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Olá a todos! Está já disponível o primeiro capítulo de Língua de Ferro: Um Sacana Qualquer em 2017. Depois de Vance conseguir ganhar posição entre os homens de Bortoli e limar a aliança entre este e Marovarola, que papel desempenhará o sujeito agora que deixou bem claro não ser tão inofensivo quanto parecia?

CAPÍTULO DOZE: TEMPO DE AGIR

“Uma vez perguntei a Luce se ela me amava. Soltou uma gargalhada tão estridente que julguei estar a gozar comigo. Não me respondeu. Não era suposto responder. Os guerreiros do deserto estavam habituados a que respondessem às perguntas com reações súbitas e movimentos pouco subtis, não com respostas categóricas. A reação de Lucilla, no entanto, surpreendeu-me. Alguns dias depois, sem que tal pudesse antevê-lo, confrontou-me. Estaria a maturar a questão durante todo aquele tempo. Perguntou-me se eu sabia que aquilo que nós tínhamos não era amor. Fiquei atrapalhado, sem saber o que dizer. Nada me havia preparado para aquilo. Uma resposta errada poderia ditar o fim do que nós tínhamos. Não falar era, por vezes, a forma mais adequada para manter o fascínio primitivo das relações humanas. Arrisquei e fui mais longe; puxei-a para mim, disse-lhe que não me interessavam os nomes que as pessoas davam às coisas e aos sentimentos, mas se amor era querer estar permanentemente com alguém, então ela estava enganada e que a amava, sim, como nunca amara mais ninguém. Nessa mesma noite, ela aceitou trair os Doze Vermelhos. Nessa mesma noite, montamos a armadilha.”

Aquela noite prometia ser terrível. Na manhã seguinte, Brovios iria morrer.

― … esta noite, podemos flexibilizar um pouco as regras ― disse Lucilla, sorrindo para Língua de Ferro.

Língua de Ferro fitou-a. Era um palmo mais alto que ela, mas as sombras do luar realçavam-lhe os contornos e faziam-na parecer mais sobranceira.

― Marovarola descobrirá em dois tempos onde estás escondida. Ele virá em meu auxílio.

Luce riu. Como o seu sorriso continua mágico, tanto tempo depois, pensou ele.

― Ele virá, disso não tenho dúvidas. Mas duvido que seja em teu auxílio, Val. Ele quer a coroa de acanto, tanto quanto Bortoli ou Agravelli.

― Como sabes isso? ― perguntou Língua de Ferro, com o seu sotaque arrastado. Ouviu então o pigarrear atrás de si. Quase tinha esquecido que Brovios estava ali. Deixou pender a adaga cruenta ao lado do corpo, mas o homem não mostrou vontade de o apanhar desprevenido ou imobilizar. ― Brovios…

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Aenaluck em pinterest

O homem fitou-o com serenidade e alguma censura, mas a sua expressão tinha mais de professoral que de ameaçador. De uma assentada, recordou-se que Brovios fora um conselheiro de Lucilla, nos tempos em que os Doze eram uma irmandade. Ela via-o como um tutor ou um velho amigo, a quem frequentemente solicitava pareceres.

― O velhote tem sido um bom informador aqui na zona; mais fiável que os meus espiões mais sofisticados.

― Não mando nos homens de Agravelli ― disse Donatello Brovios ― , não sou mais poderoso e não se pode dizer propriamente que o tenha traído. Apenas não partilho da sua crença, embora me seja abonatório que o mundo olhe para o velho Brovios como um apêndice de Agravelli Domasi.

Língua de Ferro virou o olhar de Brovios para Lucilla. E dizes que não és um traidor…Velho, esguio e desagradável.

― Ele sempre me viu como uma filha, e quando soube que eu estava viva, arranjou forma de entrar em contacto comigo. Seji é um dos muitos espiões dele por estas bandas. Marovarola quer usar-te, Língua de Ferro. Usar-te para chegar a mim. Tudo o que sei sobre poder e estratégia aprendi-o contigo, lembras-te? Eu agora preciso de ti. Preciso de ti porque estou perdida. ― Os seus dedos frágeis deslocaram-se do queixo de Língua de Ferro para o peito, e a saliva ficou presa na garganta do salteador. ― Preciso de ti, não porque te ame ou porque signifiques algo de mais para mim, mas porque conheço-te melhor do que qualquer pessoa neste mundo, e sei que és a única pessoa capaz de salvar Landon X da fratura iminente.

Língua de Ferro apertou os dentes, tentando recorrer a alguma calma ou lógica. Respirou fundo e apertou-lhe os pulsos com um punho fechado, num movimento rápido e esmagador.

― Atiraste-me para o fundo de umas masmorras e agora queres a minha ajuda?

Luce sorriu. Outra vez…

― Atirei-te para o fundo de umas masmorras e enviei Dooda para te libertar. Atirei-te para a Prisão porque, se não te provocasse, nunca tentarias cruzar o caminho de Landon X. Conheço os teus limites, e a maior prisão de alta segurança de Semboula nunca será o teu limite.

Língua de Ferro soltou um rosnido de frustração.

― Bastava chegar-me aos ouvidos que estavas viva que imediatamente tentaria cruzar o teu caminho.

Ela fechou os olhos e voltou a abri-los. Brilhavam.

― Talvez sim, mas eu não podia correr o risco de denunciar com facilidade a minha identidade. ― Fez uma pausa e passou com a língua pelos lábios, humedecendo-os. ― Não penses que isto é um engodo, Val. Temos inimigos comuns e tu sabes disso.

Língua de Ferro pareceu pensativo. Virou-se para Brovios.

― Será possível deixar-nos a sós?

― Não guardo segredos para Donnie, Val… ― disse Lucilla. ― Mas tudo bem, este não é o local mais indicado para esta discussão. Vem comigo.

Com um gesto, apartou-se de Língua de Ferro e subiu os degraus. Língua de Ferro olhou por cima do ombro e Brovios incitou-o com a cabeça para que a seguisse. O sorriso apaziguador do velho dava-lhe uma confiança estranha.

Seguiu-a pelos degraus alcatifados e por um corredor rico em madeiras escuras envernizadas e tapeçarias estampadas com símbolos antigos. Candelabros pontuavam as mobílias bem recortadas e as velas acesas recortavam sombras sinistras corredor dentro. Com um clique, Lucilla rodou a maçã da porta do seu quarto e abriu-a. Deixou-a aberta para que Língua de Ferro entrasse.

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Yennefer e Geralt de Rivia (pinterest)

O quarto era uma opulência de colgaduras e retratos, com uma cama de dossel e tapetes felpudos. A cor que mais imperava na divisão era o azul, esmaecido pela escuridão e pelo alaranjado das velas. Língua de Ferro fechou a porta atrás de si com um estalido. Depois, avançou para Lucilla com as duas mãos e apertou-lhe as ancas. Luce soltou um pequeno grito, mas a expressão facial desenhou um sorriso e logo as mãos estremeceram em busca dos atilhos do seu convidado. Os corpos caíram na cama e desnudaram-se, sem que a expressão ferina de Língua de Ferro amaciasse. Línguas de cores quentes percorreram cada nervura do corpo musculoso de Língua de Ferro, sobre a carne enérgica de Lucilla. Os reflexos das chamas bruxuleantes envolviam-nos num jogo de calor mutante. Imbuído de um vigor primário, o salteador sondou-lhe a humidade entre as coxas com os seus dedos grossos e sorriu. Com uma suavidade atípica, penetrou a mulher que mais amava. A suavidade deu lugar a um compasso crescente de arremetidas, dois corpos que dançavam ao ritmo cadenciado que ambos conheciam bem.

― Eu não te amo, Val…

Língua de Ferro acordou com essas palavras. Raios de luz perpassavam as cortinas e colgaduras, simulando um limbo cerúleo à sua volta. Lucilla estava nua sobre o seu tronco, com os cotovelos apoiados ao seu peito. Não parecia divertida.

― Algum dia me amaste? ― perguntou ele com a voz arrastada, lassa pela sonolência.

Lucilla não sabia responder a isso, viu no seu olhar.

― Talvez sim. Foste um desafio às convenções; eras diferente de todos eles, sabes? E ensinaste-me tantas coisas. Eu amava Dooda… e amei ainda mais quando ele me perdoou a nossa traição. Ele era especial, e saber que morreu por minha causa…

Língua de Ferro gargarejou, e isso fê-la rolar para os lençóis.

― Do que te ris?

― Dooda morreu porque te amava.

― Porque nos amava ― acrescentou ela.

Ela tem razão, pensou.

― Foi um dano colateral. Ele suicidou-se para que os teus homens não nos apanhassem. A mim e a Allen…

Luce assentiu com a cabeça.

― Allen é traiçoeiro. Mas deixei claro que era fundamental para manter a máscara que se mantivesse vivo.

― Há alguém neste mundo de merda que não seja traiçoeiro? Allen é irmão de Dzanela, o homem mais nobre que já conheci, depois… de Dooda.

Lucilla sorriu.

― Ser irmão de Regan não faz de Allen um homem melhor. Temos de ter cuidado, Val. Temos muitos inimigos. Cada vez mais. Sander Camilli está a mover as suas peças dentro do Império para me afastar. Ainda tenho o apoio de Eduarda, mas não sei se é suficiente… Allen já não é uma prioridade. A máscara que se lixe. Ele apoiará Camilli contra mim. Posso dizer que a tensão entre mim e Camilli explodiu depois que ele saiu da cidade. Nunca comunguei dos ideais conservadores de Camilli, mas as coisas pioraram quando declinei veementemente a proposta de se fazer a feira anual dentro da cidade alta. Estaríamos permeáveis a ataques externos, a nossa identidade ficaria em risco. Camilli pareceu deixar de se preocupar com isso. Julgo que tinha um plano para nos afastar, a mim e a Eduarda. Tentei envenená-lo. Falhei. Eduarda aconselhou-me a aguardar. Ele tem conhecimentos e experiência legislativa irrevogáveis. Iremos usá-los a nosso favor, quando for a altura. Consegui adiar a feira. Consegui mantê-lo sob rédea curta. Mas já não confio em ninguém, nem mesmo em Eduarda.

Língua de Ferro torceu os lábios.

― Ainda tens alguns apoiantes. Varro, por exemplo.

― Varro é um traficante de escravos. Uso-o para manter Camilli entretido, drogá-lo, tentar sacar informações. Mas Camilli é matreiro. Landon X é um triunvirato fraturado. Há duas noites atrás, um homem de negro esgueirou-se pela minha janela e tentou matar-me. Foi por isso que eu saí de Chrygia. Preciso de ti. Camilli controla Chrygia, e Eduarda parece nem se importar. Não me ouve mais.

Língua de Ferro encolheu os ombros.

― Sim, e vens procurar-me porque precisas de mim. Depois de tudo?

Lucilla baixou o olhar, constrangida.

― Não te menti. Estou a ser sincera, tanto quando te peço ajuda porque preciso de ti, e que não te amo, tanto quanto ao resto…

Língua de Ferro segurou-lhe na cabeça pelo queixo, e ergueu-o veementemente.

― Não acredito numa única palavra ― disse, sem um sorriso. ― Tu amas-me, e mesmo assim queres matar-me. Queres matar-me porque tens medo de mim. Medo que te roube a tua preciosa coroa de acanto. Sabes, Luce, é mesmo isso que eu vou fazer. Eu amo-te e vou matar-te. Agarra no teu velho amigo Brovios e sai daqui o mais depressa possível. Desta casa. Desta terra. Regressa a Chrygia se preferires. Vai para onde quiseres. Eu encontrar-te-ei. Todos queremos o mesmo. Arrancarei a cabeça a Bortoli, Marovarola e a Agravelli, quando perderem a sua utilidade para mim. Depois, irei à tua procura.

Os olhos de Luce abriram-se muito, com surpresa. O seu coração batia veementemente no peito nu. Ela ama-me e tem medo de mim. Mas ainda assim é de uma beleza estonteante, e de uma coragem atroz. Ela sabe quem eu sou. Ela sabe o que eu fiz. As pessoas que matei. Ela sabe quem sou e mesmo assim está aqui. Luce ergueu-se de um salto. Os mamilos empinados imperavam no seu busto pequeno e redondo. O queixo tinha um quê de arrogância declinada.

Ela parecia disposta a rebater a argumentação de Língua de Ferro quando a porta do quarto explodiu em fragmentos de madeira. Os dois viraram o rosto, surpresos, para o lugar agora cheio de poeira, e viram a figura velha de Brovios com o rosto encardido e a tossir. Uma lâmina emergiu do seu peito, impulsionado para a frente, como um acrescento anatómico. Uma última golfada de ar expeliu-se sob o bigode amplo de Donatello Brovios e o homem caiu para a frente. Morto.

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A silhueta atrás dele aproximou-se, revelando uma cabeça careca e um sorriso escarninho. Vestia uma jaqueta de lã e calças de couro. A sua tez era pálida. O olhar, vazio. Língua de Ferro reconheceu aquele jovem. O alegado Assassino de Deuses. O homem na cela de vidro. Nessa tomada de consciência, ouviu a lingueta da janela estalar e quando voltou para lá o olhar, viu Lucilla a saltar da janela aberta. Uma aragem fresca internou-se no aposento.

― Deixa-a ir ― disse o homem que matou Brovios. ― Não é ela quem eu quero.

― Seu maldito sacana ― rosnou Língua de Ferro, erguendo-se.

― O meu nome é Jupett Vance. Às vezes chamam-me Vance Cego. Pobres acéfalos…

Língua de Ferro dobrou-se para segurar Apalasi, mas a espada pareceu ganhar vida e deslizou para fora do seu alcance, respondendo a um movimento de cabeça de Vance. O sujeito abriu mais o sorriso e abriu os braços.

― Leidviges Valentina, o terrível Língua de Ferro. Veste qualquer coisinha e enfrenta-me, se quiseres.

Língua de Ferro não se vestiu. Correu para o adversário com a intenção de esmurrá-lo. Mas foi Vance quem o socou, na barriga, logo depois de lhe aparar o golpe com uma mão aberta. Língua de Ferro abriu muito os olhos, impressionado pela forma como o seu oponente lhe sustentou o golpe. Foi impelido para a frente, com a expressão de quem está prestes a vomitar. Os cabelos azul-turquesa estavam caídos para a frente, colados à pele suada. Os olhos esbugalharam-se quando Vance lhe deu um puxão num braço e o virou para trás, golpeando-lhe novamente o ventre, agora com o joelho. Língua de Ferro vergou para a frente e vomitou.

Vance pareceu esperar que ele se recompusesse. Com a boca cheia de vómito, Língua de Ferro perguntou:

― O que é que queres, escumalha?

Havia ali algo que ele não conseguia entender. Algo que não podia explicar.

― A ti. É só o que eu quero ― disse ele, aparentemente divertido. ― És um veículo para que possa emendar um erro do passado. Os deuses morreram, e depois deles viemos nós. Os veículos. Filhos de sonhos de um passado errado. Promessas de um futuro melhor. Ironia. Somos exceções. Meras exceções. Tu sabes do que eu estou a falar. O jogo político do Império pouco me interessa. Mas tu interessas-me. E irás envolver-te nesse jogo para dar a Semboula o que é requerido.

Agora foi a vez de Língua de Ferro gargarejar. Limpou o vómito dos lábios com o antebraço. Tinha os cabelos soltos

― Estás a falar em que língua, mesmo?

― Os Poços. Estou a falar dos Poços. Estou a dizer que somos meros instrumentos do que os leigos chamam destino. O Fluído. Instrumentos a quem cabe corrigir os reveses resultantes da morte das entidades. A água é vital.

A forma críptica com que ele disse aquilo fez a cabeça de Língua de Ferro girar. De uma enxurrada, vieram as visões. Os sons de Semboula. Todos os sons de Semboula. As ondas contra os cascos dos navios e as rebentações nas velhas enseadas. O olhar branco de Vance, na Prisão. O olhar branco da menina. Língua de Ferro sacudiu a cabeça, terrificado.

― Foi ela, foi ela que te disse onde eu estava…

― E conduzi Bortoli para cá.

― Bortoli está aqui? Em Sylia Má?

― Em Ccantia, sim. Está com Marovarola, e em breve Agravelli irá unir-se a eles. Convenci-os que unidos são mais fortes… embora possivelmente venham a matar-se uns aos outros.

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Língua de Ferro fechou os olhos e os punhos.

― Dizes que ambos somos instrumentos, mas és tu quem está a mover as peças… Seu miserável cabrão.

Vance sorriu, segurou-lhe o pescoço com uma mão e sussurrou-lhe ao ouvido:

― Todos somos instrumentos, Língua de Ferro. Vivemos na borda do cosmos, numa terra de poeira e frivolidade. Certamente não te importas de perder uma jogada em tantas. Certamente verás uma forma de ser uma exceção. Foge de pensamentos vulgares. Pensa mais além.

― Porquê eu?

Vance Cego perdeu o sorriso.

― Ditames da essência. Respondemos ao Fluído.

Língua de Ferro encolheu-se. Puxou Vance por um braço e fê-lo dar uma cambalhota por sobre o seu ombro. A cabeça do homem cego rodou no chão e assim que se endireitou, pôs-se de cócoras. Desafiou Língua de Ferro a atacá-lo, com os dedos. Língua de Ferro avançou para ele e pontapeou-o no peito. Vance segurou-lhe a perna e ergueu-se com ela, provocando uma dor terrível no atacante. Com um pé, alcançou a junta da perna disponível de Língua de Ferro e golpeou-o com força. O salteador soltou um grito e desequilibrou-se. Portava-se como um touro enraivecido, a pender das mãos robustas do uraniano.

― Vivo como um exilado desde que renasci ― disse Vance, cru e ríspido. ― Não poderei recuperar o que perdi com a minha provação, mas a essência reclamou-me para si. São bobos os que me chamam cego. Aquilo que vejo hoje é mais nítido do que nos tempos pretéritos. Consigo ver cada nervo do teu corpo, cada dilema no teu cérebro. A essência reclama-te agora para si. Podes tentar matar-me até estares louco de cansaço. Nada disso irá parar o curso do Fluído.

Soltou a perna de Língua de Ferro e ele caiu sobre ela com os dentes cerrados.

― Desde o primeiro momento em que te vi, soube que viria a incluir-te no meu plano ― disse Língua de Ferro. ― O meu plano não mudou, zarolho… Não quero saber patavina desse teu sermão debitado. Ainda irei conquistar o Império. Foste tu quem alertou Luce para a Seca. Deste-lhe informação com a antecedência suficiente para que viesse a subornar e a trabalhar na recolha da água. Com essa informação, Landon X conquistou o Império. Os Poços são mais do que um símbolo, são a razão desse poder. Foi o jeito que encontraste para evitar a extinção da Humanidade, suponho? E agora desejas corrigir isso, usando-me como peão. O que é que pretendes com isto? Libertar a água? Reclamar o poder?

Jupett Vance sorriu.

― Tu vais reclamar o poder. Eu não desejo nada, Leidviges Valentina. Como tu, sou um veículo. Tudo o que fiz e o que farei, pertence ao Fluído. Não vais querer arriscar um retrocesso. Um período de Inquisição é um mal menor para evitar a Hecatombe.

Língua de Ferro continuava a ignorar o real significado daquele linguajar.

― Porquê eu? Porquê eu e não Agravelli, por exemplo? Ele é o herdeiro de sangue de Cacetel.

Vance cofiou o queixo e caminhou em círculos, como se estivesse a analisar pormenorizadamente o pormenor de cada colgadura com o seu olhar lácteo.

― Não nos cabe discutir quem a essência reclama para si. Durante quantos anos julgas tu que me indaguei? Durante quantas décadas pensas que batalhei contra as minhas interrogações? Perdi todas as escaramuças mentais que travei. Soube qual era o meu papel e executei-o. Continuarei a executá-lo. Não importa o momento da vida em que somos reclamados. Não importa o porquê. Após a execução das tarefas, alcançamos um grau de entendimento em que o porquê não tem a menor importância. Travarás as tuas batalhas, Língua de Ferro. E quando a essência entender, roubar-te-á o olhar e a idade, para te oferecer a visão e a sabedoria. Independentemente disso, agora é tempo de agir.

Tempo de agir, pensou Língua de Ferro, com a cabeça a explodir de informações novas. De uma forma estranha, foi como se algo entrasse por uma brecha na sua cabeça, como se soubesse que aquele homem estava a falar verdade e não havia como negá-lo. Dessa mesma forma, sabia o que tinha a fazer.

Para ler pelo Wattpad:

Sinopse | Capítulo Um | Capítulo Dois | Capítulo Três | Capítulo Quatro | Capítulo Cinco | Capítulo Seis | Capítulo Sete | Capítulo Oito | Capítulo Nove | Capítulo Dez | Capítulo Onze | Capítulo Doze |

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