Estive a Ler: O Acto de Fausto, The Wicked + The Divine #1


Uma vez mais, foi um prazer. Amo-vos. Amo-vos a todos. Sentirei saudades.

O texto seguinte aborda o livro “O Acto de Fausto”, primeiro volume da série The Wicked + The Divine (Formato BD)

The Wicked + The Divine é a nova série regular da G. Floy Studio, cujo primeiro volume se intitula O Acto de FaustoA história de BD fantástica é publicada mensalmente pela Image Comics nos EUA, escrita por Kieron Gillen e ilustrada por Jamie McKelvie. Dupla esta que, após uma rápida passagem na Marvel em Young Avengers retorna à editora onde já trabalhou em Phonogram.

A série foi amplamente influenciada pela música pop e diversas divindades da mitologia. A inspiração de Gillen para a série veio depois do seu pai ser diagnosticado com um cancro em estado terminal, o que explica a presença de temas relacionados com a vida e a morte em toda a série. The Wicked + The Divine ganhou o Prémio de Melhor Comic nos British Comic Awards de 2014 e foi nomeada para três Prémios Eisner em 2015, Melhor Nova Série, Melhor Capa e Melhores Cores. O Acto de Fausto inclui os números 1 a 5 da publicação original.

Fonte: G Floy Studio Portugal

Tentando fugir de todos os estereótipos e clichés das bandas desenhadas, mas também da fantasia que trata de deuses na era contemporânea, The Wicked + The Divine consegue apresentar uma história única sem cair no exagero. A história destaca-se pela abertura que concede ao leitor, pela forma como explora a fragilidade da Humanidade, com todas as suas “manias” da perfeição.

A narrativa segue a história de Laura, uma adolescente que tem ligações com as atividades do Panteão. Trata-se de um grupo de doze pessoas que descobrem ser a reencarnação de deuses. Essa descoberta garante-lhes fama e poderes sobrenaturais, com a condição de que morrerão em dois anos.

“uma crítica veemente à sociedade do luxo e do narcisismo onde a validade da vida é efémera

O Panteão, como são conhecidos, são jovens que se tornaram grandes estrelas do pop, cada um sendo uma clara referência a algum artista, seja David Bowie, Morrissey, Madonna, Daft Punk, entre outros, arrastando multidões para os seus espetáculos. Nessa loucura desenfreada, acompanhamos os passos de Laura, que após um desses espectáculos acaba por conhecer Lúcifer, mais conhecida por Luci para os amigos.

Fonte: G Floy Studio Portugal

Quando dois atiradores disparam para a sala onde se encontravam, Luci salta do edifício sob uma chuva de fogo e mata-os, acabando por ser presa. Durante o seu julgamento, porém, sucede-se outra confusão, da qual, não obstante a sua inocência, acaba condenada, muito porque não se abstivera a desafiar o juiz. Laura empreende assim uma jornada para libertar Luci, envolvendo-se com os outros deuses do Panteão na tentativa de a ajudar.

“Colocar um leitor a pensar é sempre um dos maiores méritos de um escritor e, nesse âmbito, Gillen conseguiu atingir o alvo.”

A história já está em andamento quando a cortina abre e ela fecha com o jogo em aberto. O álbum vale sobretudo por obrigar-nos a descobrir coisas, a deduzir entrelinhas, a comprar aquele mediatismo exacerbado como uma crítica veemente à sociedade do luxo e do narcisismo onde a validade da vida é efémera, assim como o valor que lhe damos é mais reduzido do que deveria.

O mistério não é o principal foco da trama, mas ele acaba por deixar-nos à procura de respostas, que acabam por não chegar inteiras. As personagens também, muito embora pareçam todas elas carismáticas, acabam por não se aprofundar muito nem deixar grandes marcas, faltando algum entrosamento ou ingrediente que levasse à empatia com o leitor.

Fonte: G Floy Studio Portugal

A exceção para mim, foi Cassandra. Não sendo uma das personagens principais, deliciou-me de cada vez que entrou em cena com o seu jeito arrojado. As inúmeras referências a divindades e ao valor que as pessoas dão às informações da Wikipedia foram outros momentos brilhantes. Para mim, para além da arte magnífica, a grande qualidade deste álbum é mesmo pôr-nos a pensar nos “ses”. E “se” isto acontecesse. E “se” pudéssemos fazer isto. Se, se, se.

Colocar um leitor a pensar é sempre um dos maiores méritos de um escritor e, nesse âmbito, Gillen conseguiu atingir o alvo. O Acto de Fausto não me encantou mas, tratando-se de um género que não consigo apreciar, a Fantasia Urbana, leu-se muito bem. Ficou claro que The Wicked + The Divine é mais uma série a seguir.

Avaliação: 7/10

The Wicked + The Divine (G Floy Studio Portugal):

#1 O Acto de Fausto

#2 Fandemónio

#3 Suicídio Comercial

#4 Escalada

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