiros dos Titãs, do mesmo autor, na qual estão publicados dois livros e uma graphic novel.

sem-titulo
Pormenor da capa

A Balada de Antel chega às livrarias portuguesas em 2016 e conta a história do grande conquistador Antel. Vivicta de sangue e anilo de coração, Antel uniu tribos e conquistou impérios, tornando-se um enorme béli por direito, apenas avassalado ao rei. Rapidamente se tornou uma das figuras maiores do Império Jatitano, em oposição a Senula, e despertou o temor de senhores em todo o mundo conhecido. Mas homens como Antel não só são temidos, como também adorados e odiados, e muitos são os que se aproximam, nem sempre com as melhores intenções. Apesar de prático e cruel em batalha, o coração deste homem é amplo, nem sempre lúcido para pressentir traições, nem sempre preparado para confiar, nem sempre certo quanto ao amor.

À sua volta coabitam personagens mais ou menos confiáveis, como os derzos e os trados, liderados por Niriada e Melouna, o seu conselheiro Lendrumas, vivicta castrado, a bela arqueira Drunúria, a salteadora Liranaluila ou o misterioso trigueiro Mago. Em Senula, Ajedurala é uma verdadeira deusa da política, uma governadora bela e sábia que, apaixonada por uma das suas acessoras, arrastará o seu filho, o irresponsável Hassileu, para uma grande e terrível mentira, só para conseguir alcançar os seus objetivos. Cerebral e prática, Ajedurala revela-se uma estratega ímpar e tudo fará para que Antel não morda as fronteiras de Senula. Uma guerra épica vivida com emoção do primeiro ao último segundo.

Sem título 2

SINOPSE:

Jatitã e Senula são os maiores impérios do mundo conhecido. Há séculos que competem pela supremacia sem nenhum sair vencedor. Até ao dia em que surge a figura enigmática de Antel, um senhor da guerra jatitano que não conhece a derrota. O seu nome é murmurado com temor pelos inimigos e até o seu próprio rei teme a ambição do jovem guerreiro.

Do outro lado do conflito, em Senula, a misteriosa e bela Ajedurala divide o seu tempo entre a política e os problemas causados pelo filho Hassileu, que só pensa em mulheres e em bebedeiras. Quando ela decide enviá-lo para o exército, acredita que os seus problemas estão resolvidos. Mas, diante de um conflito violento com o temido Antel, como se comportará o irresponsável Hassileu?

No jogo entre nações, as peças são movidas por personagens misteriosas. Algumas, sussurrando nos ouvidos de reis no conforto dos palácios, escondem as suas próprias ambições. Outras, vagando por estradas perigosas, manipulam os senhores da guerra. Antel sonha com a glória eterna, mas conseguirá ser mais do que apenas uma peça num jogo de vida e morte?

OPINIÃO:

Eis um livro que me surpreendeu bastante pela positiva. A Balada de Antel não é apenas mais um livro de fantasia. Somos apresentados a um mundo original, muito semelhante à História do nosso planeta. Apesar da premissa não ser muito criativa no género de ficção histórica, Eric M. Souza demonstra um grande trabalho de investigação, apresentando com credibilidade toda uma panóplia de impérios, tribos e etnias, aliando um conhecimento meticuloso das sociedades antigas, a uma escrita detalhada, envolvente e elegante. Não estou a exagerar quando afirmo que este autor não fica atrás de nomes como Simon Scarrow ou Guy Gavriel Kay, por aquilo que li.

O personagem Antel remete-me facilmente não só ao Conan das aventuras de Robert E. Howard, como à própria história de conquista de Alexandre, O Grande. Ele é alvo de amores e desamores, muitas vezes patrocinados por ciúme e vingança. Antel, Ajedurala e Hassileu podem ser considerados a tríade protagonista deste livro, no entanto, todos os personagens têm o seu espaço de antena e praticamente todos têm capítulos de ponto de vista. Este foi um dos factores que menos me agradou.

sem-titulo
Aparência de um béli (2buiArt)

Os constantes dilemas de coração irritaram-me, sobretudo porque todos gostavam de quem não lhes ligava nenhuma, e isso prosseguia numa roda de desamores sem fim. Detestei Melouna, apesar de ele ter a maior parte dos pontos de vista do livro. Hassileu acabou por ter muito menos destaque do que previa, perdendo protagonismo com o passar do tempo; e o mesmo com Drunúria, que se adivinhava uma das figuras maiores da trama e não passou de uma mera coadjuvante – uma surpresa não necessariamente negativa. Ajedurala e Vendara foram os meus personagens preferidos, talvez pela sua complexidade. Antel foi alvo de várias paixões, e a ideia de grande amor que fiquei pela capa e título do livro esfumou-se ao perceber que todas as personagens femininas que cercaram Antel tiveram o seu tempo e o seu destaque na vida do herói.

A magia é bem ténue nesta história, mas igualmente interessante. Ela manifesta-se apenas nos cristais que dão força às espadas de Antel, nas crenças divinas e numa determinada personagem-chave do livro que se revela imortal. Ah! E nos dragões que se passeiam pelos céus, como parte do cenário. Um pequeno apontamento da extraordinária simbologia criada pelo autor, que se deu ao trabalho de criar calendários e unidades de medida para o mundo criado. Desde o princípio percebi que Antel e a criança do primeiro capítulo eram a mesma pessoa, mas com o passar dos capítulos fomos tendo mais capítulos alternados e penso que um leitor mais distraído poderia ficar confuso, ao não existir uma nota a explicar a situação, que se foi tornando mais explícita com o desenrolar da trama. As cenas de batalha e de sexo são muitas, sem descurar a intriga política, muito bem oleada. O final foi uma surpresa não totalmente imprevisível mas que me agradou bastante, e fiquei sem dúvida com vontade de ler mais deste autor brasileiro. Recomendo vivamente a todos os fãs de ficção histórica e fantasia adulta.

Avaliação: 7/10

Anúncios

3 thoughts on “A Balada de Antel

    1. Olá Lamora. Eu gostei bastante, só não gostei dos amores e desamores, praticamente todos os personagens andaram enrolados uns com os outros 😀 😀 Mas está aqui um livro muito bom.

  1. Pingback: Resumo Trimestral de Leituras #6 – Nuno Ferreira

Comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s