Vidas Secretas de Homens Mortos, Velvet #2


– Então porque raio precisa de uma nova rota de fuga, Frank?

– Porque a minha parceira matou o nosso guia.

O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Vidas Secretas de Homens Mortos”, segundo volume da série Velvet (formato BD)

Ed Brubaker é já um dos nomes mais incontornáveis da nova geração de argumentistas, no que à banda-desenhada diz respeito. Responsável por abrilhantar séries de sucesso da Marvel e DC Comics, como Capitão América, Daredevil, Batman e Catwoman, Brubaker tem sido aposta forte da G Floy em Portugal no último ano. O segundo volume da trilogia Velvet, da sua autoria, chegou agora às bancas nacionais, compreendendo os números 6 a 10 da versão original. Steve Epting (ilustração) e Elizabeth Breitweiser (cores) completam a equipa.

Vidas Secretas de Homens Mortos leva-nos de novo aos meandros das agências secretas de espionagem norte-americanas, com Velvet Templeton ao volante de uma teoria da conspiração com quase duas décadas. A protagonista vivera os últimos anos como mera secretária de uma agência, mas nos seus tempos áureos fora uma das agentes mais influentes.

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Capa G Floy

A ação de Velvet acompanha o regresso ao ativo desta espia de múltiplos recursos, na tentativa de descobrir quem matou X-14, o seu superior hierárquico na cadeia de comando do ARC-7, e toda a trama que a leva à mira dos mais antigos oficiais em exercício. Neste volume, encontramos Velvet novamente em maus-lençóis. Fora levada a acreditar que o seu próprio esposo era o peixe graúdo de uma trama terrivelmente bem urdida, mas nada é o que parece.

Velvet Templeton é agora obrigada a descobrir, entre os mais antigos membros da agência, quem pode estar por detrás dos homicídios e da cabala que a colocou no centro de tudo. Raptando um dos suspeitos (talvez o menos evidente), Velvet tenciona desviar as atenções do departamento, para procurar algo que denuncie o cérebro por detrás da trama. Depois, decide contactar o único que pode dar-lhe respostas e não estar envolvido, Damian Lake. Para isso, é obrigada a libertá-lo da prisão, fazer uma conturbada viagem de comboio, ser perseguida pela polícia e lutar com cães-pisteiros, e voltar a descobrir que foi completamente enganada.

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Prancha G Floy
SINOPSE:

A mais temível e ousada das espias regressa, na segunda parte da sua saga. Tudo aquilo que Velvet Templeton pensava saber sobre a pior noite da sua vida era afinal mentira… agora, ela está de regresso a Londres, e vai ser ela a levar a vingança aos seus inimigos e confrontar aqueles que foram seus colegas na agência. E vai descobrir a verdade, ou morrer a tentar!

OPINIÃO:

Foi com agradável surpresa que este segundo volume da banda-desenhada de espionagem Velvet, de Brubaker, excedeu as minhas expectativas. Dos mesmos criadores de Capitão América: Soldado Invernal, Vidas Secretas de Homens Mortos traz-nos a espia Velvet Templeton na sua melhor forma. Bem, talvez não esteja a ser sincero. A protagonista está debilitada, enferrujada e cansada, mas mesmo assim consegue fazer um exercício lógico notável e não perde a capacidade de reação eficaz. Infelizmente, os seus inimigos parecem estar sempre um passo à frente e conseguem passar-lhe a perna.

Cenas de suspense permeiam sequências de ação, sempre com Velvet Templeton como protagonista. A espia envolve-se em tiroteios e em cenas de combate, e os sintomas da idade e dos anos sabáticos são demonstrados com verosimilhança, ao mesmo tempo que ela procura descobrir a verdade de uma forma fria e pragmática, o que nem sempre é exequível quando tudo o que se acredita – e a própria vida – estão em causa.

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Prancha G Floy

Todas as cenas foram muito bem equilibradas. A ação é cadenciada e o argumento de Ed Brubaker demonstra coerência, credibilidade e consistência; para além de não perder o ritmo e oferecer grandes momentos de ação, consegue induzir no leitor a vontade de descobrir mais e tentar perceber que conspirações são tecidas, umas dentro das outras, e quem está a enganar quem. A forma como somos conduzidos pelo pensamento da protagonista faz-nos sentir as mesmas surpresas que ela.

A ilustração de Steve Epting revela mais uma vez um grande entrosamento com a escrita de Brubaker. A dupla funciona muito bem, e o facto de terem vindo a trabalhar juntos desde há algum tempo beneficia o “casamento”. Elizabeth Breitweiser vem mais uma vez dar a coloração ajustada ao ambiente – longe do noir, mas ainda assim com o tom suave e escuro que se ambiciona na temática explorada.

Uma história que nem sempre é de fácil compreensão, Velvet continua a fascinar por todos os factores acima indicados, com uma aura e argumento que em nada devem às melhores histórias de Ian Fleming ou John le Carré. Agora resta esperar pelo terceiro e último álbum da série.

Avaliação: 8/10

Velvet (G Floy Studio Portugal):

#1 Antes do Crepúsculo

#2 Vidas Secretas de Homens Mortos

 

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