Estou no Wattpad #24


Mais uma semana, mais um capítulo de Língua de Ferro: Um Sacana Qualquer, o meu livro de leitura online. Como vos disse, até ao início de junho postaria capítulos semanalmente, e aqui está o capítulo 24, que representa a primeira página de Língua de Ferro na cidade de Chrygia depois de, no capítulo passado, contar-vos a morte de um personagem central na história e dar-vos a perceber parte dos planos do nosso protagonista em tornar-se Imperador. Espero que gostem.

CAPÍTULO VINTE E QUATRO: A INTENDENTE

“Assaltar comboios a vapor tornou-se brincadeira de crianças. A velocidade de Hije cobria facilmente a dos veículos. Com ganchos de abordagem ou com as minhas próprias mãos, arremessava-me da sela estalada pelo sal para as lamelas quentes das composições. O mais divertido era sempre entrar nas carruagens, em grande estilo, ver a incredulidade dos seus habitantes estampada nos rostos, os lábios a franzirem-se, as rugas a formarem-se-lhes entre as sobrancelhas, a intocabilidade dos senhores a desmoronar numas boquinhas adoravelmente abertas e a das senhoras nuns gritinhos assustados que se derramavam da profundeza das suas gargantas e quase podiam ser interpretados como guinchares suínos ou gemidos de êxtase. Agradava-lhe vê-los borrados de medo. Toda a sua gabarolice, presunção e altivez transformada num horror inesperado. Vassalos da sua imponência. Vê-los subordinados a si, aquelas matronas de Veza e Constania, os todo-o-poderosos mecenas das cidades portuárias, reduzidos diante da polidez dos seus músculos e o brilho afiado da sua espada. Nunca lhe faziam oposição. Por vezes, até lhe suplicavam que lhes levasse os seus pertences. Nunca matou ninguém, a não ser num caso pontual em que o surpreenderam com os dentes e pelas costas, mas garantia sempre que toda a sua nobreza se desfazia numa humilhante mendicância. Até aos dias de hoje, ainda se contam histórias de como o Marquês de Costavallia chegou à cidade, amarrado de cabeça para baixo no assento e nu como veio ao mundo, enquanto que a sua esposa, uma matrona de quase duzentos quilos, fora amarrada na base da plataforma, igualmente nua e de traseiro para o ar. A boca do Marquês ficara humilhantemente próxima das suas nádegas.”

Uma porta de dois metros de altura abrira-se no imenso portão principal e uma ponte de madeira fora atirada para o fosso, fazendo Língua de Ferro atravessá-la, montado no seu diabo de estimação, enquanto os canhões chrygianos transformavam a rebelião de Bortoli num espirrar contínuo de sangue e miolos por todos os santos lados.

― O Imperador ― balbuciou. ― O Imperador. Salvem-no, por favor. O inimigo fê-lo prisioneiro. Por favor, levem-no a um curandeiro, por favor. Por favor…

Língua de Ferro foi recebido de olhos fechados e mãos no ar, deixando Apalasi presa à anca. Mãos cobertas por cota de malha conduziram-no por um bom quilómetro de areia, até que o atiraram para o chão. Mosquetes e alabardas apontaram na sua direção e as atenções mais relevantes centraram-se no moribundo Allen.

― Hije ― assobiou, lançando um olhar para o lugar onde um par de soldados imperiais lhe tentava colocar uma rede sobre a cabeça, e com ela um açaime. O diabo resfolegou e agitou a cabeça, fazendo-lhe a crina ondular. Elevou-se nas patas traseiras e só o assobio tranquilizador de Língua de Ferro o impediu de engolir as cabeças cobertas de metal e malha de aço dos soldados. Baixou as patas e deixou-se açaimar, enquanto Língua de Ferro voltava a concentrar-se nos homens à sua volta.

Allen era levado numa padiola em pele de cabril para longe, depois de um dos oficiais atestar os traços de Landon X no seu rosto. O mesmo oficial que se dirigiu a Língua de Ferro em passos largos. Abriu o elmo para desvendar um par de dentes podres e um bigode escuro e felpudo.

― Quem és tu e o que bosta fazes com o nosso Imperador? És um maldito rezoli, caralho.

Língua de Ferro baixou o olhar, para que os seus longos cabelos azul-turquesa cobrissem o branco do seu olhar. Se o julgassem cego, teria muito a explicar de como chegara até ali com o Imperador.

― Chamam-me Língua de Ferro, senhor. Decerto já ouvistes falar de mim. Salteador dos desertos, chamam-me. Aquele que traiu os Doze Vermelhos. O vosso Imperador foi sequestrado em Veza, como bem sabeis ― disse. ― Ou talvez não. Seja como for, eu salvei-lhe a vida das mãos da Rebelião, mas Bortoli voltou a colocar-lhe as mãos em cima, às portas de Rhove. Na batalha em que o general Cane morreu. Fui contactado por Anéis da Morte para o recuperar e foi isso o que eu fiz. ― Fingiu algum arrependimento e tossiu para aclarar a garganta. ― Não tenho mais nada para dizer-vos. Quero uma audiência com os vossos superiores, sejam eles quem forem.

O oficial cuspiu meia dúzia de pragas antes de o atirar ao chão com um pontapé no ombro que não podia magoar uma criança. Depois colocaram-lhe um saco de pano negro sobre a cabeça e tudo ficou mais escuro.

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The Son of Sand (Fonte: 0BO.deviantart.com)

― O meu diabo. O que lhe vão fazer?

― Diabos são transporte indígena. Veículo de hereges e blasfemos. Adoradores de Khsem ― disse o oficial. ― Não são permitidos em Chrygia, mas não lhe faremos nada até que a Intendente dê ordens para isso.

A Intendente. Língua de Ferro já ouvira falar nessa figura de poder. Uma das favoritas de Camilli, que se transformara na comandante-em-chefe dos exércitos chrygianos, os quais geria com mão de ferro. Língua de Ferro desconfiava que as histórias que se contavam a seu respeito fossem exageradas, uma vez que Dooda, Eduarda e Luce eram as verdadeiras forças dentro do Império. Pelo menos, era o que ele julgara, mas não podia olvidar o estatuto que o próprio Camilli angariara para si. Não foi Sander Camilli quem matou Regan, pensou. Pelo menos, eram essas as palavras de Vance. As últimas palavras que lhe ouvira. Mas, se tal fosse verdade, quem raios o tinha morto? E por que Eduarda lhe mentira a respeito? Amarraram-lhe os pulsos e colocaram-no sobre um camelo, o que obrigou ao esforço dedicado de seis mãos chrygianas.

Ouvia o disparo de canhões e mosquetes nas muralhas a afastar-se, enquanto o camelo que o dirigia, conduzido por um soldado chrygiano, avançava pela areia miúda e branca e poeirenta. Importunou o soldado com perguntas e gracejos, mas ele revelou-se mais estóico e silencioso que uma pedra. Ninguém suspeitava que ele visse fosse o que fosse sob aquele pano escuro e denso, mas ele via. Cobriram-no para evitar que ele descobrisse o caminho de regresso, se pretendesse fugir, ou talvez para o impedir de conhecer os podres de uma civilização que se dizia soberba.

Depois de cruzarem o portão rudimentar da muralha interior, viu as ruas cheias de pó, as crianças a correrem descalças e sem fôlego, as esquinas esfaceladas de edifícios devolutos. Viu as torres quebradas da cidade velha a jorrarem poeira das escoriações. Sentiu o odor a fruta podre, a merda e a mijo e a pus. Sentiu o perfume inebriante da gangrena e da devassidão, o cheiro a sangue e a sexo, tão profundamente opostos como semelhantes. As feridas magoavam, a lascívia consolava. Ambos transpiravam a podridão. Havia mendigos à porta dos poucos estabelecimentos abertos, mas eles confundiam-se com os habitantes mais abonados daquele bairro, que faziam fila pela maçã mais bonita do vendedor ambulante. Eram todos pele e ossos cobertos por andrajos acastanhados pela porcaria e espuma de baba a formar-se-lhes nos cantos das bocas.

Arcadas velhas cheias de símbolos gravados em pedra sucediam-se umas às outras, quando as ruas começaram a inclinar-se num gigantesco talude de pedra que antigamente chamavam de Bosta dos Deuses. A cidade prateada de Chrygia.

A cidade nova era todo um requinte de odores. Às especiarias tradicionais, como a canela, o açafrão e a noz-moscada, juntavam-se o perfume a rosas das lojas modernas, o cálido cheiro a castanhas grelhadas e a espetadas de aves, vendidos na berma da estrada por mulheres e crianças roliças. A manufatura era ali substituída pelo som de roldanas e de trabalhos sofisticados, como as bancas de amola-tesouras. As casas revelavam bom estado de conservação, edifícios geminados de dois ou mais andares, feitos em pedra e cimento. Lâmpadas de metal marginavam cada janela, apagadas à luz do dia; Língua de Ferro podia suspeitar que um qualquer sistema de canalização a gás acendia aquelas lâmpadas à noite, através de um processo alquímico que lhe conferia a coloração lilás que lhe dera fama. Sorriu ao passar por uma praça onde imperava uma estátua em argila de três metros com o rosto de Allen estampado na fronte. Quantas mentiras atiras ao mundo?, perguntou.

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Ancient City (Fonte: pinterest.com)

No topo do talude ficava um imenso edifício hexagonal cuja fachada exibia um entablamento cheio de mísulas e detalhes do período pré-Domasi. Todos sabiam que ele compreendia setenta palácios, mais de cem jardins e, nas suas traseiras, uma enorme ponte de pedra dava acesso a um edifício mais pequeno, semelhante a um templo, que era a sede do Senado, muito embora todos falassem daquilo como um só edifício, um só palácio. O Capitólio. O Palácio Supremo de Chrygia.

Foi para uma casa cúbica de dois andares, nas imediações, com um terraço de betão e sem telhado, que se dirigiram. A guarda armada abriu-lhes passagem e os camelos internaram-se na casa, para um átrio fresco onde uma fonte seca lembrava a desgraça da civilização. Uma longa correnteza de balaústres cercavam o átrio, proporcionando uma vista privilegiada do andar cimeiro. Língua de Ferro sentiu um formigueiro no braço quando um menino de olhar branco o viu de um desses balaústres, e logo desapareceu por detrás de um pilar nodoso e maciço.

― Caspare, seu desgraçado. O que fazes aqui? ― perguntou a mulher velha de sandálias que acabara de entrar uma arcada oriental. O oficial desmontou do camelo e resmoneou algo entredentes.

― Minha senhora, creio que esta é uma situação emergente.

Se aquela mulher magra e de ossos débeis, com longos cabelos brancos escorridos como cortinas pelos ombros ossudos era a famigerada Intendente, então a sua fama ultrapassara-a. Era esquálida e frágil, com uma camisa de linho e umas calças de anéis de prata que tilintavam a cada passo. Quando o oficial lhe contou o ocorrido, a mulher lançou a Língua de Ferro um olhar de relance. Tinha olheiras profundas e um rosto chupado, mas havia algo no seu olhar que o amedrontou. Era duro e confiante, mas também cansado e impaciente. Imprevisível.

― Façam-no descer desse camelo. Onde está o Imperador?

― Levaram-no para o quartel. Sefondos ficou responsável por ele, mas mandei já Gelabra chamar o Cirurgião.

A Intendente bufou de desagrado, enquanto os homens fizeram os joelhos do camelo fletir para removerem Língua de Ferro de cima dele.

― O Cirurgião tem muito mais para fazer do que sair do Capitólio para cuidar dos ferimentos desse palerma ― guinchou.

Dirigiu-se a Língua de Ferro e tirou-lhe o pano da cabeça. Sorriu ao contemplá-lo, mas sentiu-se de imediato cautelosa ao ver o seu olhar vazio.

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Sexy military woman (Fonte: pinterest.com)

― Por que raios vedaram este idiota? ― perguntou. ― Ele está cego. E amarraram-no? O gajo deu-nos a vitória. Quebrou o cerco e trouxe-nos o Imperador.

Caspare gaguejou.

― Minha senhora, limitei-me a seguir o protocolo. Pensei…

― Cala-te ― rugiu a Intendente, virando a sua expressão de dentes tortos para ele. Fez relaxar os ombros. ― Fizeste o que estava certo. Agora regressem para as muralhas, ainda são necessários por lá.

O oficial assentiu com a cabeça e fez uma pequena mesura. Antes de baixar o elmo e lhe virar costas, porém, perguntou:

― Este homem é Língua de Ferro, senhora. Há um prémio pela sua cabeça. É considerado perigoso e promotor da Rebelião. Tem a certeza que quer que o deixemos aqui?

A Intendente fitou-o com aspereza, e apenas o seu olhar foi o suficiente para que o oficial se desculpasse com uma nova mesura, concertando os homens para sair do edifício. Ainda não tinham saído do átrio quando a Intendente fez sinal para que Língua de Ferro a seguisse pela arcada de onde tinha surgido, ainda que não o libertasse da corda que lhe prendia os pulsos. Ele seguiu-a por uma alcova ampla, cheia de escravos uranianos nus, com a pele tão pálida que quase parecia transparente. Alguns seguravam folhas de palmeira, enquanto outros, maioritariamente mulheres, lavavam alguns homens chrygianos num tanque cheio de óleos. Uma guarda armada vigiava-os de lanças em punho.

Passaram por eles e transpuseram uma longa cortina de missangas escurecidas pelo fumo de tabaco. Do lado de lá esperava-os um estrado amplo e vazio, onde a Intendente se deixou afundar numa dezena de almofadas, parecendo por um segundo revelar os desconfortáveis sintomas da idade. Estavam longe dos guardas e dos escravos, a coberto pelas cortinas, longe o suficiente para que Língua de Ferro pudesse esganar a mulher e fugir. Apalasi mantinha-se presa à anca esquerda.

― Sabe quem eu sou, Língua de Ferro? ― perguntou a idosa, como se lhe estivesse a ler os pensamentos.

Manteve-se de pé à sua frente e sorriu.

― A Intendente de Chrygia. A favorita de Sander Camilli. Falaram-me de si.

A mulher abafou um risinho com uma mão e afastou o ar à sua frente com a outra.

― Sabe tão bem quanto eu que as histórias que se contam a nosso respeito têm um montão de coisas ridículas pelo meio. Sou esposa de Sander há vinte anos, mas creio que ele não me fode há mais de dez, por isso será difícil que me chamem de favorita. Para além disso, todas as outras são escravas. Ele não é polígamo, que se saiba. Ainda assim, nenhum dos seus filhos saiu de dentro de mim. Sou estéril. O meu nome é Stella Cristina Ravasi e dizem que sou uma grande cabra, que é das poucas coisas, das que são faladas a meu respeito, com que posso concordar. Temos muito em comum, Leidviges Valentina.

Língua de Ferro assentiu. Começava a gostar dela.

― Como assim? ― perguntou.

― Ora, ambos sabemos que tinha um objetivo em mente ao quebrar a Rebelião e devolver-nos Allen.

― Ganhar o apreço do Império e talvez uma estátua em minha honra ― respondeu com um tom de sarcasmo. Nenhum deles tinha a certeza de que estava a ser sarcástico.

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Knight – Dungeon 210fantasy (Fonte: pinterest.com)

― O primeiro passo para conquistar o Império seria quê? Ganhar a amizade de Sander? Talvez pense isso, porque acredito piamente que Eduarda lhe tenha contado como são as coisas por aqui. Ouvi falar do rebuliço em Ccantia. Talvez julgue que ser levado em ombros por Sander e matá-lo depois lhe conceda o amor do povo e a coroa de acanto. Permita-me dizer-lhe que está enganado.

Língua de Ferro fingiu um sorriso. A cabra era esperta.

― Talvez possamos chegar a um acordo, Stella.

― Talvez ― disse ela. ― Mas enquanto isso, prefiro que me chame de Intendente. É o que todos fazem por aqui. Também não sou ingénua a respeito do seu olhar. Chrygia tem sido visitada com muita frequência por pessoas cegas. Mais do que seria suposto. Tornaste-vos um escravo da essência, que é como alguns iluminados chamam a essa alucinação. Ou, pelo menos, um acessório dela.

Língua de Ferro cerrou os dentes.

― Não sou escravo de porra nenhuma. Ajo por mim, e para mim.

― Aqueles que são escolhidos em idade avançada sentem-se tentados a convencer-se disso ― afirmou.

― Escolhido por uma alucinação?

A mulher lançou-lhe um sorriso inocente e ergueu as mãos.

― Pronto, pronto, apanhou-me. Ela existe sim. Ou, pelo menos, o Império começa a acreditar na sua existência. Vários mensageiros têm chegado nos últimos anos. Vvertagla e Lucilla troçavam deles, mas Sander viu como os seus iguais caíram… e viu o poder de Mario Bortoli a agigantar-se, como esses mensageiros vaticinaram. Testemunhou alguma da sua magia e…

― Quem é aquele miúdo lá em cima?

― Nada lhe passa despercebido, já vi. Calculo também que se reconheçam uns aos outros. É o filho mais novo do meu esposo. Dele e de uma escrava. Ficou cego pouco depois de nascer, e desde então parece ver melhor do que qualquer outro mortal. É visto como um santo por aqui.

Língua de Ferro compreendeu.

― Isso explica a súbita religiosidade de Sander Camilli e o porquê de ter colocado as filhas de Eduarda nos Poços.

A expressão da Intendente ensombrou-se. Percebia que ele estava informado de coisas sigilosas.

― Eduarda tornou-se um problema sério. Refutou as crenças de Sander, moveu-lhe uma perseguição religiosa, tentou influenciar senadores a afastá-lo do poder e até tentou envenená-lo. Ele e Lucilla usaram Varro e ainda tentaram matar Allen. Sander fez de tudo para o salvar, eles sempre foram próximos. Mas Anéis da Morte revelou-se mais ardiloso do que nós presumíamos e usou-se das jogadas mais sórdidas para fazer valer a sua vontade. A coisa só piorou quando as filhas deles viraram uns demónios e tentaram matar o pequeno Anos. Fomos obrigados a tomar medidas drásticas.

Língua de Ferro suspirou. Não sabia qual a versão da história em que haveria de acreditar, mas alguém lhe mentia. Fosse Eduarda ou a Intendente, iria descobrir a verdade.

― Seja como for ― disse ― grande parte dos vossos problemas parece estar resolvido. Allen está de novo entre vós. Lucilla foi morta por Bortoli. Eu matei Bortoli por isso, e de caminho matei também Anéis da Morte. Ah, esqueci-me de lhe contar um pormenor. Também vos conquistei os Poços.

Para ler pelo Wattpad:

Sinopse | Capítulo Um | Capítulo Dois | Capítulo Três | Capítulo Quatro | Capítulo Cinco | Capítulo Seis | Capítulo Sete | Capítulo Oito | Capítulo Nove | Capítulo Dez | Capítulo Onze | Capítulo Doze | Capítulo Treze | Capítulo Catorze | Capítulo Quinze | Capítulo Dezasseis | Capítulo Dezassete | Capítulo Dezoito | Capítulo Dezanove | Capítulo Vinte | Capítulo Vinte e Um | Capítulo Vinte e Dois | Capítulo Vinte e Três | Capítulo Vinte e Quatro

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