Estive a Ler: Bolos Janados, Tony Chu: Detective Canibal #6


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O texto seguinte pode conter spoilers do livro “Bolos Janados”, sexto volume da série Tony Chu: Detective Canibal (Formato BD)

A G Floy Portugal volta a presentear os seus seguidores com o novo volume de Tony Chu: Detective Canibal. O sexto volume da série mais louca da banda-desenhada inclui os números originais 26 a 30, com o P.V.P. dois euros mais caro que o dos antecessores, preço justificado por conter mais páginas. Os americanos John Layman e Rob Guillory são mais uma vez responsáveis pelo argumento e ilustração, com a colaboração de Taylor Wells na cor.

Para quem não conhece a série, Tony Chu: Detective Canibal, best-seller do New York Times, conta as aventuras e desventuras de um detetive com a capacidade invulgar de ver o passado daquilo que come; uma série granjeada com dois Prémios Eisner e dois Prémios Harvey. Esta edição é também marcada por alcançar a metade de um dos projetos mais elogiados da Image Comics na última década. Contém um especial de pin-ups sobre o galo Poyo, com ilustrações de Ben Templesmith, Nick Pitarra, John McCrea, entre outros.

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Prancha G Floy

Toni ao volante

Todos sabem que a família de Tony Chu não é propriamente aquilo que se pode chamar de tradicional. O irmão mais velho, Chow Chu, é um cozinheiro conhecido pelas suas excentricidades. Ressentido por perder a licitação de um quadro valiosíssimo do famoso pintor Quindim Buongiovanni, arrasta a irmã Antonelle para uma perseguição ao homem que venceu o leilão – Barnabas Cremini. É que o seu irmão mais famoso, Tony, está em coma.

Antonelle – mais conhecida como Toni – é a irmã-gémea de Tony e trabalha como agente da NASA. É na cama com o seu colega, o muçulmano Paneer, que ela inicia esta aventura, habilitando-se a um desastre amoroso quando ele a pede em casamento e ela morde-lhe o ombro. É que, se Tony é um cibopata, a sua irmã é cibovidente, ou seja, vê o futuro de tudo aquilo que come.

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Prancha G Floy

As agências unem forças

É numa das suas visitas ao hospital, para ver o irmão, que ela se cruza com o agente da FDA Caesar Valenzano, e tem a sensação que se recorda dele de algures. Logo se lembra de uma visita de Mason Savoy e Valenzano à sede do Farmington-Kapusta International Telescope, onde Jacob Butterfield albergava uma coleção de rãs nada ortodoxa. O mesmo Jacob que lhe apresenta os… bolos janados. Quem também visita Tony é o seu antigo parceiro, John Colby, agora agente da USDA, e o galo ciborgue Poyo.

A trabalhar no mesmo caso, Colby e Valenzano saem do hospital com um Tony delirante e unem forças para recuperar e interrogar o célebre engenheiro genético Angus Hinterwald, feito refém pelo grupo de marginais com quem se envolveu para desenvolver um programa inovador sobre genes bovinos. Como não podia deixar de ser, é o galo Poyo a salvar o dia.

Por fim, a FDA, a USDA e a NASA acabam por unir forças para descobrir informações sobre Judy Heinz-Campbell, a dona de um salão de beleza que consegue fazer milagres com a aparência de quem entra no seu negócio. Na verdade, essa mulher está relacionada com o artista Quindim Buongiovanni e com um “vampiro”. Uma aventura em que Antonelle perde partes do corpo, mas em compensação encontra o amor.

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Capa G Floy
SINOPSE:

A série mais tresloucada dos comics atinge a metade: com o volume 6 de 12, CHU chega a meio do caminho, e começa a recta final que nos levará a descobrir a verdade sobre a FDA, os extra-terrestres, a gripe das aves, a NASA e muito mais!

Tony Chu – o agente federal cibopata com a habilidade de obter impressões psíquicas de tudo o que come – está num hospital, a lutar pela vida, e, por isso, será Toni, a sua irmã gémea, a tomar a dianteira nesta aventura. Toni é cibovidente, e consegue ver o futuro de tudo o que come. E, nestes últimos tempos, tem visto umas cenas mesmo horríveis!

O sexto volume da série bestseller do New York Times, uma bizarra e divertida história sobre polícias, bandidos, cozinheiros, galos assassinos e agentes clarividentes. Apresentando também a incrível história que fascinou a América e impressionou criancinhas em todo o mundo com a sua violência: as aventuras do Agente Secreto Poyo, o galo biónico mais tramado do mundo e arredores!

OPINIÃO:

Todas as vezes que falo sobre Tony Chu: Detective Canibal, pareço repetir-me. É, a par de The Walking Dead e Saga, uma das bandas-desenhadas que me são mais queridas. Explicar porquê é bem mais difícil. A união entre a arte sobejamente reconhecida de Rob Guillory e o argumento irónico, louco e irreverente de John Layman traduz-se numa obra de referência. E sempre que a G Floy tem a gentileza de publicar mais um álbum de Chew, não perco tempo em pegar nele.

As páginas de Tony Chu são um chorrilho de embaraços e situações divertidas, mesclando o improvável com o humor sem perder o fio à meada, por mais desvios que a história central por vezes sofra. É isso que torna a BD deliciosa, o entrecortar de planos sem perder o equilíbrio.

“As páginas de Tony Chu são um chorrilho de embaraços e situações divertidas, mesclando o improvável com o humor sem perder o fio à meada, por mais desvios que a história central por vezes sofra.”

A ideia é, aquilo que se pode chamar no calão português, estrambólica. Original também, se bem que a ideia de um C.S.I com um detetive que descobre o criminoso ao lamber as vísceras da vítima é desconstruída desde o primeiro contacto com os personagens e com o plot. Eles são todos parvos e ridículos e é precisamente isso que transforma a BD em algo louco – saudavelmente louco – e se desdobra num trabalho árduo bem-sucedido.

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Prancha G Floy

Este álbum seguiu à risca aquilo a que John e Rob se propuseram. Vemos menos de Tony e Amelia e mais de Antonelle, com participações de somenos importância de Chow, Valenzano, Colby, Jacob e Paneer. O destaque vai, ainda assim, para o galo Poyo. Esperava mais protagonismo deste personagem, como propagandeado, mas os poucos momentos em que apareceu foram sempre excelentes e marcaram o álbum. A irmã-gémea de Tony Chu também não desiludiu ao protagonizar o volume, parecendo que continuará nessa senda na próxima edição.

Faltou, a meu ver, um antagonista ao mesmo nível. Senti falta de Savoy e das suas intrigas, com o vilão-mor deste álbum a não ter mais do que algum destaque no último terço. Ainda assim, seja lá o que o autor pretende para a série, não faço julgamentos premeditados. Tony Chu: Detective Canibal surpreende em cada número, com desgraças em cima de desgraças, frangos marados e muita adrenalina e ação. Nada é colocado ali por acaso e acabamos por cruzar-nos com personagens cada vez mais doidos. O humor é uma divindade a quem John Layman e Rob Guillory prestam culto com convicção.

Avaliação: 8/10

Tony Chu: Detective Canibal (G Floy Studio Portugal):

#1 Ao Gosto do Freguês

#2 Sabor Internacional

#3 Enfarda Brutos

#4 Sopa de Letras

#5 Fome de Vencer

#6 Bolos Janados

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5 thoughts on “Estive a Ler: Bolos Janados, Tony Chu: Detective Canibal #6

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