Estou no Wattpad #23


Este podia ser, na verdade, o último capítulo de Língua de Ferro: Um Sacana Qualquer, se eu pretendesse arrastar a jornada do salteador para uma duologia ou trilogia. Acontece que, mesmo que venha a escrever mais sobre Semboula no futuro, será uma outra história, com outros protagonistas. Ainda assim, este capítulo é crucial para o desenvolvimento da trama e marca um virar de página para o último arco de história do meu livro de leitura online. Depois de confrontar Ravella para os segredos que esta partilha com Jupett Vance, Língua de Ferro vê-se perseguido pelos homens de Mario Bortoli, no coração do seu próprio acampamento. O que irá ele fazer? Espero que gostem.

CAPÍTULO VINTE E TRÊS: QUEBRAR UM HOMEM, QUEBRAR UM CERCO

“Inseparáveis, eu e o meu diabo percorremos as noventa dunas que separavam Erratia do extinto Mar Rezoli. Testemunhamos o dealbar de novas formas de subsistência, o fim de antigos hábitos e tornámo-nos, nós próprios, sobreviventes. A velha cidade de Kang parecia ter sido feita de madeira estalada, e os poucos habitantes que ali encontramos pouco poderiam suprir das nossas necessidades. Sem água, não havia mais daquela sopa de nabo que tanto a tornara famosa. Os jovens haviam migrado para leste, onde a oportunidade de se alistarem no exército afigurava-se um melhor consolo a permanecer por ali. Conheci um velho bardo sem um olho, chamado Rigga, que falou numa fação científica a quem chamava Os Ótimos, que disseminava novas técnicas de cultivo e plantação. Também sugeriam alternativas alquímicas para serem usadas na culinária. Não posso assegurar que os locais se mostraram recetivos às técnicas vanguardistas d’Os Ótimos, mas não havia muito a regatear quando a garganta estava seca e o pó de areia arrepanhava-a, ainda que pudesse ser mais comestível que os seus próprios cozinhados. Foram ramais dessa primeira comunidade científica, patrocinadas pelo Império, quem trabalhou no desenvolvimento da Revolução Industrial que testemunhei nos anos que se seguiram. Plantações regadas a óleo floresceram nas terras mais férteis, enquanto licores com gosto a leite se comercializavam nas cidades. A via ferroviária seguiu-se, num espaço de cinco anos. Tornou-se, a bem dizer, o meu ganha-pão.”

Um ditado antigo falava que aquele que mais baralhava as runas, menos sabia do seu destino. Atualmente, as artes da adivinhação através de letras esculpidas em osso estava restrita aos nómadas tribais, mas Língua de Ferro criara um ditado com significado similar. Aquele que mais mexe na merda menos sabe qual é a sua, e Mario Bortoli era daqueles homens que podia não ser responsável pelas maiores atrocidades, mas não seria mal empregue pagar por elas.

Bortoli regressou à sua tenda com uma expressão afligida, logo depois de orientar os responsáveis máximos pelas equipas de busca na peugada do sacana que lhe escapava por entre os dedos, quando deu com esse mesmo sacana deitado no seu catre almofadado a pele de felino do norte. Estava a fumar de um dos seus charutos, com dois incensórios de bronze acesos, um de cada lado do catre.

Os seus dedos trémulos roçaram na manga de cetim da sua túnica, em cujo compartimento secreto se escondia uma adaga finamente trabalhada, que se revelou comprida e esguia na sua mão balofa, com um punho de bronze cheio de detalhes rezolis e placas de esmalte verde nas guardas ornamentais. As moscas que lhe reclamavam os cabelos empapados em suor, as gotas que se lhe derramavam pela testa sebosa e a expressão aterrada ao fitá-lo tornaram-se secundários para Língua de Ferro quando sentiu o odor nauseabundo que encheu o pavilhão.

― Cagaste-te, Bortoli? ― perguntou com uma gargalhada. ― Cagaste-te mesmo, não foi?

A adaga ornamentada foi fechada no punho decidido de Bortoli, impelido pela zombaria do seu inimigo.

― Maldito filho da mãe ― guinchou, como um porco. ― Guardas! Guardas!

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Golden sand (Fonte: matchack.deviantar.com)

― Isto podia ter sido tão diferente, Bortoli. O que é que pretendes fazer com essa adaga? Atirá-la contra mim? Arrico a dizer que a possibilidade ínfima de acertar-me reduz-se à nulidade, tendo em conta os meus reflexos e a tua pontaria, já para não falar no teu estado… alterado. Irás lançar-te contra mim e tentar golpear-me? Segurarei o teu pulso e abrir-te-ei o ventre antes que sequer dês por isso.

― Guardas! ― gritou Bortoli, com todo o ar que lhe restava nos pulmões.

As sombras que dominavam o interior da tenda, ludibriadas pelas chamas de dois archotes e de um braseiro aceso ocultavam o vazio no olhar de Língua de Ferro, mas não disfarçavam o brilho acutilante da lâmina nua que repousava sobre as suas pernas. Mario Bortoli conhecia-a bem, pois Língua de Ferro mantinha Apalasi tão bem estimada como quando a conhecera, graças à lanolina e à gordura de cabras quando a cera de lã escasseava.

― Língua de Ferro, seu maldito bastardo, não te chegou tudo o que me tiraste? A virilidade, o orgulho, a confiança de Dooda?

O salteador sorriu. No fundo, sempre fora aquilo que os separava. Bortoli era o que se chamava um típico lambe-botas, tentando sistematicamente ganhar o favor de Dooda Vvertagla quando Língua de Ferro, sem fazer nada para além de ser ele próprio, conquistara a amizade do homem. Isso causou a inimizade entre ambos, que a traição aos Doze Vermelhos veio agigantar.

― Eu quis entregar-te a coroa de acanto, Bortoli. Coloquei-me ao teu serviço quando cheguei ao acampamento rezoli com Dooda ao meu lado. Entreguei-te o exército que tinha conquistado na Prisão.

― Sempre soubeste que essa aliança era areia atirada para os olhos ― grunhiu Bortoli, esganiçado. Segurava a adaga com tanta força que parecia quase esmagar o seu punho. ― Nunca confiei em ti, e tinha razões para isso. Aliaste-te a Marovarola contra mim.

Língua de Ferro meneou a cabeça.

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Earth mage (Fonte: hunqwert.deviantart.com)

― Não aconteceu necessariamente nesses moldes. Também tu te aliaste a Marovarola, e ele só não ativou a armadilha em que me colocaram porque tal não lhe foi conveniente. Precisou de mim. Tu tornaste-te um problema mais premente. Eduarda, para quem servia, tinha outros planos. Mas no fundo, tens razão. Eras o Mecenas, tinhas dinheiro e exércitos, e era isso o que eu precisava. Enquanto eu era um peão para ti, tu eras um peão para mim. No final, ambos queríamos o mesmo, sem suspeitar que eram os nossos irmãos de armas quem o possuía. A coroa de acanto.

A fúria venceu o terror na expressão de Bortoli. Não compreendia porque é que os seus guardas tardavam em chegar. Atreveu-se a lançar o olhar para a aba do pavilhão, fechada. As sombras vindas do exterior denunciavam as silhuetas dos guardas, nos seus lugares habituais.

― Perguntas-te porque é que eles não vêm em teu auxílio? Escusado será dizer que isso tem dedo meu.

Bortoli soltou uma risadinha.

― O que é que prometeste aos indígenas, para que eles me entreguem deste modo tão desleal?

Língua de Ferro não lhe respondeu, mas estudou o charuto que tinha na mão e fungou.

― Tabaco. Mandaste os rezolis rastrear o acampamento em busca de tabaco, lembras-te?

― Eu… ― As palavras morreram-lhe na boca. Ambos sabiam que essa ordem não havia saído dos seus lábios. ― Isso significa que os homens ali fora…

― Viste-os quando entraste, mas devem ser-te demasiado familiares para suspeitares de uma mudança de turno. São os homens que eu libertei. O meu exército. O exército que tu me roubaste. A lealdade é difícil de roubar, meu amigo. Embora, por vezes, pareça fácil fingi-lo, especialmente se alguém se mostrar tão generoso como tu. Eles precisavam de um líder e limitaram-se a seguir-te, mas também é verdade que sempre favoreceste os rezolis e os rhovianos, uma vez que te garantiam maior número no campo de batalha.

Bortoli exibiu um sorriso nervoso.

― Tocaste num ponto interessante. Esses homens estariam em menor número contra qualquer um dos meus outros exércitos.

― Não te preocupes com isso, Bortoli!

― Não sou eu quem tem que se preocupar.

Mario Bortoli pareceu subitamente menos terrificado, como se aceitasse o destino que o aguardava.

― Vais matar-me, não é?

Língua de Ferro fez que sim com a cabeça, cheio de aparente descontração.

― Ambos sabemos que sim.

― E que espécie de vitória pensas alcançar? Que espécie de controlo julgas tu que deterás sobre os meus homens? Poderão ficar confusos, mas terão Vance a liderá-los, e o cerco não cairá. Vance previu-o. Talvez querias tomar-lhe as rédeas, mas não deves subestimar o meu comandante. Ele não é um sacana qualquer.

O salteador deitado sobre o catre soprou uma baforada de fumo por entre os lábios.

― Pois não. Efetivamente, Vance não é um sacana qualquer. Mas eu sou.

― Sugiro que me mantenhas vivo ― disse, demasiado depressa, devolvendo algum nervosismo à sua expressão gordurosa. Fez a adaga regressar à manga e emprestou um tom de súplica à sua voz. ― Podes usar-me como refém, sem que ninguém o saiba. Une-te a mim, se te aprouver. Conquistemos Chrygia em conjunto. Deixar-te-ei com a cidade; deixar-te-ei com a coroa de acanto. Regressarei a Veza, se me deixares vivo. Irei agora mesmo, se assim o determinares.

Língua de Ferro pareceu refletir naquilo.

― Nenhum homem inteligente deixa o seu inimigo vivo, depois de o ver acobardado ― disse algum tempo depois.

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Sandstorm (Fonte: llamllam em deviantart)

Viu na expressão de Bortoli o quanto ele estava desejoso de recuperar a sua vida, a sua liberdade, a sua arrogância.

― Ora, Val, és bem melhor do que isso.

Língua de Ferro inclinou-se então para a frente, e o seu rosto tornou-se distinguível pelo clarão de archotes. Mario Bortoli viu o seu olhar branco e a expressão dura como uma rocha, de dentes cerrados.

― Tu mataste Luce, eunuco. Tu mataste a mulher da minha vida e vais morrer por isso.

Com um assomo de terror, Bortoli cambaleou na direção do braseiro aceso e empurrou-o contra o solo. Óleo a arder irrompeu pelas carpetes e uma chama ampla logo separou o Mecenas de Língua de Ferro, a oportunidade para o homem tentar a sua fuga.

Como um leão a atacar, Língua de Ferro pegou em Apalasi e saltou sobre a cortina de fogo que ainda se elevava, alimentada pelos ricos tecidos do pavilhão. Alcançou Bortoli quando este tocava na aba, para se esgueirar, e virou-o para si por um ombro com tal violência que o terror no olhar do indivíduo quase o fez compadecer-se dele.

Língua de Ferro, porém, não era um homem sensível nem tão pouco um homem bom. Deixou cair Apalasi aos seus pés e a espada encontrou cama na areia sem dificuldade. Depois, removeu o cinto da sua cintura e voltou a virar Bortoli, para amarrar-lhe os pulsos inchados. Bortoli estrebuchou e debateu-se com os ombros, mas uma cabeçada do seu inimigo silenciou-o.

Quando Mario Bortoli acordou, parecia confuso e o mover dos lábios dizia estranhar o gosto na sua boca. As moscas zuniam à volta do seu rosto, e algumas passeavam-lhe pelas têmporas. Estava completamente nu, amarrado pelos pulsos e tornozelos sobre o catre. Os seios eram tão pesados como os de uma mulher, pendentes e sebosos, e bóias de gordura lamelavam-lhe o ventre. Opyas “Boca de Sapo” Raymon apagava os últimos vestígios de fogo, reduzidos a alguns penachos de fumo, com uma vassoura velha. Língua de Ferro observava-o de pé, ao seu lado. Bortoli parecia querer lançar-lhes uma praga quando sentiu algo viscoso a derramar-se-lhe dos lábios.

― Tem um gostinho delicioso, não tem Bortoli? ― perguntou Língua de Ferro. ― É o gosto da tua própria merda. Aposto que nunca comeste nada tão saboroso, hein?

Sem sobreaviso, Língua de Ferro encheu-lhe a boca com mais excrementos castanhos e nauseabundos, e fechou-lhe os lábios com a mão. Bortoli viria a morrer, engasgado ou asfixiado com os seus próprios dejetos. Os seus olhos ampliaram-se de aflição e estavam assim, abertos, quando se imobilizou. O salteador de olhos vazios virou-se para Raymon quando o Mecenas morreu.

― Obrigado pela mãozinha, Boca de Sapo.

O homem soltou uma risada irónica e encolheu os ombros.

― Um foguinho de nada, na verdade! E a cagadeira de Bortoli estava ali à mão. Uma sorte ainda não a terem trocado.

― Não estou a falar disso. Estou a falar da forma como ludibriaste os rezolis a afastar-se da tenda, com a história do tabaco, e de como subornaste alguns dos homens a alinhar nisto. Achas que teria hipóteses em recuperar o meu exército?

Boca de Sapo voltou a encolher os ombros.

― Com Bortoli morto, talvez. Nenhum deles era bem leal a ele, mais ao que ele lhes proporcionava. Neste momento, você acabou de tirar-lhes o sustento, mas daqui por uns tempos esquecerão isso tudo.

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Fantasy warrior (Fonte: playbuzz.com)

Língua de Ferro lavou as mãos sujas num recipiente cheio de água e limpou-as a uma toalha. Depois, esticou uma caixa de acácia ornamentada na direção de Boca de Sapo. Tinha a tampa aberta e o interior almofadado a veludo guardava uma bela coleção de charutos.

― Toma! Prometido é devido. Jurei que ficarias com os charutos do Mecenas se me ajudasses nisto. E, pelos malditos deuses mortos, não teria sequer encontrado Empecilho se não tivesse concertado tudo contigo.

Boca de Sapo assentiu com a cabeça e afastou a vassoura com que afastava o lixo para segurar no cofre. Sorriu ao agarrá-lo, e logo o colocou de lado, sobre um cómodo.

― Obrigado. Sabe bem que não foi por causa dos charutos do Mecenas que o ajudei. Ajudei porque gosto de si. É um pouco estranho, e está mais estranho ainda, agora que parece tão cego como Vance e continua a parecer ver tão bem como ele, mas ainda assim gosto de si. Gostaria de vê-lo como imperador, Língua de Ferro, só para poder dizer em Veza e em Constania que ajudei o lendário Língua de Ferro a tornar-se um.

Língua de Ferro acreditava nisso. Tinha, porém, a cabeça concentrada no que lhe faltava fazer. A noite chegava ao zénite e ainda havia trabalho em mãos. Matar Bortoli fora brincadeira de criança. O que tencionava fazer em seguida era uma tarefa de herói.

A coberto de um manto em pele de lince, colocado sobre a cabeça, fintou as milícias de rezolis que ainda vasculhavam o acampamento à sua procura. Encontrou Empecilho a aparelhar Hije, junto à cruz de madeira onde Allen permanecia crucificado.

― Tive dúvidas que encontrasses Hije. Fizeste um bom trabalho, Empecilho. ― Sentia-se verdadeiramente grato por o rapaz ter encontrado o seu esconderijo. Tinha o rosto pálido como cal e gaguejava, mas sabia exatamente porquê. Trazer o diabo até ali, mesmo assim, dizia-lhe que podia confiar no rapaz.

Língua de Ferro escalou a trave de madeira. Arrancava os pregos às palmas das mãos de Allen, cobertas de escaras e veios de sangue seco, quando o rapaz ganhou coragem para perguntar:

― Aquilo que eu vi, foi você? Os cadáveres?

Língua de Ferro desceu da cruz com o corpo do moribundo Allen sobre um ombro, e colocou-o sobre o diabo antes de o montar. Alguém pareceu ver o que eles estavam a fazer, porque viu braços a serem apontados na sua direção, e uma boa dezena de indígenas rezolis a correr para lá. Língua de Ferro estava acomodado à sua sela, com um Allen inconsciente e gravemente ferido à sua frente, quando estudou o rosto ténue do rapaz. Esmagou uma mosca que se passeava pela garupa de Hije com ambas as mãos.

― Sim, fui eu. Não me orgulho disso. Agora, cumpre a tua parte. Grita aos sete ventos que um homem sequestrou o prisioneiro, e que o leva para a cidade. Fá-lo, e vai ter com Boca de Sapo. O nosso antigo prisioneiro de cela está comigo. Sabe o que terão que fazer em seguida. Eu não sou um homem bom, Empecilho, lembra-te disso, mas posso ser o melhor para Semboula.

Com essas palavras, puxou pelas rédeas e Hije soube qual era a sua função. O diabo avançou pela areia em direção aos megalíticos portões de Chrygia, uma cidade colossal prenhe de cores lilases na noite escura. Homens armados de lanças e maças lançaram-se na sua perseguição, sem perceberem que estavam a morder o isco do homem que os iria conduzir à morte. Não havia ali nenhum líder que lhes gritasse que estavam a cair numa armadilha. O cerco quebrava-se, e Chrygia estava preparada para se defender. A meio do percurso, Língua de Ferro hasteou uma longa bandeira, que trouxera consigo dos Poços.

A bandeira do Império.

Para ler pelo Wattpad:

Sinopse | Capítulo Um | Capítulo Dois | Capítulo Três | Capítulo Quatro | Capítulo Cinco | Capítulo Seis | Capítulo Sete | Capítulo Oito | Capítulo Nove | Capítulo Dez | Capítulo Onze | Capítulo Doze | Capítulo Treze | Capítulo Catorze | Capítulo Quinze | Capítulo Dezasseis | Capítulo Dezassete | Capítulo Dezoito | Capítulo Dezanove | Capítulo Vinte | Capítulo Vinte e Um | Capítulo Vinte e Dois | Capítulo Vinte e Três

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