Fala-se de: The Walking Dead T7


A temporada terminou há quase dois meses, mas só agora tive disponibilidade para ver os episódios que me faltavam. Como sabem, sou fã de The Walking Dead desde o início, e achei as temporadas 2, 5 e 6 as melhores de toda a série. Para aqueles que, como eu, vibram com as aventuras de Rick, Carl, Michonne, Daryl e Maggie, a adaptação da famosa banda-desenhada de Robert Kirkman atingiu o seu zénite com a aparição do terrível vilão Negan. Ainda assim, ao acompanhar a banda-desenhada, não pude deixar de sentir algum desapontamento com esta temporada.

Talvez temendo que ocorresse uma situação similar à que a série Game of Thrones vivencia, em que a adaptação ultrapassou a publicação do material canónico, os acontecimentos que deviam pautar a primeira metade da temporada (a chamada mid-season que corresponde aos primeiros oito episódios), prolongaram-se por todo o ano. Tal medida levou à inclusão de mais comunidades inexistentes na banda-desenhada – a de Oceanside e o grupo do ferro-velho – mas também a um debate ostensivo de questiúnculas e episódios sem conteúdo ou ritmo que na minha opinião fez decrescer, em muito, a qualidade da série da AMC.

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Promocional (Fonte: AMC)

Se os ocasionais momentos de ternura e pesar entre os personagens de Andrew Lincoln e Danai Gurira, para além da interpretação magnífica de Jeffrey Dean Morgan como o sádico portador do bastão de basebol farpado Lucille trouxeram alguns dos momentos de maior qualidade cénica, as constantes hesitações dos personagens Carol, Morgan e Ezekiel, o “vai-não-vai” de Rosita e as deambulações de Tara enfraqueceram o espírito que se exigia a esta temporada.

Não vi aquilo que Melissa McBride mostrou em temporadas anteriores, não vi a tão aclamada união que o grupo de Rick sentiu em momentos passados, tão dramáticos como este, e posso dizer que em alguns momentos me senti tentado a torcer pelo grupo dos Salvadores. Se alguém se destacou pela positiva, destaco Dean Morgan e Lincoln, com os seus face-to-face lendários, Lauren Cohan com uma Maggie derruída a tentar fazer algo com a tragédia que lhe bateu à porta, e Chandler Riggs e Tom Payne a ganharem o merecido destaque numa temporada atípica.

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Ezekiel e Shiva (Fonte: theindependent.co.uk)

Se a falta de protagonismo e irregularidade dos personagens não está diretamente ligada ao profissionalismo e qualidade dos intérpretes, a verdade é que a sétima temporada deu poucas oportunidades a atores como Seth Gilliam, Katelyn Nacon ou Christine Evangelista. Não que Gabriel, Enid ou Sherry tenham sido afastados do foco ou perdido importância, sendo deles algumas das cenas que mais me marcaram ao longo da temporada, mas para além desses momentos, foram quase esquecidos.

“Se a falta de protagonismo e irregularidade dos personagens não está diretamente ligada ao profissionalismo e qualidade dos intérpretes, a verdade é que a sétima temporada deu poucas oportunidades a atores como Seth Gilliam, Katelyn Nacon ou Christine Evangelista.”

Seria impossível dar o mesmo espaço de antena a todos, mas a quase desconhecida Holly conseguiu mais impacto na banda-desenhada, do que a Sasha de Sonequa Martin-Green na adaptação da mesma cena para a season finale. Daryl Dixon continua a ser um personagem “querido” que pouco mais faz do que chorar em cada episódio. Preciosismos de um leitor de banda-desenhada que gostava de ver cada cena retratada fielmente ao ecrã? Talvez.

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Promocional (Fonte: AMC)
A PARTIR DAQUI PODES TROPEÇAR EM ALGUMAS REVELAÇÕES

Começamos a temporada com um episódio de altíssima tensão, com a morte de Glenn e Abraham e a tortura psicológica de Negan a Rick. Se gostei do episódio? Não, mas achei-o importante para o desenvolvimento da série. Os episódios seguintes não me desiludiram, mas achei a passividade de Rick para com a liderança de Negan levada ao limite, de certa forma exagerada. Foi só no fechar do pano que Rick se decidiu insurgir, quando Olivia e Spencer foram eliminados numa cena icónica que não ficou nada a dever ao material original… mas que pecou por tardia. Não é uma cena de mid-season finale, mas sim para ter sido apresentada no quarto ou quinto episódio.

“Os episódios seguintes não me desiludiram, mas achei a passividade de Rick para com a liderança de Negan levada ao limite, de certa forma exagerada.”

Logo se adivinhava que, ou a Guerra Total aconteceria muito rapidamente, ou a temporada chegaria ao fim sem haver uma guerra sequer. E foram as hesitações de Ezekiel, Carol e Morgan, as intrigas disparatadas de Richard e a adição da comunidade do ferro-velho, para além do regresso a Oceanside que, ainda na primeira metade servira para mostrar que Tara e Heath estavam vivos, quando poucos se lembravam já deles, o que deu barriga a esta segunda metade da temporada, que valeu essencialmente pelo núcleo de Hilltop e pela traição de Dwight. A série terminou com o início da guerra em si, mas nem mesmo o final me agradou. Foram muitos tiros, um tigre pouco convincente e uma Michonne demasiado débil. No fim, tudo ficou na mesma.

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Promocional (Fonte: itechpost.com)

Ainda assim, continuo um fã da série e mesmo sabendo que a próxima temporada terá muitas “invenções” por parte da produtora, para fazer durar a guerra até ao fim, irei continuar a acompanhar, não só por gostar da temática e do produto, mas também porque as interpretações de atores como Andrew Lincoln e companhia valem muito a pena.

Avaliação: 6/10

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