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O Natal está à porta e a primeira prenda no sapatinho sou eu que vos irei oferecer. Está aí o décimo primeiro capítulo de Língua de Ferro: Um Sacana Qualquer, o meu livro de leitura online. No último capítulo, quando Língua de Ferro percebeu que Marovarola estava a tentar manietar as suas ideias, decidiu agir por si mesmo. No fim, acabou por ficar cara a cara com Lucilla, o seu grande amor e perdição.

CAPÍTULO ONZE: O CONSELHO DE DECISÃO

Agravelli, Brovios, Marovarola… Todos eles tinham um papel no conselho de decisão de Dooda. Mas sempre soube quem mandava ali, no fim de contas. Lucilla tinha uma maneira só dela de fazer as coisas. Bortoli disse-me uma vez que as mulheres eram todas assim, mas eu não conhecera por dentro muitas mulheres. Dooda era respeitado por todos, fazia os homens mais terríveis ajoelharem-se à sua frente, e no fim ela conseguia sempre o que queria dele. O que muitos viam como submissão, eu via como empatia. Ele não se limitava a acenar afirmativamente às decisões de Luce. Ele compreendia-a e pensava como ela. Muitas vezes, não precisavam sequer de trocar palavras. Luce e Dooda pensavam como um só. Depois da noite em que a possuí, isso quebrou-se. Dooda deixou de a compreender, e mesmo sem saber o que tinha acontecido, deixou de agir em conformidade. Luce não era a mesma. Estava a ser manietada por mim. À minha vontade.

As carroças sacudiram-se por estradas poeirentas durante mais de sete quilómetros. Empecilho foi empurrado para a frente. Soltou um soluço e amparou-se ao espaldar de madeira da carroça em que se encontrava. Fizeram descer o espaldar para que ele saísse; Ravella desceu atrás dele. Os rhovianos tinham todos expressões azedas, pele queimada pelo sol e odores envinagrados, impregnados de suor.

A cidade parecia nua àquela hora da noite. Ccantia, a cidade-sombra de que falavam as histórias. Ninho de prostitutas e bastardos, filhos de políticos e agiotas. Onde tratados eram selados e coligações rasgadas. Onde foras-da-lei eram vistos como senhores.

A larga caravana era composta por mais de duzentos tribais, cinquenta rhovianos e trinta homens libertos da Prisão. Entre eles estava Mario Bortoli, Allen e Boca de Sapo. Os dois primeiros pareciam cochichar segredos. Bortoli cofiava o duplo queixo com uma mão balofa, coberto por ondulações laranja provenientes das tochas. Boca de Sapo gargarejava com os rhovianos, resmoneando sobre o preço que estava disposto a pagar pelo seu couro. Acamparam na planície estéril à sombra da cidade, nas estepes devastadas de Sylia Má.

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Vista de cidade (hdwallpaperdaily)

Empecilho sentiu uma estranha sensação de culpa. Não devia estar aqui, pensou, tomando um último golo do vinho da noite. As uvas tinham um sabor um pouco azedo, mas talvez a acidez já estivesse no seu âmago. Isto tresanda a traição por todos os lados. Sentou-se ao lado de Vance, o homem cego que haviam encontrado numa cela de vidro, e não conseguiu segurar a língua. Perguntou-lhe sobre a morte dos deuses.

― Eles têm o hábito de ser irreverentes ― dissera-lhe. ― Gostam de mostrar a verdade como é e, se possível, divertirem-se com isso.

Aquela frase não fora elucidativa. O que eram os deuses para Vance? O sujeito parecia encarar a morte com simpatia, talvez por não poder testemunhá-la com os olhos. O sujeito era demasiado jovem para a experiência que revelava. Com pederneira e aço, acendeu uma fogueira, sem sequer mover as pernas fletidas. Tinha calças compridas em pele de girafa e sob um grosso colete do mesmo material revestido a cabril, o torso definido era atravessado por dois cinturões em cruz.

― Já vivi muito, rapaz. Em todas as vidas pelas quais transitei, cruzes vermelhas foram pintadas na minha trilha. Os sinos dobraram e os trovões reboaram perante a minha voz. Mantive-me longe do perigo por décadas a mais. Por precaução, disseram-me. Não podiam estar mais enganados. Quando chegou a hora, não estava preparado. Era apenas um menino de língua arrogante, com vontade de deixar atrás de mim uma esteira de gotas vermelhas.

― É verdade que os matou?

Vance Cego, como os homens lhe chamavam, riu-se com isso. Tinha um sorriso de veludo.

― Corpos de antanho ergueram-se diante de mim como sombras de algo mais alto e antigo, cingidas por coros de vozes que lembravam anjos aflitos. Tive a minha lição de humildade quando os gritos deles me fizeram sangrar dos ouvidos. Ouvi todos os sons de Semboula. O ruído do aço a cantar sobre aço, o sussurrar dos insetos, o crocitar dos corvos e o grasnar dos abutres. O som das cascatas. E os córregos luzidios a gritar a sua extinção quando as correntes selvagens eram travadas por uma força maior. Não sei o que fiz. Sei que aquelas figuras sombrias tornaram-se corpos moles com projeções vermelhas a escorrer de gargantas cortadas. Depois desfizeram-se em cinzas, como vampiros beijados pelo sol.

Durante o tempo em que haviam privado, ele mantivera muitas coisas da sua vida em segredo, tal como a sua verdadeira idade. Não importava. Nada do que ele dizia parecia fazer sentido. Foi por isso que se afastou, à espera de novas diretivas. Fitou o horizonte cosmopolita à sua frente.

Ele tinha estado naquela cidade por apenas um par de vezes, e ouvira rumores que a vida ali devia ser assim, um eterno entrar e sair de homens no poder. Havia decretos que mudavam todos os dias, forçados pela mente daqueles que diziam somente realizar o seu dever. Um homem que sabia o que queria e que inspirava as gentes não podia ser chamado de profano. Bortoli profanava Ccantia ao entrar com quase trezentos homens de armas em riste, na abafada noite ccantiana, mas escolhera a hora mais pacífica para o fazer. Diziam que, para haver guerra, era a melhor hora. As três luas dardejavam-nos com a sua luz ameaçadora e dramática. Havia algo de empírico naquele cenário.

Bortoli poupou os seus homens. O Mecenas queria conquistar a cidade de um modo mais diplomático. Se havia cinco mil pessoas a viver ali, a única coisa que Empecilho podia supor era que houvessem mil patrões. O governo podia mudar com frequência, mas não havia realmente um governo em terras sem lei. Os homens entraram na cidade a passo, com serenidade no olhar e dedos crispados nas empunhaduras das armas. O objetivo ali não era o saque. Mario Bortoli aprendera o jogo de poder nos tabuleiros mais perigosos. Queria inspirar confiança, não terror. A preocupação era legítima. Ccantia seria a nova sede do seu poder.

Deu instruções para que alguns dos seus generais se espalhassem pelas casas de alterne da região, mas que desnudassem as bolsas e não as lâminas. Havia que transmitir a mensagem. Tinham prata rhoviana, e vinham em busca de divertimento. Bortoli reuniu doze homens, entre os quais estavam Vance Cego, Empecilho, Allen, Ravella e Boca de Sapo. Dirigiram-se a uma boa estalagem, cuja porta entreaberta deixava jorrar as últimas lufadas de perfume que vigoraram em guisados e doçarias.

― Quem diabos manda nesta espelunca? ― gritou Bortoli com um sorriso de orelha a orelha, quando deu um pontapé na porta.

A estalagem estava quase vazia àquela hora da noite. Um grupo de bêbados dormia sobre uma mesa de madeira e um sujeito de bochechas desmaiadas e ombros largos, cujo torso enorme era cingido por um avental velho e amarelado, ergueu a cabeça diante do balcão, onde se inclinara para varrer o chão. Várias tochas presas em arandelas de madeira iluminavam o salão de banquetes.

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Taberna (whatyoumaydo em deviantart)

Pousou a vassoura junto ao balcão e praguejou com uma voz áspera e roufenha de tabaco:

― Espelunca é a estrumeira onde tu dormes, ó suíno.

Bortoli pareceu preparar-se para retaliar, com dois tribais a ladearem-no com expressões ferinas, mas o Mecenas explodiu numa gargalhada que pareceu refrear os ânimos e implantar lamelas na testa curtida do taberneiro.

― Quero todos os quartos vagos ― disse enquanto caminhava em passos amplos para o balcão e fazia sacudir com a mão uma bolsa de couro a tilintar de moedas. ― Chamo-me Mario Bortoli e sou o teu novo melhor amigo.

Sentaram-se nas mesas disponíveis e mandaram vir a melhor cerveja do estabelecimento. Os homens que dormitavam na sala viram os miolos ser violados por adagas e punhais. Allen assentiu para Empecilho, antes de se sentar num toro de madeira e voltar-se para a discussão da noite.

― Ccantia é apenas mais um passo na minha ascensão ― revelou Bortoli, sentado num cadeirão cheio de almofadas a mastigar um crepe ccantiano ―, mas devemos preparar-nos para uma guerra. Esta gente nasceu das sarjetas de Chrygia. Gostaria de considerá-los calorosos anfitriões, mas receio que os acontecimentos recentes deixem claro que não podemos coexistir com Landon X sem qualquer garante de retaliação. O conflito virá, mais tarde ou mais cedo.

Empecilho escutava atentamente, fitando-os de pé e com os braços cruzados como um escravo. Em verdade, apesar do colete de boa lã, os calções desbotados e as sandálias de sândalo, Empecilho não era mais que um criado entre os homens de Bortoli. Geralmente, era um dos que serviam os homens de maior patente, sobrevivendo das sobras e restos das refeições. Ravella estava sentada sobre a perna maciça de um rhoviano; tornara-se a amante do sujeito, mas não parecia importar-se muito com isso. Allen tinha melhor estatuto entre as gentes de Bortoli. As suas origens faziam dele um homem importante, um peão a ser aproveitado pelo Mecenas, e a sua lábia contribuía fortemente para fruir de alguns privilégios.

Eu também tenho origens nobres, disse Empecilho a si mesmo, embora preferisse manter essa verdade para si mesmo. Durante doze anos, tenho sido irrelevante, pensou. O meu tio-avô era um pretor, mas não teve direito de voto sobre qualquer um dos processos judiciais importantes desde a Seca.

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Final Fantasy: Advent Child (finalfantasywikia)

O tom da conversa tornou-se mais nocivo do que havia sido em reuniões anteriores. Isso não era o que mais o preocupava. O problema era o rhoviano que encabeçava o movimento bélico. Etrike, todo-o-poderoso comandante da divisão de oficiais. Normalmente, Etrike nunca lhe despertara atenção; também nunca lhe fizera oposição.

― Enfrentar Landon X de frente exige muitos mais anos de preparação. Falanges armadas, conceitos afinados entre patentes, uma preparação exequível, uma comunicação dolorosamente oleada – garantia agora Etrike.

― Enfrentar Landon X ― contrapôs Bortoli ― exige sapiência. Os teus conceitos, Etrike, enfio-tos no cu. Não são cabíveis para mentes tão primárias como as dos meus truculentos aliados.

Etrike soltou um grunhido e ergueu-se, esmurrando o tampo da mesa. Bortoli sacou de uma adaga e atirou-a ao ar. Todos viram a arma a rodopiar pelo ar, até que Vance Cego se ergueu e pegou nela com ambas as mãos. Os olhos pousaram-se na lâmina, antes que ele se movesse. O jovem cego levou a faca da direita para a esquerda e ela abriu caminho pela goela de Etrike. Um leque de gotículas vermelhas respingou sobre a mesa de madeira e o rhoviano caiu para trás, boquiaberto.

Bortoli cruzou os braços, aborrecido.

― Parece-me que terei de encontrar um novo comandante para as tropas rhovianas. Vance, ouvi dizer que os uranianos lutam de olhos fechados. A tua cegueira será estorvo para desempenhar esse papel?

Vance sorriu mordazmente.

― Receio bem que não.

― Ótimo, ótimo. Um problema a menos a resolver. Iremos entrar em Chrygia pela porta dos fundos.

Empecilho sabia o que ele queria dizer. Os outros também. Os rhovianos e os tribais seriam carne para canhão, caso se chegasse a esses pontos – não precisavam estar necessariamente preparados com uma estratégia militar sofisticada. O plano de Bortoli incluía influências e venenos, os caminhos mais dóceis para conquistar uma coroa. Para que o seu plano resultasse, porém, precisava encontrar Língua de Ferro e usá-lo como bode expiatório. Empecilho não conhecia os pormenores do seu programa, mas ouvira várias coisas, e o nome de Língua de Ferro a ser pronunciado várias vezes, como um passaporte para o poder. Percebia o objetivo de Bortoli: alimentar o ódio de Língua de Ferro por Lucilla, ajudá-la a derrotá-lo e ganhar a confiança dela. Depois, só precisaria envenená-la quando se sentisse confortável para isso.

― Vejo que fizeste amigos interessantes ― disse alguém do cimo de uma escadaria. ― Gostaria de ser convidado para a vossa tertúlia, velho amigo.

Estava a alisar uma faca, encostado à parede; tinha caracóis negros e pose de artista. Pele tostada e lustrosa, forrada a couro de porco preto.

― Marovarola, aqui? ― Bortoli parecia engasgar-se. No momento em que ele chegou, o gosto do vinho parecia ter azedado. As vozes amaciaram até chegarem ao silêncio, apenas importunado pelo rumorejar do couro oleoso sobre a lâmina da faca.

Marovarola desceu então as escadas e caminhou a passos largos para a mesa onde Mario Bortoli se encontrava. Tinha botas de cano alto que subiam até abaixo dos joelhos. Cravou o seu punhal no peito do taberneiro boquiaberto e arrancou-o com um movimento. Com um rasgão vermelho no peito, o homem caiu para o lado e Marovarola expressou-se como uma criança apanhada a fazer um disparate. Afivelou a faca à cintura e rodou o braço esquerdo numa vénia exuberante. Depois, colocou um pé sobre a mesa e olhou Bortoli com desafio.

― Val está comigo ― disse. ― E acredita que chegaste a Lucilla antes de nós e puseste a coroa de acanto na cabeça.

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War Council (shadaan em malazan wiki)

Bortoli soltou uma risada nervosa, mas o seu rosto parecia sério – pior que isso, aterrorizado.

― Ambos sabemos que isso é uma patranha, Dagias.

Marovarola arqueou o sobrolho.

― Uma patranha forjada por mim, sim. Mas tanto eu como Val vimos Luce a ser transportada como escrava, na caravana de Varro.

― Impossível ― guinchou Allen, erguendo-se de um salto. ― Varro é apaixonado por ela…

Os olhares de Marovarola e Bortoli focaram Allen, e depois cruzaram-se. Segredos obscuros foram trocados entre aqueles olhos enigmáticos.

― Este é o irmão de Dzanela? ― Bortoli fez que sim com a cabeça. ― Varro é apaixonado por Lucilla, e por ela será capaz de cometer os delitos mais escandalosos, inclusive deitar-se com Camilli e as suas filhas. Camilli pagou-me dez coroas chrygianas pela cabeça de Val. Ele sabe que Lucilla estará instável enquanto Val andar à solta por aí. Ele quer domá-la. No entanto, digamos que recebi uma contra-proposta mais vantajosa.

― Onde está Val? ― perguntou Bortoli, aterrado.

― Na cidade ― respondeu Marovarola com um sorriso.

― Procurem em todos os quartos ― gritou o Mecenas.

Os tribais ergueram-se e os libertos da Prisão, agora comandados por Opyas Raymon, o Boca de Sapo, seguiram-nos pelas escadas acima, num troar de botas sem melodia. Os rhovianos não se mexeram.

― Etrike era um comandante e tanto ― disse Marovarola, fitando o cadáver caído no chão. ― Não me agrada que o tenhas morto.

Os lábios de Bortoli tremeram e sussuraram um “Não me faças isto” quase imperceptível. Depois, rosnou com toda a força:

― Matem-no!

O Mecenas estremeceu de horror e pior ficou quando percebeu que nenhum dos homens que o acompanhavam se moveu. Marovarola sorriu.

― Mario Bortoli, meu velho amigo, aprecio que tenhas conseguido reunir toda esta canalha, mas acho que precisas saber que fui eu quem chocou a revolução no Império. Fui eu que trouxe Val até aqui. Ele não está nesta estalagem; nem eu. A tua chegada não foi nada discreta. Vais precisar de mim, Bortoli. E os teus homens também. Tens até ao amanhecer para tirar todos estes homens de Ccantia. Vamos fazer as coisas à minha maneira. À velha maneira, Bortoli, e Val não será mais problema para nós.

Empecilho percebia que Marovarola seria um problema para Língua de Ferro. Talvez alguém que não hesitaria em traí-lo.

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Cidade de fantasia (Bloodborne em loopinworld)

― Somos irmãos, Dagias ― murmurou Bortoli sem aparente entusiasmo. ― Aliaste-te à Companhia dos Ossos, a Val e a mim. Admiro o que conseguiste para que nenhum dos meus homens movesse um dedo contra a tua pessoa. Será ambicioso julgar que te aliaste também ao Império? É a coroa de acanto que desejas, Dagias. Tanto quanto eu.

Os ombros de Dagias Marovarola encolheram-se.

― Não vou revelar-te as minhas verdadeiras intenções com esta facilidade, Bortoli. Nem todas as minhas alianças. Ao amanhecer, terás Agravelli e Brovios no teu encalço. Talvez possamos fazer as coisas a bem. Quero os Vermelhos de volta, Bortoli. Quero uma união coesa e organizada. Um conselho de decisão. Só assim poderemos conquistar o Império.

― Eu dou-te o Império ― disse uma voz à sua direita. Vance Cego ergueu-se com os olhos vazios fixos em Marovarola. ― Assassino de Deuses, chamaram-me. Coloca-me nesse conselho de decisão e diz-me onde posso encontrar Língua de Ferro. Todos os Vermelhos querem o mesmo: o poder soberano que lhes foi vedado. Só eu vos poderei oferecer isso. Não a todos, mas apenas àquele que vergar o destino e cruzar o labirinto sem mácula. A conquista do Império é um jogo tático sem precedentes, e não será qualquer um de vós que o pode vencer. Lucilla é apenas a herdeira de um poder maior, mas encontra-se num nível superior ao vosso. Vendi informações a uma entidade chamada Landon X, e essa figura conquistou um Império.

Marovarola fungou com ironia.

― O teu cão cego é um bom pantomineiro, Bortoli. Se tens tanto poder, rapaz, porque não acedes tu ao Império?

Vance baixou a cabeça calva, como se estivesse a fitar a superfície da mesa. Os homens começaram a descer das escadas; Língua de Ferro não se encontrava entre eles.

― Sou um humilde servo, senhor. Vendo informações e apenas isso. É isso que faço. Jupett Vance é como me chamo. Quero Língua de Ferro e a mulher. Poderão ficar com o Império, se tiverem estômago para isso.

Bortoli ergueu-se, mostrando que tinha ainda uma palavra a dizer.

― A mulher? Estás a falar de Lucilla?

Vance fitou-o.

― Sou o seu novo comandante, não é? ― Apontou para Ravella, sentada ao colo do seu amante rhoviano. ― Estou a falar daquela mulher. Ela sabe mais do que fala. Dê-ma e as tramas de Gel escreverão uma nova sina.

Empecilho e Ravella trocaram um olhar. A uraniana encolheu-se nos braços do rhoviano e pareceu assustada. Marovarola perdeu o sorriso no rosto, e deslizou o olhar de Ravella para Vance.

― Quem és tu, mesmo?

Vance Cego sorriu. Toda a sua cabeça, pelada como um ovo, brilhou à luz de uma tocha.

― Um sacana qualquer.

Para ler pelo Wattpad:

Sinopse | Capítulo Um | Capítulo Dois | Capítulo Três | Capítulo Quatro | Capítulo Cinco | Capítulo Seis | Capítulo Sete | Capítulo Oito | Capítulo Nove | Capítulo Dez | Capítulo Onze |

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