Estou no Wattpad #19


Chegámos à Páscoa e um novo capítulo de Língua de Ferro: Um Sacana Qualquer chegou com ela. Depois de enfrentar Jupett Vance num comboio a vapor e perceber que tinha sido vítima de uma armadilha, Língua de Ferro avançou para os Poços do Império com a sede de sangue e vingança a corroer-lhe as entranhas. O que o espera neste novo capítulo? Vejamos.

CAPÍTULO DEZANOVE: OS POÇOS DO IMPÉRIO

“Os ventos enleavam-me o cabelo quando percebi que os rumores eram verdadeiros. Tornei-me líder do remanescente da caravana de Xispas e tentei levá-los até Rhove, mas quando cheguei à vila mercantil de Dravos e quis trocar carne de sebalo em salmoura por uma viagem de barco, o velho alferes que encontrei nas profundezas de uma taberna soltou uma gargalhada que pôs em evidência os seus dentes negros como a noite. A maior parte dos fregueses do estabelecimento, alguns dos quais me haviam indicado o sujeito, explodiram em gargarejos jocosos, mas eu vi nos seus olhares que a inaudita diversão que criavam estava coberta por um terror inquietante. Os mares secaram. O caminho até Rhove revelou-se um gólgota de horrores e provações. Vi homens morrer à sede e à fome, vi peixes mortos nas areias do deserto, vi um céu dourado a zombar da minha arrogância. Cheguei a Rhove numa noite sem estrelas, quando todos os meus homens tinham morrido e eu parecia um pedinte. Caí de joelhos na primeira estalagem e ofereci a minha espada a troco de água. Ofereceram-me vinho, e eu não o reneguei. Dormi por dois dias, e depois disso corri atrás dos meus salvadores. Arranquei-lhes o escalpe para recuperar Apalasi. Naqueles dias terríveis, não tinha a pretensão de me tornar um homem melhor.”

Às cinquenta da tarde, Língua de Ferro olhou para o céu crepuscular e viu uma nuvem de mosquitos a digladiar-se num idioma burlesco. Sabia que ia morrer e isso dava-lhe vontade de rir. Era muito comum que as expectativas o defraudassem.

Os Poços do Império não eram as torres esguias e assustadoras que os brasões imperiais sugeriam. Eram duas cisternas imensas, de um branco amarelecido pelo tempo e pela ferrugem, rodeadas por uma pequena muralha de quinze metros com um portão de sete. Claro está, o deserto servia de tapete àquele castelo sem glória. Língua de Ferro estava satisfeito com o cenário amador que vislumbrava. Os portões estavam abertos para baixo, servindo como ponte levadiça sobre um fosso profundo.

Os guardas imperiais corriam para fora do complexo, assustados com a explosão que ocorrera junto a uma comporta. Língua de Ferro nunca sequer presumira que uma só bombinha artesanal, feita com papel de aço, um ovo e um funil, fosse o suficiente para provocar tanto alarido junto de uma patrulha. Aquela era, porém, uma patrulha velha e passiva, sem qualquer sobreaviso de que pudessem ser alvos de um ataque. Ou talvez fosse estar à espera de um ataque o que os levou ao pânico.

Língua de Ferro escondia-se atrás de uma duna de areia quando soube que era tempo de fazer a sua apresentação. Não seria dramática, pelo menos para si. Montou Hije e cavalgou na direção do portão, com Apalasi erguida na mão direita. Dizia a si mesmo que aquele cheiro dos desertos era só areia. Mas o odor a morte era inolvidável. Ele sabia do que se tratava. Privara com ele como um amigo íntimo, em mais ocasiões do que um homem normal devia ser capaz de suportar. A aproximação não teria direito a ganchos de abordagem ou a falinhas mansas. Iria aproveitar a distração para fazer o que lhe competia.

A noite caiu sobre os Poços e foi a coberto dela que Língua de Ferro se fez entrar no complexo. Archotes foram acesos e flechas voaram na sua direção. A primeira caiu a três metros da sua ilharga. A segunda ainda mais longe, a sete. A terceira, porém, rasou-lhe junto à orelha esquerda. Só a sétima flecha se dirigiu à sua fronte, mas os reflexos foram rápidos e o zumbido alertou-lhe o subconsciente. Respondendo aos seus impulsos, o braço que usava Apalasi como extensão rodou na direção da flecha e intercetou-a. Mero acaso. O que os homens chamam de sorte. Um segundo a mais ou a menos, e estaria morto. Nenhuma outra flecha caiu na sua direção.

Sem título
Diablo’s Horned Tower (Marc Simonetti)

Os homens que fugiam dos Poços pela ponte levadiça evitaram a investida ferina de Hije, correndo ou cavalgando para o sentido oposto, e Língua de Ferro não se sentiu propenso a segui-los. O seu objetivo não passava por trazer infortúnio àqueles que o evitavam. Apenas àqueles que se colocavam no seu caminho. E foi isso que aconteceu quando dois guardas o enfrentaram de espadas em punho. Pareciam jovens e imberbes, com mãos crestadas pelo fogo e pernas bambas como canas.

Língua de Ferro viu nos seus olhares, sob os elmos imperiais, um terror profundo. Mas não se compadeceu deles nem questionou a sua origem. Limitou-se a desarmar o primeiro com um golpe, e depois de soltar um rugido, decapitou-o sem clemência. O segundo patrulheiro recuou na ponte levadiça, cheio de assombro. Caiu de borco, recuando de gatas para evitar o sorriso mordaz cheio de dentes que Hije exibia. As chamas dos archotes refulgiam terrivelmente no pelo vermelho do diabo. Língua de Ferro sabia bem que aquele focinho tinha uma certa expressão de dragão. Não se compadeceu dos adversários, por mais inóquos que parecessem. Os seus cabelos turquesa voavam à volta de uma expressão inabalável. Língua de Ferro era um salteador sem quartel.

Não precisou sujar Apalasi de sangue. Hije abocanhou o rapaz por uma perna, ergueu-o de cabeça para baixo, fê-lo rodopiar, aos gritos, e mastigou-o até à anca, quando o engoliu. Língua de Ferro acariciou-lhe a garupa com um sorriso nos lábios e entrou no complexo. Ninguém lhe fez oposição.

Sem título
Cavaleiro e uma cidade (Marc Simonetti)

Inocência era um defeito que Língua de Ferro julgava não possuir. Mas enganou-se. A sua bomba artesanal fora apenas o despertar de um temor que os patrulheiros ali destacados sentiam há muito. O explodir de um medo latente. Percebeu-o quando os homens que defendiam a zona inferior do complexo se limitaram a fugir dele. Se eles se unissem e o enfrentassem, seria difícil que Língua de Ferro lhes fizesse mossa. Mas aqueles homens pareciam terrificados, e pela forma como o ignoravam, pareceu-lhe que não era consigo. A explosão que ele provocara vinha oferecer contornos de realidade aos temores que haviam semeado em si mesmos.

Encontrou um sujeito de vestes esfarrapadas a mancar com uma perna ensanguentada. Tinha um queijo debaixo de um braço e um colar cheio de contas de madeira a baloiçar-lhe ao pescoço. O que faz aqui um sacerdote? Orientou Hije na sua direção. O homem, porém, ouviu o relinchar do diabo e virou-se para si com olhos muito abertos. Tinha as sobrancelhas unidas, e cabelos longos e brancos a emoldurar uma pele morena de traços angulares.

O sacerdote fez cair o queixo com ar assombrado. Depois deixou cair o queijo, que rolou no solo até parar. Uma bolsa também caiu. Do seu interior jorraram contas de azeviche, cristais e moedas de ouro. Língua de Ferro acalmou o diabo e preparou-se para descer e interrogar o homem, mas antes que o pudesse fazer, o sacerdote removeu uma faca com gume de sílex e enterrou-a no próprio peito.

― Espere! O que você está a fazer?

O homem caiu de joelhos e gaguejou antes de morrer:

― Eles prometeram que voltavam… Eles prometeram… Irão vingar-se de todos nós. Irão vingar-se…

Sangue jorrou aos borbotões do seu peito quando Língua de Ferro se acocorou ao lado do corpo. Os olhos do homem estavam muito abertos quando a sua mão se fechou no antebraço do salteador e estremeceu num estertor final. A mão perdeu a vida, assim como o remanescente do seu corpo. Quando deixou o cadáver do sacerdote cair para o lado, viu que o sujeito lhe deixara uma moeda de ouro sobre o braço. Língua de Ferro fechou a mão na moeda e lançou o olhar à sua volta. Olhou para o edifício a oeste, junto à muralha, de onde o sacerdote teria vindo. Parecia-se muito pouco com um templo, talvez mais com uma caixa-forte. Um cofre em forma de edifício.

Uma espécie de átrio separava o quartel que servia de sede à patrulha e a muralha; o terminal ferroviário ficava para leste. No adarve, homens lançavam-se sobre os merlões, em arremessos suicidas. Alguns lutavam por saltar. Outros estocavam espadas embotadas uns contra os outros. Aquela gente parecia louca. Língua de Ferro não sabia porquê, mas um arrepio sombrio na coluna segredou-lhe que aquilo não tinha origens mundanas. Hije começou a uivar, de uma forma aflitiva na noite escura. Terrivelmente aflitiva. Fogos deflagravam aqui e ali, provocados por archotes caídos. O estampido dos fogos incomodavam-no, tanto ou mais que à sua montada. Vermelhos e laranjas estremeciam por todo o lado numa luta acirrada contra o escuro noturno.

Língua de Ferro ergueu o olhar para uma das cisternas, para o seu contorno cilíndrico e desbotado, aberto aqui e ali por pústulas de ferrugem. A porta estava escancarada. Acariciou o focinho de Hije e este acalmou-se. Depois, assobiou e esticou o braço para fora do complexo, dando-lhe a entender que podia esperar por ele no exterior. O animal resfolegou, aparentemente contrafeito, mas a forma decidida e veloz com que acatou o sinal revelava a premência da sua própria necessidade em sair dali. Língua de Ferro caminhou a passos largos para o acesso aberto. Luce tinha duas filhas ali dentro. Essa ideia sobrepunha-se às restantes.

Sem título
Crónicas do Gelo e Fogo (Marc Simonetti)

O interior da cisterna revelava uma outra, mais pequena, envolvida por uma escada em espiral acompanhada por um corrimão de ferro. Um gorgolejar contínuo e um tamborilar ritmado de gotas de água fizeram-lhe notar que acabara de entrar no tesouro do Império. A maior riqueza de Semboula. O lugar estava tremendamente escuro. Lentamente, subiu degrau a degrau, cada passo acompanhado pelas gotas que caíam algures. Tic, tic, tic. Estranhamente, Língua de Ferro não sentiu medo ou coragem. Não se sentiu temeroso. Não viu desafio naquela subida. Pareceu-lhe algo trivial, resultado lógico da sua demanda. Casual. Percorreu todos aqueles degraus com a grande calma do mundo, embora não voltasse a embainhar Apalasi por um momento. A mão esquerda permanecia fechada sobre a moeda de ouro. Parecia-lhe mais pesada que a espada. Um cheiro a ar prensado e a ferrugem obscureceu-lhe a mente. Os pulmões pareciam comprimir-se. Pé ante pé, sentia o seu interior a debater-se num dilema. Pé ante pé. A moeda e a espada. A ganância e a honra.

Chegou ao topo da cisterna quando vislumbrou uma plataforma que, aparentemente, dava acesso ao outro poço, por uma incrivelmente larga ligação metálica. Era ali que, de uma roda em ferro que servia de tampão lateral para a cisterna interior, gotejavam pingos para a estrada metálica que dava início ao vínculo com o edifício a leste.

Ergueu a cabeça para vislumbrar o topo da cisterna interior. Dali conseguia ouvir o gorgolejar da água no seu âmago. Mas ouvia mais. Uma espécie de gemido, que lhe passara alheio até ali. Viu uma qualquer espécie de engrenagem. Um sistema prolixo em roldanas e fios. Estavam ligados a um aparelho horizontal, em cabo metálico, com um eixo central de madeira, circular, que fazia lembrar uma roda de tortura. No centro da roda estava uma menina. Teria cerca de quatro anos e estava nua. De um lado e do outro da cisterna, baldes de água para recolha. O nível da água ficava uns trinta metros abaixo. Língua de Ferro abriu a boca de surpresa, muito embora fosse um cenário assim o que esperava. Suspeitou que outra menina estivesse na outra cisterna, mas não conseguia perceber quem as colocara ali, ou há quanto tempo. Ela estava viva. Língua de Ferro sentiu as lágrimas a queimarem-lhe o rosto.

Um homem sem deus também chora, disseram-lhe um dia. Não gostou do que ouviu. Agora, sentia aquela moeda na mão calejada com a mesma sensação de desconforto. Ele sabia que o caminho que escolhera não tinha retorno. Havia conhecido o suficiente da vida nas reparações de paredes quebradas, nas vísceras de homens terríveis e entre as coxas de mulheres de bem. Homens bons e mulheres traiçoeiras também lhe tinham ensinado coisas. Mentia a si mesmo. Queria crer que não havia livre-arbítrio naquilo. Havia um gosto salgado naquela escolha. Nenhum homem tem um queijo grande, redondo e curado à mesa se viver de enxada na mão. Mas não era uma enxada o que segurava. Era uma espada lendária. Uma lenda que ele próprio forjara, com a sua truculência de décadas.

Sentia-se dividido. Por um lado, a presença de um sacerdote nos Poços e o medo latente nos patrulheiros. Por outro, uma caixa-forte e moedas de ouro. Metade de si gritava-lhe para saquear os Poços com o suficiente para viver uma vida tranquila longe de Vance, Eduarda e tudo aquilo que o dito Fluído parecia reclamar para si. Frustrar os bonecreiros da sua existência. Rir-se de todos eles. A outra metade dizia-lhe que enfraquecera com a idade, que estava atado de pés e mãos à sua fraqueza. À humanidade instilada pela perda de amigos e amantes. E era essa metade que media o peso à espada. Era essa metade que definhava, segundo após segundo, com a certeza que não viveria com um sorriso no rosto enquanto não vingasse a morte deles. Dzanela. Dooda. Lucilla. Era com as memórias deles que lutava. Eram os espíritos deles que ouvia sussurrar, quando os pingos tamborilavam no corrimão metálico.

― O que é que está aqui a fazer? ― perguntou alguém, do acesso metálico entre os Poços.

Língua de Ferro virou-se para encontrar um homem fardado com o paramento imperial, uma camisa com o brasão do Império sobre uma cota de malha flexível. Quando o sujeito se aproximou, erguendo uma tocha à frente dos olhos, viu que uma coifa em malha de aço envolvia-lhe a cabeça, onde se destacava um par de olhos muito juntos e um nariz empinado. O sujeito levou a mão livre à bainha da espada, mas mesmo naquele cenário sombrio, Língua de Ferro sentiu desgosto pelo patrulheiro. Se o enfrentasse, morreria nesse momento. Era dois palmos mais baixo que ele, e parecia revelar metade da massa corporal, ainda que se mostrasse bem estofado.

― Mantêm duas crianças em condições terríveis, patrulheiro. Vim fazer justiça, em linguagem que homens como você possa entender.

Língua de Ferro parecia calmo e até nostálgico, mas o seu interlocutor não estava surpreendido.

― Estas crianças estão amaldiçoadas, senhor…

― Talvez tenha sido isso que vos foi incutido, pois não duvido da ardileza de homens como Sander Camilli nas suas jogadas traiçoeiras pelo poder. Mas estas crianças não estão amaldiçoadas porra nenhuma.

O homem à sua frente estremeceu. Sentiu-se tentado a desembainhar a espada, mas não o fez, talvez porque já prevesse que tal embate não lhe seria justo. Pigarreou e deu um passo em frente.

― Não sei quem é, senhor, mas não deve saber do que fala… Se uma criança caísse no Poço, afogar-se-ia. E a água, de onde é removida a subsistência dos povos, contaminada por um cadáver. Que espécie de governante seria louco para colocar isso em causa?

Língua de Ferro registou a verdade daquilo. Ergueu uma sobrancelha.

― Se assim é, por que colocaram aqui as crianças?

Sem título
Guerreiro fantástico (Fierce em pinterest)

O patrulheiro ia para lhe responder, mas sentiu-se subitamente paralisado. Língua de Ferro viu o terror no seu olhar quando o sujeito passou por si a correr. Antes de desaparecer, lançou um olhar para lá do seu ombro. Língua de Ferro deixou-o ir, virou-se e fitou a menina aprisionada sobre a cisterna. A rapariga tinha os olhos abertos e avaliava-o docemente, com uma expressão humilde. A voz que jorrou dos seus lábios revelou-se igualmente suave, mas perceptível.

― Também te ofereceram um Império? ― perguntou, de uma forma tão serena e tocante que perfumava a clemência. ― Fui em tempos chamado de Profundo e morri. Morri neste lugar terrível, que se tornou profético. O assassino assinalou este lugar aos seus seguidores, para que aqui fundassem os seus Poços. Mas a entidade que o enviou contra nós sabia que nós regressaríamos através de hospedeiros, sem uma força motriz ou grande poder de facto, mas com a sempre temível capacidade de influenciar. E assim muniu-se de estratagemas para nos blindar.

Língua de Ferro engoliu em seco. Estava a falar com um deus morto.

― Vim a pedido de um pai. Libertar as suas filhas ― disse sem rodeios.

― Um pai inócuo para o que o rodeia. Manietado por forças que lhe são desconhecidas.

― Por vós, suponho… ― adiantou, com um pouco de arrogância.

― Também ― respondeu a criança com um sorriso. ― Mas não só. Os homens são cegos para aquilo que verdadeiramente os rodeia. Até quando julgas que estes Poços chegarão para adiar o fim da Humanidade? O que irá acontecer quando toda esta água desaparecer? Para onde julgas tu que ela foi? Julgas que morreu connosco, ou que desapareceu por nosso desígnio? Uma guerra de homens está a ser travada, mas paralelamente a isso, outras forças – maiores – lutam com aquilo que têm. A entidade que te enviou até aqui sabe o que virias encontrar. Usou-se de um pregão tosco para nos silenciar de vez.

Língua de Ferro pensou um segundo. Conquista os Poços; Conquista o Império.

― Como disse, vim aqui para salvar duas garotas.

― Estes homens julgaram-nos amaldiçoadas, e tiveram a certeza disso depois de os tentarmos demover a libertar-nos. Parece-me demasiado generoso que um marionetista tão sábio como o nosso assassino tenha avalizado tal demanda.

Aquilo não fazia sentido, de facto.

― Jupett Vance colocou-me aqui para conquistar o Império. Não falou em pormenores.

Nesse preciso momento de dúvida, Língua de Ferro ouviu uma voz algo distante, abaixo dos seus pés. Alguém que estava a subir a escadaria em espiral, naquele mesmo instante.

― Val, és tu? ― A voz de Merren “Anéis da Morte” Eduarda.

Ao ouvi-la, Língua de Ferro estremeceu. Doeram-lhe todos os seus ossos. Deixou cair a moeda de ouro no solo e ela ficou a rodopiar, a rodopiar, a rodopiar, como um peão. Depois deixou cair a espada, e a moeda tombou com a coroa para cima. Levou ambas as mãos à cabeça, com as pontas dos dedos nas têmporas, viu tudo branco à sua volta e gritou. Gritou com tanta força, que a sua garganta pareceu-lhe padecer de uma ferida em sangue.

Língua de Ferro não caminhou para uma armadilha, percebeu depois. Eu sou a armadilha. Um instrumento da essência.

Para ler pelo Wattpad:

Sinopse | Capítulo Um | Capítulo Dois | Capítulo Três | Capítulo Quatro | Capítulo Cinco | Capítulo Seis | Capítulo Sete | Capítulo Oito | Capítulo Nove | Capítulo Dez | Capítulo Onze | Capítulo Doze | Capítulo Treze | Capítulo Catorze | Capítulo Quinze | Capítulo Dezasseis | Capítulo Dezassete | Capítulo Dezoito | Capítulo Dezanove

Anúncios

Comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s