Estou no Wattpad #22


Bem sei que esta semana não era suposto sair nenhum capítulo de Língua de Ferro: Um Sacana Qualquer, mas para fazer avançar a história para o seu arco final decidi que até ao início de junho irá sair um capítulo por semana. No último, vimos Empecilho a transmitir a Bortoli e Vance as notícias de Ccantia, enquanto percebia que o cerco montado à cidade de Chrygia incluía o domínio sobre os nativos e a tortura a um antigo companheiro.

CAPÍTULO VINTE E DOIS: HUMILHAÇÃO

“Havia alto no comportamento de Hije que me fez gostar dele. Os diabos eram, por natureza, hostis, mas nos dias em que se viviam, a velocidade compensava o trabalho que significava domá-los. Os cavalos eram escassos e pouco desenvoltos nos desertos; os camelos lentos e caprichosos. Domar diabos para se servir deles como transporte era algo que faria os nossos avós benzerem-se, tal a heresia que tal pensamento acarretava. Mas os tempos mudavam com as necessidades e possuir um diabo tornara-se premente para quem desejava cobrir longas distâncias em pouco tempo. Posso dizer sem hesitação que me tornei amigo de Hije desde o primeiro instante. Não sei dizer se ele se sentia constrangido, privado da sua natureza e liberdade, se vira em mim um veículo para recuperá-las, mas os seus olhos deixaram claro, desde o início, que estava em sintonia comigo. Quase não precisei orientá-lo quando tentamos fugir da fazenda de Roq’ia, procurando possíveis caminhos alternativos, nem esporeá-lo quando cheguei à conclusão que investir contra os inimigos era a única alternativa. Sentia-o resfolegar, senti o pulsar do seu coração a fremir contra mim, em uníssono com o meu. Pensámos como um só, sentimos as mesmas limitações, receios e expectativas. Sem modéstia, posso afirmar que boa parte da minha fama lendária deve-se a ele.”

Língua de Ferro estudou sem entusiasmo o acampamento militar onde Mario Bortoli se havia sediado. As estrelas coroavam a noite límpida, sem uma voluta de brisa que se sentisse. Não perdeu tempo a explicar a Empecilho como chegara ali ou o que havia acontecido consigo. Nunca gostara de perder tempo com detalhes e aquela noite seria decisiva para todos. Para além do mais, Empecilho revelara-se um mero fantoche nas mãos de Vance, o que lhe gerava um certo descontentamento, mas não surpresa.

Depois de lhe deixar uma série de recomendações, inclusive a localização de Hije e o tipo de mistura de carne com ração que devia preparar-lhe, avançou em passos largos por entre dois renques de pavilhões rústicos, forrados a pele de camelo curtida. As suas passadas eram calmas, mas o modo como caminhava, altivo e a transpirar de segurança, não sugeria qualquer tipo de discrição.

Um par de rhovianos avistou-o quando cochichavam junto a uma tenda. Um tinha uma capa em pele de cabril atirada sobre um ombro e uma bragadura de linho, enquanto o segundo, mais velho e de expressão retorcida, vestia um manto grená com pregas de lã nos antebraços e perneiras de couro. Língua de Ferro lançou-lhes um olhar sem íris ou pupilas quando nele se concentraram. O mais velho segredou algo ao ouvido do mais novo e este afastou-se, certamente com a intenção de levar a mensagem daquela aparição aos ouvidos de um intendente ou alguém de maior patente, caso não fosse ao próprio Bortoli.

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Guerreiro celta (Fonte: Alpha Coders em pinterest.com)

Língua de Ferro soltou um aviso:

― Hei, tu!

Ao contrário do que o rhoviano mais velho sugeria por gestos, o homem estacou, encarando o invasor com algum desafio, não obstante a expressão reticente. Língua de Ferro aproximou-se dos dois homens em passos largos e viu os olhares deslizarem do seu olhar vazio para a espada embainhada à sua anca.

― Seja a quem for que desejas informar da minha presença, dizei-lhe que se trata de Língua de Ferro, o Assassino de Deuses.

Falou no idioma rhoviano, porque muito embora a língua franca rezoli fosse conhecida pela grande maioria dos povos na margem oriental de Semboula, o conhecimento do seu dialeto específico transmitia um saber secreto sobre eles próprios e conhecer os seus segredos era sempre um fator de medo entre os homens. Língua de Ferro sabia disso ao entrar na sua intimidade.

Os homens entreolharam-se com algum ceticismo e apreensão, quando o mais velho puxou dos seus galões e atirou a cabeça para trás, demonstrando autoridade com o pomo da garganta em franca exposição.

― Talvez deva acompanhar-nos a ambos até lá, pretenso diocida zarolho, e afirmá-lo com os seus próprios lábios ― disse com desdém na voz, no rezoli comum.

Língua de Ferro sorriu, depois o sorriso transformou-se numa risada e por fim numa sonora gargalhada, abrindo a mão com força no peito, de tanto rir. Aquela reação não só retesou os dois rhovianos, como os preocupou, obrigando-os a levar aos mãos aos punhais que traziam presos à cintura. O salteador pareceu mais rápido que a sua própria sombra e não precisou desembainhar Apalasi. Pontapeou o punhal do rhoviano mais novo quando este o desnudou, fazendo-o voar para fora do seu alcance, e depois firmou a sua mão, nodosa, no pulso do oponente mais velho, rodando-a até soltar um sonoro grunhido e perder a força. Deixar cair o punhal na areia aos seus pés não foi o suficiente para Língua de Ferro. Continuou a pressionar-lhe o pulso.

O homem tinha a outra mão apertada no antebraço do salteador, mas isso não foi impeditivo para que ele lhe quebrasse o punho. Ao som de ossos a quebrarem-se seguiu-se um carpir pouco viril, quando Língua de Ferro o soltou e o velho caiu em soluços sobre as suas mãos. O outro rhoviano pareceu indeciso entre atacá-lo ou fugir dali para contar o ocorrido, mas tinha a mão em brasa, fruto do pontapé que lhe atingira os dedos, e enfrentá-lo não pareceu a melhor solução.

Língua de Ferro avançou para ele, com os músculos nervurados a pulsar, brilhantes sob o luar. Sem saber como se defender, o rhoviano colocou um braço à frente e outro atrás, numa posição de defesa básica, com as pernas em semelhante disposição de equilíbrio. A forma como estremeceu, porém, denunciou a precariedade dessa defesa, bem como a sua hesitação. O gigante que enfrentava simulou um murro e ele levou ambas as mãos à frente do rosto. Língua de Ferro abriu a mão no seu peito para o empurrar para trás e puxou-lhe uma perna com a sua, pela dobradiça, puxando-a como um ganho. O rhoviano estatelou-se no chão, o que lhe permitiu fazer a jogada mais desleal de um embate. Segurou num punhado de areia e arremessou-a contra o rosto do adversário, esquecendo-se, por ventura, que este era cego.

Mas Língua de Ferro não era cego, ainda que a flâmula de areia que lhe atingiu os olhos não lhe fizesse mais do que alguma comichão. Pisou um pulso ao inimigo, fazendo-o gritar e impedindo-o de se reerguer. Posto isso, desafivelou o seu cinto. Nenhum dos rhovianos caídos no chão compreendia o que ele ia fazer, mas ele sabia. Humilhá-los. Fazer engolir o orgulho a um rhoviano era mais letal que a morte, ainda que tal pudesse inspirar futuras sublevações. Ele não as temia. Deixou cair as calças aos seus pés, provocando uma nuvem de pó de areia, como a ondulação provocada por uma moeda atirada a um lago. Pegou no seu pénis curvo e urinou sobre o homem prostrado no chão. A urina quente ensopou o rhoviano, que levou a mão livre ao rosto para aplacar tal humilhação. Em vão. Urina cobriu-o como uma película, do torso coriáceo ao cabelo poeirento, passando-lhe pelos lábios franzidos e enojados e pelos olhos semicerrados. Língua de Ferro sacudiu o pénis e quando as últimas gotas de urina desapareceram, voltou a erguer as calças.

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Guerreiro (Fonte: es.pinterest.com)

Fitou o rhoviano mais velho, que se arrastava para mais longe enquanto o estudava numa mistura de náusea e horror, com uma mão sobre a outra.

― Agora sim, podem ir comunicar o ocorrido aos vossos superiores. Dizei-lhes que o inimigo de Bortoli chegou, e está à sua espera. Podem dizer-lhes também, se a vossa coragem chegar a tanto, que não temo derramar sangue inocente, se isso significar chegar até ele, para o fazer pagar pela morte de Lucilla.

Com essas palavras, Língua de Ferro afivelou o cinto e deixou-os consigo mesmos e com as suas reflexões. Sabia que os atrasara. Iriam medir as suas palavras e procurar forma de comunicar uma versão menos humilhante dos acontecimentos, quando estivessem recompostos. Enquanto isso, avançou entre as tendas, inspirando o ar pesado e asfixiante, sentindo-se pegadiço de suor e alvo fácil para os moscardos imundos que zuniam à sua volta.

Passou por um espeto escamado de fuligem e gordura, sob o qual jaziam os restos carbonizados de uma fogueira, junto à qual repousava uma malga de ferro vazia e um almofariz de cerâmica com restos do que parecia pimenta moída. Franziu o nariz com o odor e afastou-se o mais rápido possível dali, mudando o seu curso para ocidente, onde o corredor proporcionado pelas tendas o conduzia para o largo perímetro onde eram escavadas valas comuns para encher de cadáveres. Língua de Ferro suspeitava que os corpos dos indígenas não seriam os únicos a alimentar aquelas bocas de areia.

Parou e sorriu, momentos antes de vislumbrar uma figura familiar, que se esgueirava da aba de uma tenda. Usava um porta-seios e um saiote de samito, e o rosto pálido pareceu-lhe mais surpreso e desconfortável do que alguma vez o contemplara, quando finalmente o encontrou com o olhar.

― Olá Ravella! Como estás?

A mulher passou com o polegar por cima da orelha para afastar o cabelo e olhou para um lado e para o outro, confirmando que ninguém os perscrutava. Archotes estavam acesos em volta das tendas, mas a maioria dos homens já dormiam ou reuniam-se nas tendas mais sumptuosas, de onde se ouviam os batuques nativos, a sudeste, muito possivelmente locais onde os homens de maior patente obrigavam os sobreviventes do acampamento original a dançar, fazer música com os seus tambores de osso e pele plissada, cozinhar e ceder aos seus prazeres lascivamente mundanos. Língua de Ferro agradecia tais distrações. Podiam favorecê-lo nos seus planos.

― O que faz aqui? ― perguntou.

Língua de Ferro aproximou-se e sentiu no ar a doce fragrância a alfazema e a incensos que brotava do interior da tenda. Sondou na sua direção e o perfume agradou-lhe. O próprio corpo de Ravella, definido em músculos e curvas estonteantes, jorrava de odores almiscarados, e brilhava com a película de óleos e essências com que se banhara.

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Jovem (Fonte: wall.alphacoders.com)

― Esperava que Vance te tivesse contado. Vocês agora não são íntimos? ― perguntou, num misto de diversão e ciúme. ― Não era à sua procura que ias agora mesmo, para o trazer para a tua cama?

A uraniana meneou a cabeça, como se isso não importasse.

― O que é que Jupett tem a ver com isto? ― Abriu a aba da sua tenda, e convidou-o a entrar com a cabeça. ― Venha, não vai querer que o vejam.

― É, talvez, um pouco tarde para isso ― disse, ao baixar a cabeça para entrar no pavilhão.

Foi recebido por um mundo de sombras opacas. Um braseiro estava aceso ao centro da tenda, borbulhando de óleos. As suas flamas pareciam dedos de danados em busca de uma fuga ao tormento do Inferno. Quando o seu olhar se adaptou à luminosidade, reconheceu a amplitude e os detalhes daquele lugar. Colgaduras em pele de tigre e rolos de seda enriqueciam a divisão, enquanto uma tela de acácia servia de suporte a uma bonita aguarela que mostrava o porto de Constania nos seus dias áureos, antes da Seca. Um compartimento fechado a biombos não ocultava os tapetes vistosos nem os colchões felpudos e almofadas que compunham o leito noturno de Ravella. À passagem para o seu íntimo, montava guarda um par de panteras em calcário. Língua de Ferro aprovou a riqueza do seu pavilhão.

― Quem és tu, afinal, para mereceres tamanho luxo? ― perguntou com sinceridade.

― Sou a esposa do comandante, o seu amuleto de fortuna. É tudo o que precisais saber ― disse ela enquanto fechava a aba da tenda com um atilho de cânhamo. Virou-se para ele com austeridade. ― Quando ele me disse que era agora também um instrumento, não imaginei que ficasse também… assim.

Ela estava a referir-se ao vazio no seu olhar, e falava-o com algum constrangimento e pena, o que revelava a sua inocência naquele assunto. Podia estar a referir-se a qualquer outra coisa.

― Conhecias Vance antes do nosso primeiro encontro? Antes de Rivia?

Língua de Ferro não se coibiu a esclarecer uma das suas maiores dúvidas. Tanto Ravella como Vance eram originários da vasta província setentrional do Urão, onde as pessoas nasciam pálidas, fruto da volatilidade do sol sob as montanhas, mas seria apenas isso a unir aqueles dois? No seu íntimo, sentiu o desconforto de Ravella em abordar aquele tema. Moveu-se, graciosa como uma pantera, de um lado para o outro, abrindo uma garrafa de um vinho aguado que verteu por duas canecas, regressando com ambas. O salteador segurou a que ela lhe ofereceu e interpretou a sua inquietude como uma ameaça à confiança estabelecida entre ela e Jupett Vance.

Pareceu refletir na questão enquanto beberricou da sua caneca, debicando como um passarinho. Língua de Ferro esperou pela resposta, envolvendo o receptáculo de barro com as duas mãos.

― Só conheci Jupett em Rhove, mas foi como se nos conhecêssemos desde sempre. Para além de partilharmos a mesma origem, ele impediu que alguns bárbaros me estuprassem. Por alguma razão, ele viu algo em mim. Nas mãos de Mario Bortoli, nenhuma mulher vale mais que um objeto, que se usa e dispensa a seu bel-prazer. Jupett tratou-me como uma princesa.

Língua de Ferro assentiu com a cabeça, mas sentia que ela lhe escondia algo.

― Talvez porque ambos partilharam segredos, parece-me. Há algo que escondeste de mim, durante todo o tempo que estivemos juntos.

Ravella cuspiu para os seus pés.

― O tempo em que estive consigo? Depois que me levou de Rivia como uma escrava? Uma escrava que eu era, porque todos me viam assim? Levou-me em troca dos meus conhecimentos sobre Regan…

Língua de Ferro sentiu o azedume na sua voz, mas não se sentiu ofendido.

― É tarde demais para recriminações. A nossa relação não foi apenas um negócio, e ambos sabemos disso. Como também sabemos o que significamos um para o outro. Ambos amámos aquele homem, cada um à sua maneira.

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Guerreiro (Fonte: wallpapercave.com)

Aquilo quase fê-la engasgar-se. Engoliu o vinho e tossicou, antes de limpar os lábios com o antebraço e avançar um passo com o indicador em riste.

― Não, Língua de Ferro. Se admirou um homem, esse homem era Dzanela. Um salteador, um criminoso. Eu amei Regan, o homem.

― Um moribundo ― corrigiu.

― Um homem vivo ― sublinhou Ravella. ― Antes de Jupett Vance, foi o único homem que me tratou como uma mulher.

Língua de Ferro sorriu diante do insulto.

― Que seja. Antes de morrer, Regan contou-te um segredo. Foi esse segredo que contaste a Vance e foi isso que te fez cair nas suas boas graças. Quero saber que segredo foi esse.

Ela pareceu hesitar.

― Sander Camilli usou Allen para chantagear Regan, até lançar-lhe uma perseguição que acabou às portas de Selaba. Só isso. Jupett não me tratou melhor por saber disso, calculo.

Língua de Ferro assentiu.

― Mentes. És uma mentirosa, Ravella.

O olhar dela revelou incompreensão. E se ela não estiver a mentir?, pensou.

― Tudo o que sei é que amava aquele homem, e amo-o como nunca amarei outro.

― Nem mesmo Vance?

― Nem mesmo Vance. Mas estarei com ele até ao fim, para levar justiça ao seu carrasco.

Língua de Ferro suspirou profundamente.

― Pretendes matar Sander Camilli, então.

― Não foi Sander Camilli quem matou Regan, Leidviges Valentina ― disse uma voz da aba da tenda.

Jupett Vance.

Antes sequer de pensar na discrição do homem em abrir a aba que Ravella tão afincadamente se esforçara por amarrar, Língua de Ferro viu-o a erguê-la, para revelar as luzes de tochas em punho que passavam atrás de si. Vozes que não passavam de sussurros aos seus ouvidos apurados revelavam-se agora demasiado próximas para que as ignorasse. Um linguajar de homens hostis. Clarões dourados recortaram sombras na calva de Vance Cego quando ele baixou a aba e disse, com aparente serenidade:

― Há uma saída secreta do outro lado da tenda. Bortoli já sabe que estás aqui. Não te esqueças daquilo que és, um instrumento da essência. Ainda não o compreendeste na totalidade, mas não te admoesto por isso. Fui treinado desde criança para o que fiz e virei a fazer, e em alguns momentos até eu reservo para mim certas dúvidas. Mas terás de ultrapassar a tua ignorância em relação a certos assuntos. A compreensão está vedada a alguns instrumentos. Basta que deixes a aceitação serenar-te o espírito. Somos ajuramentados, tu e eu. Sabes o que tens a fazer, e isso deve chegar-te.

O tom impositivo com que falou não deixou margem para discussões. Língua de Ferro fitou o seu rosto sereno e olhar branco, tão enigmático como sempre o fora. Depois, volveu para Ravella, tão bela quanto confusa e envergonhada, e sentiu algum despeito por aquilo que lhe era vedado. Sentiu-se afastado de algo que lhe devia pertencer. Ravella avançou à sua frente para lhe indicar a saída secreta do pavilhão e ele seguiu-a, estudando os contornos ágeis do seu corpo e desejando-o para si. Não lhe dirigiu qualquer palavra ou olhar quando ela abriu uma orla de tecido descosido nos fundos da tenda e tocou-lhe na omoplata para o ajudar a sair. O toque teve o sabor de uma bênção.

Saiu para o exterior e não a voltou a ver. Homens armados de lanças e alabardas corriam para um lado e para o outro, vasculhando o acampamento à sua procura. Vance tinha razão. Não era hora para revolver o passado em busca de respostas. Havia trabalho a fazer. Havia um cerco a quebrar. No entanto, aquela frase pairava-lhe na mente. Não foi Sander Camilli quem matou Regan.
Para ler pelo Wattpad:

Sinopse | Capítulo Um | Capítulo Dois | Capítulo Três | Capítulo Quatro | Capítulo Cinco | Capítulo Seis | Capítulo Sete | Capítulo Oito | Capítulo Nove | Capítulo Dez | Capítulo Onze | Capítulo Doze | Capítulo Treze | Capítulo Catorze | Capítulo Quinze | Capítulo Dezasseis | Capítulo Dezassete | Capítulo Dezoito | Capítulo Dezanove | Capítulo Vinte | Capítulo Vinte e Um | Capítulo Vinte e Dois

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