Estive a Ler: Solomon Kane


Il sole era tramontato. Kane lanciò uno sguardo alla forma mobile della giovane che giaceva dove era caduta, e si preparò per dormire.

«Svegliami dopo la mezzanotte», disse, «e monterò la guarda fino all’alba.»

O texto seguinte aborda o livro Solomon Kane

Associado ao personagem que maior estatuto ganhou dentro da fantasia pulp, o cimério Conan, Robert E. Howard percorreu vários géneros, da fantasia ao horror, passando pela aventura histórica e ficção policial. Howard escreveu mais de trezentas histórias e setecentos poemas, sendo largamente conhecido pelas suas descrições palpáveis ​​e cenários visuais. Foi através da icónica revista Weird Tales que deu a conhecer ao mundo muitos dos seus contos, a maioria protagonizados por Conan, o Bárbaro.

Antes do suicídio, aos 30 anos, após a morte da mãe, Robert tinha sido amigo de H. P. Lovecraft e deixara no papel uma obra que marcaria todo um género literário, sendo frequentemente aceite como o pai do subgénero de espada & feitiçaria. Conan não foi, porém, o seu único personagem a merecer destaque. O puritano Solomon Kane protagonizou várias das suas pequenas histórias e poemas, que foram coligidas em vários países em edições literárias memoráveis, assim como adaptado ao cinema, num clássico com James Purefoy e Max von Sydow nos papéis principais.

Sem Título
Fonte: https://www.pinterest.com/pin/103653228894181011/

Já tinha passado com as mãos pela edição portuguesa de Solomon Kane, a coletânea de histórias protagonizadas pelo puritano inglês de Howard, mas foi a versão italiana da Newton Compton Edition aquela com que finalmente me adentrei na história de um dos personagens mais emblemáticos de um dos meus autores preferidos. Posso dizer que não me entusiasmou tanto quanto as narrativas protagonizadas por Conan, mas em qualidade não lhe fica nada atrás.

A coletânea inclui os contos “Skulls in the Stars”, “Red Shadows”, “Rattle of Bones”, “The Moon of Skulls”, “The Hills of the Dead”, “Wings in the Night” e “The Footfalls Within”, todos eles publicados na revista pulp Weird Tales, e os textos publicados após a morte do autor “The Right Hand of Doom” (publicado em 1968 em Red Shadows), “Blades of the Brotherhood”, “Hawk of Basti” e “The Children of Asshur”, os fragmentos “Death’s Black Riders” (publicado em 1974 em Lone Star Fictioner) e “The Castle of The Devil” (Red Shadows) assim como os poemas póstumos “The One Black Stain” (The Howard Collector, 1962), “The Return of Sir Richard Grenville” (Red Shadows) e “Solomon’s Kane Homecoming” (Fanciful Tales, 1936).

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Fonte: https://www.abebooks.com/9788834701706/Solomon-Kane-libro-doro-Robert-8834701704/plp

Solomon Kane é uma coleção de contos e poemas que se concentram no herói com o mesmo nome. É uma personagem brilhantemente concebida e desenhada com maestria, um aventureiro inquieto com um ódio apaixonado por injustiças e crueldades. Muito embora não seja propriamente um santo, o cavaleiro inglês é um devoto puritano, age por instinto e abraça como dever a proteção dos fracos e oprimidos contra os atentados dos prepotentes, chegando a percorrer longas maratonas só para perseguir e punir os responsáveis ​​por injustiças com que se depara pelo caminho.

“Posso dizer que não me entusiasmou tanto quanto as narrativas protagonizadas por Conan, mas em qualidade não lhe fica nada atrás.”

A personagem é complexa em termos de fé, assumindo as suas ações como consequências de um chamado divino, não obstante as reservas do autor em qualificá-lo como um traço mental do mesmo, mais do que uma tendência religiosa. Solomon Kane é uma personagem dura, não só na violência com que faz a justiça como na capacidade de roubar vidas sem perder o espírito. Kane não procura justificações para os seus atos, ele age de acordo com a sua consciência e é a indignação que sente que o leva a agir para com a vítima como para com o malfeitor.

De realçar que Robert E. Howard não era religioso, ao contrário da sua personagem principal, o que resulta numa abordagem interessante à temática do puritanismo religioso e num paradigma em relação à questão do bem contra o mal.

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Fonte: https://filmow.com/solomon-kane-o-cacador-de-demonios-t10927/

A escrita de Howard incluiu tanto ficção histórica como fantasia, e ambas podem ser encontradas nesta coletânea. A maioria das histórias completas têm premissas sobrenaturais, mas algumas levam a personagem por caminhos plenamente reais. No caso dos fragmentos de história, é difícil dizer como o autor planeou desenvolvê-los, até porque são muito curtos e incompletos, o que pode causar alguma confusão e sentimento de frustração.

Muitas das histórias são passadas em África, num contexto bastante realista, apesar de o autor recorrer várias vezes tanto às mitologias europeias como ao campo do sobrenatural durante os seus enredos.

“Os elementos de horror sobrenatural que permeiam várias das histórias são uma adição deliciosa à trama, mas é na linguagem utilizada que Howard define o ritmo da obra.”

Acima de tudo, o que se destaca na obra de Howard é o seu estilo de prosa verdadeiramente jardinado (como diria Martin), temas recorrentemente épicos em lutas frenéticas do bem contra o mal e personagens que, estereotipadas ou não, surpreendem pelas escolhas que fazem. Ao longo das histórias, fiquei com a nítida ideia que a grande pretensão do autor, mais do que divertir o leitor, foi obrigá-lo a julgar moralmente as suas personagens, tanto os vilões como os heróis.

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Fonte: https://www.artstation.com/artwork/o04JJ

Fica a sensação que o cenário tinha todo o potencial para ter sido mais explorado pelo autor, não fosse a sua morte precoce; um contexto rico e personagens cruas em fé e em ideologias. Os elementos de horror sobrenatural que permeiam várias das histórias são uma adição deliciosa à trama, mas é na linguagem utilizada que Howard define o ritmo da obra. Não obstante alguma falta de verosimilhança na construção das personagens (Kane tem atitudes que um puritano não teria e os grupos apresentados parecem mover-se por um pensamento coletivo) e algum racismo evidente que é fruto da época em que o autor viveu, temos aqui uma obra particular de grande interesse.

Para concluir, Solomon Kane é, muito mais do que uma coletânea de histórias intemporais que podem agradar a qualquer um, um documento único que retrata Howard na sua melhor forma, dançando em temas complexos e especialmente delicados à época para revelar uma prosa forte e elegante, bem como uma poesia de travo lúgubre que conquista não só pelos dotes literários do escritor, como também pelas tramas que consegue contar em tão poucas palavras.

Depois de ler todas estas histórias protagonizadas por Solomon Kane, voltarei em breve para Conan, num ciclo de leituras e releituras em torno de Robert E. Howard que é sempre um prazer enfrentar, ou não tivesse sido o autor norte-americano um dos meus autores de eleição durante muito tempo e um dos que mais me instigou a escrever literatura fantástica.

Avaliação: 7/10

3 comentários em “Estive a Ler: Solomon Kane

  1. Viva,

    Já tive várias vezes oportunidade de comprar este livro a um preço acessivel mas nunca o fiz, tenho que experimentar um dia está visto 🙂

    Abraço

    1. Se gostas de Howard não te pode escapar este xD

Comentário

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