O Messias de Duna, Crónicas de Duna #2


Conduzidas pelo mais profundo instinto religioso, as pessoas
continuavam a chegar, buscando a sua ressurreição. A peregrinação
acabava ali — “Arrakis, o lugar do renascimento, o lugar para mor-
rer”.
O TEXTO SEGUINTE CONTÉM SPOILERS DO LIVRO “O MESSIAS DE DUNA”, SEGUNDO VOLUME DA SAGA CRÓNICAS DE DUNA
O Messias de Duna, publicado pela Edições Saída de Emergência em 2011, é o segundo volume da primeira série de ficção científica ecológica, Crónicas de Duna, que serviu de inspiração para um sem-número de obras dentro do género. Publicado originalmente em 1969, este livro tornou-se uma enciclopédia de filosofias e paradoxos, os quais qualquer figura de poder deve experimentar ou refletir durante a sua vigência. Ele explora também a questão religiosa, avaliando as verdades da questão divina e o poder da fé. Frank Herbert, que viria a falecer em 1986, foi o célebre criador das Crónicas e autor de seis livros da extensa série.
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Depois de, no volume anterior, sermos apresentados a Paul Atreides, filho do duque Leto e de Lady Jessica, e percebermos como ele sobreviveu a uma densa conspiração e como foi abraçado pelo povo dos desertos do planeta Arrakis – os Fremen -, que o consagraram como o Muad’Dib, libertador e deus, neste livro somos convidados a testemunhar o período da sua vigência, como ele conseguiu manter o seu poder e gerir não só a função como Imperador, mas também como Deus, e em simultâneo, garantir a sucessão de acordo com as suas visões e impedir o fim de tudo o que ajudou a construir.
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Duna (pinterest)
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Ora bem, Paul “Muad’Dib” Atreides sempre foi destinado a grandes coisas, ou não fosse ele filho de uma sacerdotisa Bene Gesserit – que sempre conceberam meninas -, e desde tenra idade foi visto como dono de um potencial imenso nas artes da adivinhação. Paul não só derrotou os Harkonnen, como o próprio Imperador Shaddam, casando-se com a sua filha Irulan e ocupando o posto de Imperador de Arrakis. Paul conseguiu criar sistemas comerciais que tornaram Arrakis um planeta próspero, bem menos dependente da água, controlando também o comércio de melange (a célebre especiaria).
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Doze anos após os acontecimentos do primeiro livro, Paul vive assombrado pelas suas visões, e pelas dúvidas que tem em si mesmo e naquilo que os peregrinos esperam de si: os Fremen iniciaram uma enorme Jihad que nem ele é capaz de controlar. Obstinado em não ter relações sexuais com Irulan, uma vez que é Chani, a concubina Fremen, que ele ama e que julga dever ser a portadora da sua prole, Paul vê-se vítima de uma conspiração que nem ele mesmo pode escapar. Alia, a sua irmã, que transporta consigo o olhar das suas ancestrais e já possuía um conhecimento incrível ainda na barriga da sua mãe, é a outra face do próprio Paul, apesar da sua tenra idade. Ambos estão em perigo, agora que as peças se movem numa trama complexa que inclui propósitos tão macabros como a capacidade dos Tleilaxu de ressuscitar pessoas mortas com base em experiências científicas, capacidade que será usada numa cabala para chantagear e tentar esmagar o Imperador-Deus.
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Capa Saída de Emergência
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SINOPSE:

Doze anos depois dos eventos descritos em Duna, Paul Atreides governa como Imperador do Universo, tendo dado início a uma Jihad galáctica ao aceitar o papel de Mahdi do povo Fremen. Paul é o mais poderoso Imperador de sempre, mas é incapaz de travar a sangrenta Jihad que já ceifou as vidas de milhões de pessoas e destruiu mundos.

Com a sua visão presciente, Paul vê a Jihad a alastrar-se, mas não pode travá-la face às terríveis alternativas que se podem seguir. Motivado por este conhecimento, decide seguir um plano complexo e perigoso que pode evitar a extinção da Humanidade, uma visão que o atormenta dia e noite.

O que Paul desconhece é que muitos velhos inimigos se reúnem à sombra do Império, preparando uma conspiração para derrubar a Casa Atreides do trono. Mais do que um mero assassinato, preparam-se para fragilizar o Kwisatz-Haderach… Conseguirá Paul estar à altura dos desafios do seu papel como Imperador e evitar os perigos que o rodeiam?

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OPINIÃO:
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Depois de ler o fantástico Duna, o ano passado, cheguei a este volume com as expectativas um pouco mais baixas, uma vez que todas as opiniões que me chegaram aos ouvidos garantiram este como um volume mais fraco. Na verdade, o volume inaugural foi mais auspicioso e rico em cenas de ação, para além de nos apresentar o original e opulento mundo de Duna. Este volume é, de facto, inferior, se considerarmos as conspirações previsíveis, os muitos momentos de reflexão e a pouca ação, mas ainda assim, surpreendeu-me positivamente.
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Arte concetual de Arrakis (pinterest)
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Frank Herbert volta a brilhar na construção dos personagens. Paul é talvez o seu personagem mais bem construído, eternamente no limiar dos seus poderes, duvidando dos seus próprios dons e daquilo que pode fazer para impedir a extinção total da Humanidade. Amarrado de mãos e pés, é um homem enfraquecido, já no declínio da vida e dos seus poderes. Gostava que personagens como Alia e Irulan fossem mais desenvolvidas, mas creio que o livro perderia imenso e tornar-se-ia mais monótono se tivesse mais páginas. Personagens como o ghoula e os dançarinos faciais foram agradáveis surpresas, assim como a relação entre personagens muito bem explorada. Outro ponto em grande destaque foi a escrita cremosa do autor, que me fez adorar passagens que, de outra forma, poderia achar aborrecidas. A parte final do livro foi, certamente, a mais empolgante, que não me desiludiu em nenhuma sequência.
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Este é um livro para ser saboreado calmamente, sem esperar grandes surpresas ou momentos de ação, mas sim para absorver as ideias amadurecidas em cada diálogo e as questões filosóficas, políticas e religiosas que Frank Herbert leva a debate.
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Avaliação: 7/10
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Crónicas de Duna:
#1 Duna
#2 O Messias de Duna
#3 Os Filhos de Duna
#4 O Imperador-Deus de Duna
#5 Os Hereges de Duna
#6 As Herdeiras de Duna
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5 thoughts on “O Messias de Duna, Crónicas de Duna #2

    1. Eu gostei bastante do primeiro, mas já o li há quase um ano e sinceramente acho que não tenho bem a certeza se gostei muito mais do primeiro xD Foi mais o factor surpresa e de conhecimento do mundo apresentado. Este livro foi bem mais calmo mas acho que também o saboreei melhor 🙂

  1. Olá Nuno
    Já li o Duna há algum tempo, e se bem que tenha gostado bastante, há algo que lhe falta para ser um livro excelente. Achei que o autor poderia ter explorado mais a vertente mais ecológica do planeta (ossos do oficio 😛 ), gostava de saber como o planeta poderia ser convertido num planeta mais próspero e também gostava de saber mais sobre os Fremen. Alguém na altura comentou que este livro O messias me dava essas respostas.
    Ainda não o li, mas está cá em casa para ler. E agora deu-me uma vontade de o fazer eh eh 😀

    Gostei bastante da tua opinião e de facto acho que virá ao encontro do que gostaria de conhecer mais sobre Arrakis. Acho que vou gostar deste volume.
    Beijinhos e boas leituras

    1. Viva, São. 🙂 Acho que fazes bem em ler. Não tem muitas respostas a nível ecológico, mas houve, de facto, uma evolução no planeta xD Espero que gostes. Beijinho e boas leituras.

  2. Pingback: Resumo Trimestral de Leituras #6 – Nuno Ferreira

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