Estive a Ler: One-Punch Man #2


Aconselhamos que se afastem de imediato do local caso encontrem uma pessoa careca na rua.

O texto seguinte pode conter spoilers do segundo volume da série One-Punch Man (Formato BD)

Foi cerca de dois meses após a publicação do primeiro volume, que a Devir lançou o segundo álbum de One-Punch Man, o mangá que relata a história de um herói que derrota os maiores monstros com um único murro. A publicação foi iniciada pelo argumentista One em 2009, através de uma webcomic. Em junho de 2012 a série tinha mais de 10 milhões de visualizações.

One, conhecido pelo trabalho em One-Punch Man, é também autor de Mob Psycho 100 e Makai no Ossan, enquanto Yusuke Murata, o ilustrador, notabilizou-se em Eyeshield 21, ao vencer o 122º Prémio Hop Step com o livro Partner, de 1995. Três anos depois alcançou o segundo lugar na corrida ao prémio, com Samui Hanashi.

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Prancha Devir

Um herói normal

O segundo volume começa com Saitama e o seu discípulo, o ciborgue Genos, na pegada do criador deste. O cientista criou um exército de ciborgues concebidos à sua imagem e semelhança, mas uma ou outra criatura não saiu bem executada, tornando-se aberrações. Saitama pensa enfrentar os seus novos inimigos com a facilidade que lhe é habitual, mas derrubar facilmente todo o edifício onde o cientista se havia sediado não resolveu o problema. É que o sujeito se escondeu num bunker subterrâneo.

É lá que convoca a aberração que ali se esconde para enfrentar o adversário que se avizinha. Saitama e o monstro medem forças e não só os inimigos como o próprio Genos ficam incrédulos quando ele revela que todo o seu poder se deve a mero treino. Um treino de três anos que se baseou em: 100 flexões, 100 abdominais, 100 agachamentos e 10 quilómetros de corrida. No entanto, Genos alerta-o para um problema: ele não está registado como super-herói.

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Prancha Devir

Vilões preguiçosos

Após o encontro com o cientista – que tencionava encontrar o soldado perfeito através dos seus clones ciborgues -, Saitama regressa à sua vida normal quando é surpreendido nos noticiários de que a cidade foi atacada por um grupo de vilões carecas que tencionavam reinvindicar o direito a não trabalhar diante da casa do homem mais rico da cidade. Saitama não teria ficado muito preocupado com isso, se os homens não tivessem a sua aparência. Confundido com um membro desse grupo, o herói não perde tempo em intervir.

Uma série de mal-entendidos levam Saitama a enfrentar esse bando de preguiçosos. O álbum termina, tal como aconteceu no primeiro volume, com um flashback do passado de Saitama. Ele mostra os tempos de estudante do protagonista, os treinos contínuos e os primeiros adversários que conheceu até se tornar finalmente no herói que a história apresenta.

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Capa Devir
SINOPSE:

Saitama conhece Genos – um ciborgue que quer descobrir o segredo atrás dos seus superpoderes e a sua vida desinteressante muda drasticamente! 

OPINIÃO:

O primeiro volume de One-Punch Man não me convenceu por aí além, apresentando um herói tipicamente invencível e uma série de antagonistas fracos – para além de um humor tão rebuscado que sempre me parecia forçado. Este segundo álbum, porém, melhorou em alguns aspetos. Saitama continuou a sua rota frívola de enfrentar monstros com uma grande leviandade e até tédio, pela falta de desafio que eles revelaram, mas de uma maneira ou de outra acabou por se desenvolver melhor como personagem do que havia sido feito no primeiro livro.

Boa aposta da Devir, a obra de One e Yusuke Murata alia um desenho cativante a uma narrativa episódica com bons momentos. Sem muitas falas, Saitama é carismático e ousado, e os personagens coadjuvantes contribuem em muito para lhe dar todo o protagonismo, pela importância que dão aos seus feitos. O melhor deste volume foi, mais do que a narrativa em si, os picos em que a fórmula funcionou.

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Prancha Devir

Estou a referir-me, mais concretamente, ao humor utilizado. Grande parte da minha pontuação deve-se às saídas cómicas dos personagens, que me fizeram achar uma leitura que valesse a pena. Irónico e divertido, o álbum foi permeado de cenas hilariantes ao longo das suas páginas.

O que menos funcionou, para mim, foi a narrativa em si. Os episódios trazem o tradicional embate herói contra monstro que a cultura japonesa (e não só) já nos habituou, tentando sem sucesso reverter o shounen cliché. Saitama é um personagem engraçado e convence o leitor pela sua invencibilidade, mas todos os encontros parecem repetições uns dos outros, e só o carácter subversivo do argumento consegue fazê-los interessantes. Não há um rumo para o herói. Não há um objetivo. Tudo é vago e muito igual. É uma leitura bem agradável, mas não prende nem motiva por aí além.

Avaliação: 7/10

One-Punch Man (Devir):

#1 One-Punch Man Vol. 01

#2 One-Punch Man Vol. 02

 

 

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One thought on “Estive a Ler: One-Punch Man #2

  1. Pingback: One-Punch Man #1 – Notícias de Zallar

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