Viagem a França 2016


É verdade! Mais uma vez tive a oportunidade de conhecer o país da La Marsellaise, através do programa de geminação entre Vila Nova da Barquinha, Dissay e Madone. A cansativa viagem de autocarro teve uma paragem em Salamanca, quatro horas e meia após a partida.

Salamanca é uma cidade espanhola opulenta em construções monumentais da Idade Média e do Renascimento, próspera em traços clássicos e barrocos. A Catedral (a velha e a nova, com acesso de uma para a outra no seu interior) é um dos monumentos mais imponentes e emblemáticos, onde foi registado com algum divertimento a existência de um astronauta esculpido na fachada; mais tarde, durante o percurso de trem à volta da cidade, percebi tratar-se de uma reforma recente, e não de uma visão futurística dos escultores quinhentistas. A Casa das Conchas, o Museu Universitário e a Plaza Mayor foram outros locais de passagem, mas o que mais me marcou da cidade, para além da imponência arquitectónica, foram os tons de caramelo comuns a todos os edifícios, as ruas cheias de esplanadas e o ambiente acolhedor. Sem dúvida, Salamanca espera-me para uma nova visita.

Partimos de Salamanca às 21:30 e chegamos ao destino na manhã seguinte, por volta das 10:30. Dissay é uma comuna francesa na região de Poitou-Charentes, que tem uma relação muito próxima com Vila Nova da Barquinha no âmbito do nosso programa de geminação há mais de duas décadas (ou próximo disso). Envolvida por intermináveis campos de cultivo muito bem cuidados, esta pacata vila francesa é habitada por um povo quente em afetos, que não mediram esforços para que tudo estivesse do nosso agrado.

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Íle des Machines (Nantes)

Ali pertinho, em Neuville, conheci uma huillerie, ou seja, uma fábrica de óleo de noz, onde assisti a uma demonstração de como todo o processo é efetuado e degustei os vários sabores. Numa viagem de duas horas e meia, conheci a cidade de Nantes, a sexta maior cidade de França. Em 2004, a revista Time descreveu Nantes como a cidade com mais vida na Europa. De facto, os espaços verdes e comerciais são muitos, os lagos e fontes públicas estavam cheios de gente a tomar banho (devido ao calor) e muitos andavam de bicicleta. A cidade tem muitos pontos onde se pode alugar uma bicicleta e andar até ao próximo, sem necessitar deixá-la no local de partida. O Castelo de Nantes é lindíssimo por dentro, com condições museológicas incríveis e vários filmes interactivos a explicar tudo o que ali se sucedeu. A maior parte dos monumentos, no entanto, como a Catedral e algumas igrejas, estão completamente abafadas por prédios e pela parte cosmopolita da cidade, o que lhes retira algum brilho. O rio Erdre é também um dos pontos mais negativos da cidade, um autêntico esgoto a céu aberto. Uma atração imperdível em Nantes é a famosa Íle des Machines, onde se podem ver vários animais “animados”, sendo o único gratuito o incrível elefante mecânico, que caminha, mexe os olhos, orelhas e tromba, e também deita água.

Le Clos Lucé é a mansão onde Leonardo DaVinci viveu os últimos três anos da sua vida. Para além de conhecermos por dentro os quartos onde ele e Anne de Bretagne dormiram, os oratórios e ateliers, somos também convidados a conhecer maravilhosas exposições onde nos fascinamos com as invenções de Leonardo e as explicações em quadros interactivos. Cada invenção é mais surpreendente do que a outra. DaVinci era DaVinci, um génio único, inconstestável e imortal. A mansão está incluída no Parc DaVinci, que contém um enorme e labiríntico jardim cheio de sombras e algumas obras em exposição. Ali pertinho fica a vila de Amboise, onde visitei a Igreja de Saint Denis, passei pelo teatro e pelo rio. Os cafés com semáforos simbólicos nas esplanadas também são um importante ponto turístico, para além do imponente Castelo de Amboise.

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Le Clos Lucé (Parc DaVinci)

Como já tinha visitado Poitiers, acabei por ir conhecer outra localidade nas proximidades de Dissay, Chauvigny. Trata-se de uma cidade medieval muito bonita, de ruas estreitas e monumentos em decadência, cujo castelo se tornou um verdadeiro zoológico de aves. Ali podem-se encontrar aves de todos os portes, desde águias, abutres, urubus, mochos, cegonhas ou araras. Tive oportunidade de assistir a um espetáculo muito divertido, onde as águias planaram várias vezes a menos de um palmo da minha cabeça. À saída da cidade, várias foram as ruas que caminhei até ao mercado, o único sítio na localidade onde me pude sentar numa esplanada para beber uma cerveja sem ter de consumir uma refeição.

Fica o resumo de uma semana incrível. Apesar dos locais visitados serem muito interessantes, o que fica é o convívio e os momentos de partilha e de lazer com portugueses, italianos e franceses, a troca de impressões e o apalpar de identidades ao mesmo tempo tão similares e diferentes da nossa.

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4 thoughts on “Viagem a França 2016

  1. São Bernardes

    Que semana …. deve ter sido espectacular 🙂 França tem pequenas vilas e cidades bem bonitas, com monumentos muito marcantes e belos jardins.
    umas boas férias, é bom aproveitar sempre esses momentos e essas parcerias, acabamos por conhecer muito melhor quer os locais quer o próprio povo local e os seus modos de vida.
    Beijinhos

Comentário

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