Fala-se de: Vikings T1


Segundo a lenda, Ragnar Lothbrok (o das Calças Peludas) foi casado várias vezes. Com Lagertha, com a bela Tora Borgarhjort, e com Aslaug. Pode ter sido parente do rei dinamarquês Godfred e filho do rei sueco Sigurd. Diz-se que foi notável no saque e na conquista, e que tornou-se rei. Foi com base nesta figura histórica de que muito pouco se sabe, para além do que foi transmitido por via oral, que o History Channel criou a série Vikings, em 2013.

Com Travis Fimmel, Clive Standen, Katherine Winnick, George Blagden e Gustaf Skarsgard nos papéis principais, Vikings distingue-se desde logo por mostrar muito mais do que a violência intrínseca à cultura (e imaginário) viking, falando também de estratégia militar e de relações humanas. É aqui que tanto o argumento bem fundamentado de Michael Hirst como as próprias interpretações dos atores ganham destaque. Plenos de ação e de reviravoltas, os nove episódios da primeira temporada mostraram um pouco do que se pode esperar desta tão elogiada produção.

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Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=YrB5lC7icco

Mas seria um argumento coeso e um bom lote de interpretações o suficiente para suprir o orçamento e a fragilidade do figurino que o History dispôs? Na minha opinião, sem o estilismo inconfundível das produções da HBO, Vikings conseguiu ser fiel à realidade da época a todos os níveis, com coerência e verossimilhança. De facto, é um produto que mostrou ser muito bem cuidado, para uma produtora que não estava habituada a produzir séries televisivas.

Ainda assim, Vikings não está imune a algumas falhas históricas, o que pode ser perdoado se tivermos em conta que as façanhas de Ragnar enquadram-se mais no folclore do que na verdade histórica sobre o mesmo. Na primeira temporada assiste-se ao ataque a um mosteiro que ocorreu no ano 793, e no entanto diz-se que Ragnar atacou Paris em 911. A verdade sobre os feitos vikings dessa época é tão nebulosa que difícil é encontrar um autor/argumentista que consiga retratar algo sem disparidades deste género.

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Fonte: http://www.geeknode.co.za/2016/02/tv-series-review-vikings-season-1-3/

Esta primeira temporada focou-se grandemente na temática religiosa, ao mesmo tempo que mostrava Ragnar a fugir dos olhos desconfiados de um conde magistralmente interpretado por Gabriel Byrne e os primeiros sinais do que viria a ser a sua relação de amor-ódio com Rollo se faziam sentir, bem como a impetuosidade e independência da sua esposa, a audaz Lagertha. De uma assentada, conhecemos vários núcleos.

O que mais gostei nesta temporada, mais do que o manancial de fé a que cada personagem ia buscar forças para os seus empreendimentos pessoais e coletivos, foi aquilo que o personagem Athelstan introduziu na história. Inicialmente, a estranheza dos dinamarqueses para com o Cristianismo, das tonsuras dos monges ao jeito estranho com que prezavam os livros e deixavam o ouro em exposição. Depois, a relação de familiaridade com que o monge se adaptou à casa de Ragnar.

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Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=4CEgOiO54zI

A vertente familiar também foi bastante explorada nesta primeira temporada. Ragnar, a esposa Lagertha, o filho Bjorn e o irmão Rollo formaram o núcleo duro da série, a que se juntaram irrevogavelmente o construtor de barcos Floki, arquétipo do nórdico louco que fala com os deuses (inspiração no próprio Loki?) e, posteriormente Athelstan, submetido a várias provas de fogo.

Uma delas no templo, onde conhecemos personagens tão bizarras como interessantes e as profecias relacionadas à prole de Ragnar começaram a tomar forma, assim como a relação entre o conde viking e a esposa começou a levantar os seus pontos de interrogação, culminando num final tão peculiar como, para mim, surpreendente. Em suma, não achei Vikings uma série extraordinária, mas realmente interessante e com muitos pontos a serem explorados em futuras temporadas, que deverei ver de uma assentada.

Avaliação: 7/10

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