Resumo Trimestral de Leituras #10


Chegámos ao meio do ano e como tal chegou a hora de proceder a um novo balanço trimestral de leituras. Neste segundo trimestre, o destaque vai para Robin Hobb, não só porque organizei um desafio relativo à autora californiana, mas também porque li três livros dela que andaram perto de ser os melhores deste trimestre. Melhor que Hobb só Patrick Rothfuss. Li as duas partes de O Medo do Homem Sábio, e embora a primeira tenha sido significativamente melhor, a Crónica do Regicida tornou-se uma das minhas sagas preferidas. As minhas leituras nos meses de abril, maio e junho foram:

One-Punch Man #1 – One e Yusuke Murata

O Diário do Meu Pai – Jiro Taniguchi

Poder e Vingança, Império das Tormentas #1 – Jon Skovron

Terra de Sonhos – Jiro Taniguchi

Presas Fáceis – Miguelanxo Prado

As Águias de Roma Livro V – Enrico Marini

O Regresso do Assassino, Saga O Regresso do Assassino #1 – Robin Hobb

Como Falar com Raparigas em Festas – Neil Gaiman, Fábio Moon e Gabriel Bá

Dejah Thoris #1 – Frank J. Barbiere e Francesco Manna

A Dança das Andorinhas – Zeina Abirached

O Rei Macaco – Silverio Pisu e Milo Manara

Imperador dos Espinhos, Trilogia dos Espinhos #3 – Mark Lawrence

A Fortaleza da Pérola, Elric #2 – Michael Moorcock

A História de um Rato Mau – Bryan Talbot

Bolos Janados, Tony Chu: Detective Canibal #6 – John Layman e Rob Guillory

Os Dilemas do Assassino, Saga O Regresso do Assassino #2 – Robin Hobb

Os Senhores do Norte, Crónicas Saxónicas #3 – Bernard Cornwell

A Louca do Sacré Coeur – Alejandro Jodorowsky e Moebius

A Garagem Hermética – Moebius

Nimona – Noelle Stevenson

O Medo do Homem Sábio Parte 1, Crónica do Regicida #2 – Patrick Rothfuss

All is Lost, The Walking Dead #28 – Robert Kirkman, Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano

O Medo do Homem Sábio Parte 2, Crónica do Regicida #2 – Patrick Rothfuss

One-Punch Man #2 – One e Yusuke Murata

Uma Ruína Sem Fim, Outcast #2 – Robert Kirkman e Paul Azaceta

Duas Vezes Contado, Harrow County #2 – Cullen Bunn e Tyler Crook

Sangue do Assassino, Saga O Regresso do Assassino #3 – Robin Hobb

Sem TítuloComecei o segundo trimestre com a leitura de alguma banda-desenhada. Publicado pela Devir, o primeiro volume da edição em mangá de One-Punch Man apresenta um super-herói entediado com a facilidade com que derrota os adversários. A Humanidade é frequentemente atacada por monstros, que parecem não ter fim. No entanto, este herói parece mais preocupado em manter o seu apartamento inviolado. Uma história provocadora, com argumento de One e arte de Yusuke Murata, que não me fascinou pessoalmente. Depois, li duas novelas gráficas da Levoir, da autoria de Jiro Taniguchi, autor falecido em fevereiro deste ano. Para além de tocante e reflexivo, O Diário do Meu Pai mostra que aquilo que compreendemos nem sempre está próximo da realidade. O outro álbum, Terra de Sonhos, apresenta cinco contos que mesclam a ternura à reflexão. Um casal sem filhos sofre com os últimos dias do seu animal de estimação, e quando ele morre juram não mais adotar nenhum outro. Mas quando uma gata persa, grávida, lhes surge nas vidas, tudo muda.

Sem títuloPoder e Vingança é o primeiro livro de Jon Skovron no registo fantasia adulta, com a marca de qualidade Saída de Emergência. Divertido e cheio de ritmo, o Império das Tormentas é um mundo bem construído que apresenta Esperança Sombria e Ruivo, dois personagens que vêm os seus percursos cruzar-se quando os criminosos que controlam Círculo do Paraíso começam a colaborar com os biomantes, servos místicos do Imperador. A escrita do autor não me convenceu, mas foi uma boa leitura. Piratas e ladrões, coleccionadores de arte e inventores, samurais, mutações humanas e perseguições sem fim. Disfarçado de alegoria, a BD da Levoir Presas Fáceis, da autoria do autor espanhol Miguelanxo Prado, é uma história inquietante sobre os interesses nefastos da banca. A burla é o tema central. Uma série de homicídios de pessoas ligadas à banca e o suicídio de um casal de idosos arrasta a inspetora Olga Tabares para uma investigação que levanta um sério debate moral. Saltei para o livro V da série gráfica As Águias de Roma, que oferece ao leitor um sucedâneo de emoções. Da revelação da paternidade de Tito à denúncia dos planos de Armínio, Enrico Marini desenha com precisão o clima bélico da Roma Antiga e coloca o embate entre Marco e o seu irmão de criação num patamar superior. Excelente álbum das Edições Asa, que prossegue a um ritmo altíssimo.

Sem TítuloComecei a segunda série de Robin Hobb focada em FitzCavalaria Visionário. O primeiro volume de O Regresso do Assassino mostra-nos o protagonista quinze anos mais velho. O mundo pensa que ele morreu, mas a verdade é que estabeleceu-se como camponês ao lado do seu lobo Olhos-de-Noite e acolheu um jovem órfão chamado Zar. A visita do seu amigo Bobo, agora transformado em Dom Dourado, e a revelação que o príncipe Respeitador desapareceu misteriosamente, colocam de novo Fitz na órbita de Torre do Cervo e das suas intricadas intrigas. Um volume que me fascinou do primeiro ao último momento, melhorando substancialmente em relação à primeira série. Depois de já ter lido o conto, há dois anos atrás, na antologia Coisas Frágeis, foi de bom grado que li a adaptação para BD de Como Falar com Raparigas em Festas. Pelas mãos da dupla brasileira Fábio Moon e Gabriel Bá, esta história de Neil Gaiman sobre dois jovens adolescentes nos anos 70 que, dedicados a fazer sucesso numa festa cheia de raparigas, descobrem que elas não são bem aquilo que pensavam, revelou-se uma lufada de ar-fresco. Divertido e despretensioso, é mais um excelente álbum trazido para o nosso país, desta feita pelas mãos da Bertrand.

Sem títuloCom argumento de Frank J. Barbiere e ilustrações de Francesco Manna, a BD Dejah Thoris é o primeiro volume de uma série da Dynamite Entertainment sobre a princesa de Marte da obra de Edgar Rice Burroughs. Casada com o terráqueo John Carter, Dejah vê-se vítima de um complot dentro do palácio para afastar a sua família do poder, fazendo desaparecer o seu pai e culpando-a por isso. Dejah Thoris é assim obrigada a fugir da cidade e mudar de identidade. Apesar de o argumento ser relativamente bom, foi também previsível e ficou um pouco aquém das expetativas. O mesmo para a arte, que valeu pela cor. Publicada na Colecção Novela Gráfica da Levoir com o jornal Público, A Dança das Andorinhas, da libanesa Zeina Abirached, encanta pela forma inocente e quase cómica com que um grupo de pessoas lida com a guerra. Separados do mundo e refugiados num átrio, os personagens são obrigados a encarar a vida como ela lhes é oferecida. Foi uma BD que não me apaixonou, mas fez-me refletir.

Sem título 2Entrei em maio com a BD O Rei Macaco da Arte de Autor. Com arte de Milo Manara e argumento de Silverio Pisu, trata-se de um mergulho nas tradições orientais. É uma releitura da Jornada para o Oeste, para encontrar o Jovem Macaco em busca da eternidade, com o Imperador de Jade disposto a dificultar-lhe a tarefa. Apesar de ser uma obra de referência, muito bem humorada, a nível de arte já vi melhor de Manara, o que se compreende uma vez que este foi um dos seus primeiros trabalhos. O terceiro e último volume da Trilogia dos Espinhos de Mark Lawrence, publicado pela TopSeller, Imperador dos Espinhos veio cimentar a minha opinião sobre a obra. O autor convence com a escrita, mas a história continuou confusa, sem uma proposta clara ou um plot bem definido. Um livro mediano, numa trilogia mediana. A Fortaleza da Pérola, de Michael Moorcock, mostra-nos Elric na cidade de Quarzhasaat, onde é chantageado por um nobre local a dar-lhe uma pérola desaparecida no deserto em troca de um antídoto para a droga que lhe haviam dado. Elric inicia assim uma viagem pelo deserto que o levará a Varadia, uma menina que ficou em estado comatoso desde que viu a sua integridade violentada. Mais uma excelente leitura, como Moorcock já nos habituou.

Sem títuloBaseado na história de vida da autora de livros infantis Beatrix Potter, o autor Bryan Talbot escreveu e desenhou uma BD tocante e metafórica sobre uma jovem que, vítima dos maus tratos dos pais e sentindo-se culpada pelos abusos sexuais que sofreu, acaba nas ruas de Londres, a sobreviver como sem-abrigo. A História de Um Rato Mau foi uma leitura reflexiva, que não me agradou no seu todo pelo peso que tomou, em certo ponto. Das novelas gráficas da Levoir passei para os grandes lançamentos da G Floy. Bolos Janados é mais uma aventura do detective mais louco da BD, Tony Chu, desta feita protagonizada pela sua irmã-gémea, Antonelle. Desde um leilão polémico até a um casamento de final abrupto, passando por uma aliança inusitada entre a NASA, a FDA e a USDA, somos convidados a percorrer uma série de aventuras com a participação sempre especial do galo Poyo. A história não desilude, mantendo-se fresca, colorida, bem-humorada e com muitas, muitas vísceras à mostra. Geniais, John Layman e Rob Guillory mantêm a toada. No seguimento do meu desafio com o apoio da Saída de Emergência li Os Dilemas do Assassino de Robin Hobb. FitzCavalaria continua mais perdido do que nunca, agora que é um homem adulto e tem de lidar com uma série de questões políticas e com a imaturidade dos mais jovens. Este segundo volume tem mais mistérios e alguma magia, relacionada com um rapaz de pele escamada e com a narcheska Eliânia, mas também referências a dragões e a navivivos, que me agradou.

Sem títuloTerceiro volume das Crónicas Saxónicas de Bernard Cornwell, Os Senhores do Norte mostra-nos Uthred a caminho do norte, enraivecido com o Rei Alfredo pela ridícula recompensa que lhe deu depois de tudo o que fez para que vencesse a importante Batalha de Ethandun. Disposto a recuperar a Bebbanburg que o viu nascer, Uthred “tropeça” em Guthred, um dinamarquês convertido ao Cristianismo que pretendia reclamar para si o norte. Mais um magnífico livro cheio de passagens belas e inquietantes, com o selo de qualidade Bernard Cornwell e Saída de Emergência. Escrito por dois dinossauros da BD, Alejandro Jodorowsky e Moebius, A Louca do Sacré Coeur conta a história de um professor de filosofia da Sorbonne, tradicionalmente vestido de lilás que, assediado por uma das suas alunas, sucumbe à tradicional crise de meia-idade e vê-se arrastado para uma parafernália de rituais bizarros que mesclam o religioso e o misticismo a práticas sexuais completamente lunáticas. Um livro que me agradou nas ideias e no desenho, mas que achei um pouco mal executado, ou pelo menos sem brilho. Outra grande obra de Moebius pelas mãos da Levoir, A Garagem Hermética é uma história confusa de ficção científica que gira à volta do Major Grubert. O misterioso personagem concebe um asteróide que cabe no seu bolso através de treze geradores. Porém, no interior desse corpo existem três mundos e vida, possivelmente tão real como a nossa. Mas quem será este enigmático Major Grubert? Gostei imenso, mesmo não percebendo muito da história.

Sem TítuloO mês de junho começou com Nimona, da norte-americana Noelle Stevenson, que marca o regresso da Saída de Emergência à publicação de BD’s. Nasceu como um trabalho universitário da autora, mas foi como webcomic que alcançou o sucesso e transformou autora e personagem em celebridades. Dona de um traço único e de um humor aguçado, Stevenson aborda temas como a amizade, a falsidade, o controlo dos media pelas forças de poder e a homossexualidade, de forma simples e divertida, num mundo marcadamente medieval com televisões, computadores e tecnologias futuristas. Em senda de leituras maravilhosas, seguiu-se o segundo volume da Crónica do Regicida (Parte 1 e Parte 2), publicado em português pela ASA/1001 Mundos. O Medo do Homem Sábio traz-nos de volta ao mundo escrito por Patrick Rothfuss. Depois de sobreviver às artimanhas de Ambrose, Kvothe sobrevive na Universidade, pagando as “propinas” com a música que faz em Imre, a cidade vizinha, e com os empréstimos que forja com Devi, a lendária ex-aluna da Universidade. É quando uma acusação antiga lhe bate à porta que surge a oportunidade de arranjar um mecenas, o que o leva para longe, para a distinta Vintas. Enquanto a primeira parte foi, muito possivelmente, dos melhores livros que já li na vida, o segundo perdeu bastante em comparação, ainda que a escrita do autor continue como uma das maravilhas da série.

Sem títuloMais um brilhante volume da BD The Walking Dead, All is Lost prossegue na rota de sucesso do argumentista Robert Kirkman, com a arte sempre consensual de Charlie Adlard, Cliff Rathburn e Stefano Gaudiano. Hilltop caiu e uma legião de walkers foi canalizada pelos Sussurradores em direção a Alexandria. Negan e Rick defendem a comunidade, mas os portões caem e Rick vê no seu antigo adversário um amigo improvável, o único que consegue ajudá-lo quando tudo parece desmoronar-se à sua volta. Mais um volume excelente e uma morte impactante com repercussões no futuro das BD’s. Li também o segundo volume do mangá One-Punch Man de One e Yusuke Murata, com quem tinha iniciado o trimestre. Uma série de apontamentos divertidos fazem-me olhar com agrado para este álbum, cuja proposta ou mesmo linha narrativa não oferecem nada de original ou interessante. E regressei a Robert Kirkman. Depois de ter lido o primeiro volume no início do ano, eis que chegou às bancas o segundo álbum de Outcast, Uma Ruína Sem Fim, com argumento do autor de The Walking Dead e ilustrações de Paul Azaceta. Argumento e arte casam na perfeição numa história sobre possessões que começa a dar maiores sinais de interesse, e com os mistérios a adensarem-se. Apesar de a história parecer demorar a avançar, notam-se os laivos de genialidade que atiraram Kirkman para as bocas do mundo.

Sem título 2Tal como o álbum de Outcast, Duas Vezes Contado foi um dos mais recentes lançamentos da G Floy no nosso país, lançado no Festival de BD de Beja. O segundo volume da BD de horror Harrow County, com argumento de Cullen Bunn e arte de Tyler Crook, revela um maior amadurecimento por parte do artista, ainda que o argumento não me tenha agradado por aí além. À medida que a protagonista Emmy vem aprendendo a lidar com os seus poderes e com as criaturas sobrenaturais que habitam Harrow County, tem também de proteger a povoação de um novo inimigo: a própria irmã gémea, Kammi. E terminei o trimestre com o terceiro volume da Saga O Regresso do Assassino. Em Sangue do Assassino, Robin Hobb volta a não desiludir. Vemos o protagonista FitzCavalaria arrastado para uma chuva de situações inusitadas, desde a ganância pela magia do seu velho mentor, à preocupação com os filhos, rumores de homossexualidade e principalmente a ameaça dos pigarços à sua integridade e à da família real. A obra, porém, oferece muito mais do que isso. Oferece pessoas reais, com defeitos e virtudes, e problemas que podiam ser partilhados por qualquer um de nós. Uma história enriquecedora.

Neste momento, estou a ler o livro Monge Guerreiro do autor brasileiro Romulo Felippe, e deverei continuar com as BD’s Southern Bastards, Velvet, Monstress e mais alguns livrinhos. Entre os nomes que pretendo ler nos meses de verão estão Ursula K. Le Guin e Joe Abercrombie, mas irei também concluir a Saga O Regresso do Assassino de Robin Hobb.

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