A Morte Persegue-me, Fatale #1


Será que o sacana era só alguém a quem tinham partido o coração? Seria a avó dela a musa para quem ele debitava aquelas novelas de detective horríveis dele? Bestsellers, claro… mas péssimas.

O texto seguinte contém spoilers de “A Morte Persegue-me”, primeiro volume da série Fatale (formato BD)
O argumentista Ed Brubaker e o ilustrador Sean Phillips são um exemplo sério de dupla bem-sucedida, tendo solidificado o seu nome na cultura policial de bandas-desenhadas, nomeadamente no género noir. Sleeper, Incognito e Criminal foram algumas das suas obras mais conhecidas. Publicada em Portugal pela G Floy Studio em 2014, Fatale foi nomeada para vários Eisners no ano de 2013, entre os quais Melhor Série em Continuação, Melhor Argumentista, e Melhor Artista. Dave Stewart, responsável pela pintura, venceu um Eisner pelas Melhores Cores.
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A Morte Persegue-me, o primeiro volume, apresenta-nos uma femme fatale envolvida numa série de macabros e misteriosos incidentes. A trama começa com o funeral de Dominic Raines, um escritor famoso. Ali conhecemos Nicolas, filho do melhor amigo de Raines e herdeiro do seu espólio, uma vez que o homem não tinha família e o seu pai está internado há mais de dez anos. Nicolas reserva alguma estranheza para com o misterioso símbolo gravado na sua lápide. Acontece que o homem abominava todos os tipos de religião, e aquela inscrição tem uma aparência “religiosa”.
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É então que surge Jo, uma bela mulher, que garante saber do que se trata: uma brincadeira antiga entre o falecido e a sua avó, com quem ele se envolvera no passado. Decidido a descobrir mais sobre o passado de Raines, Nicolas encontra o primeiro livro escrito por ele nos seus pertences, um volume não publicado, mas durante a investigação, a casa é assaltada por uma série de sujeitos bem vestidos e armados. Jo, a enigmática mulher, surge para o levar para longe. No entanto, são perseguidos por um avião e acabam por sofrer um aparatoso acidente.
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Quando Nicolas acorda num hospital, percebe que perdeu uma perna. É então que somos conduzidos para os anos 50, onde a mesma mulher misteriosa, e não a sua avó, envolve-se numa série de acontecimentos que incluem polícias corruptos, massacres horríveis e cultos ocultistas. Por onde ela passa, o horror acontece.
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SINOPSE:

Terror e policial negro colidem em Fatale: A Morte Persegue-me, uma das mais aclamadas séries de banda desenhada actuais. Nos nossos dias, um homem conhece uma mulher misteriosa por quem fica imediatamente obcecado, mas nos anos 50, essa mesma mulher destrói as vidas de todos os que se cruzam com ela para conseguir o seu intuito. Qual o seu segredo? Que horrores se escondem no seu passado?

A dupla Ed Brubaker e Sean Phillips tem sido responsável por alguns dos maiores sucessos críticos dos comics americanos, desde Sleeper, um thriller que cruza espionagem com super-heróis, até aos seus mais recentes títulos na Image, Criminal, Incognito e Fatale. Nomeada para cinco Eisners (incluindo Melhor Nova Série, Melhor Argumento, e Melhor Desenho), a série ganhou também um Eisner para Melhores Cores, pelo trabalho de Dave Stewart.

OPINIÃO:
O primeiro volume de Fatale remete-nos desde logo ao ambiente escuro e intimista dos velhos policiais norte-americanos, para depois nos assoberbar com uma forte carga de sobrenatural. Embora pouco do mistério tenha sido revelado, a familiaridade com o ocultismo satânico, os cultos templários e até com a imagética lovecraftiana acenou-me inconscientemente.
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A Morte Persegue-me brinca com os estilos pulp e noir, apresentando personagens credíveis sem revelar muito sobre elas. A narrativa é incisiva e enigmática, usando-se dos diálogos secos e bem construídos como mais-valia, mas sem grandes jokers narrativos. É a carga de mistério que mais agrada neste livro, permeando acontecimentos do passado e do presente numa teia de acontecimentos que parecem estar ligados de alguma forma.
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O mistério podia ser mais sedutor, caso soubessemos aquilo que estamos à procura. A razão da morte do escritor, o motivo para o símbolo na sua lápide, a aparição da femme fatale e tudo o que a ela está relacionado terão, por ventura, uma ligação a ser descoberta nos próximos volumes. Ainda assim, os acontecimentos não me pareceram suficientes para prender o leitor da forma que é exigida a um volume inaugural.
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A nível gráfico, o desenho de Phillips encaixa na perfeição com o roteiro de Brubaker, o que transparece alguma maturidade e coesão resultantes de um longo trabalho como dupla. O estilo remete-nos pouca sofisticação, levando-nos intencionalmente ao encontro de BD’s dos anos 70 e 80. A cor não se foca nos tons negros e cinzentos, mas apresenta uma variância que se aplica aos cenários apresentados. Um primeiro volume com potencial (e bem ao meu gosto), mas sem força capaz de prender os leitores que o peguem com reservas.
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Avaliação: 7/10
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Fatale (G Floy Studio Portugal):
#1 A Morte Persegue-me
#2 O Negócio do Diabo
#3 A Oeste do Inferno
#4 As Lágrimas do Céu
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3 thoughts on “A Morte Persegue-me, Fatale #1

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