Estive a Ler: Patifes na Casa


O bárbaro pairou sobre o corpo por um instante, como um vampiro, os olhos ardendo nas trevas. Sabia que o som tinha sido ouvido, mas o povo do labirinto tomava cuidado em cuidar dos seus assuntos. Um grito de morte em escadas obscurecidas não era nada fora do vulgar. Mais tarde, alguém se aventuraria a investigar, mas só depois de passado um razoável espaço de tempo.

O texto seguinte aborda o conto “Patifes na Casa”

“Rogues in the House” foi um conto protagonizado pelo herói de espada & feitiçaria Conan O Cimério, escrito pelo autor americano Robert E. Howard. Publicado pela primeira vez na revista Weird Tales em janeiro de 1934, passa-se na Era Hiboriana e leva o herói a envolver-se inadvertidamente num jogo de poder pelo controle de uma cidade.

Foi a sétima história publicada por Howard protagonizada pelo popular cimério. Em Portugal, o conto chegou-nos pela coletânea A Rainha da Costa Negra da Edições Saída de Emergência em 2007, com tradução de Jorge Candeias. A versão nacional foi traduzida como “Patifes na Casa”.

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Fonte: https://www.amazon.com/Rogues-House-Robert-Ervin-Howard/dp/153340772X

O ciclo de leituras em torno de Robert E. Howard prossegue, desta feita com “Patifes na Casa”. Não é dos contos protagonizados por Conan que mais me fascinaram, mas ainda assim proporcionou alguns bons momentos de suspense, ação e aventura, condimentados com uns salpicos de intriga política. Mais uma vez, a escrita elegante de Howard surpreende em toda a sua extensão, ao conseguir transmitir cenas com uma escrita simples e, ao mesmo tempo, extremamente visual.

“A partir daqui, uma série de patifes reúne-se na habitação para destruírem um inimigo comum.”

Uma das grandes qualidades deste conto é ele não passar-se todo sob a perspetiva de Conan. Na verdade, ele só agarra o protagonismo já estamos dentro da história, cabendo ao personagem Murilo as rédeas da ação durante boa parte do conto. Os volte-faces sucedem-se, sempre numa toada de mistério e investigação que agrada-me pessoalmente, ainda para mais quando, com poucas descrições, personagens são tão bem construídos.

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Fonte: http://tvtropes.org/pmwiki/pmwiki.php/Literature/RoguesInTheHouse

A história ocorre em uma cidade-estado sem nome entre Zamora e Corinthia durante uma aparente luta de poder entre dois líderes poderosos: Murilo, um aristocrata e Nabonidus, o Sacerdote Vermelho, um clérigo com uma forte base de poder. Depois de o sacerdote o ameaçar com o conteúdo macabro de um pequeno barrilete, Murilo ouve falar da reputação de Conan como mercenário e decide pedir-lhe ajuda.

“A violência bárbara de Conan contrasta neste conto com a corrupção levada a cabo por um jovem nobre e pela crueldade intrínseca de um sacerdote poderoso.”

Enclausurado numa masmorra, depois de ser vítima do ardil de uma prostituta depois de ter morte um sacerdote corrupto de Anu, Conan aguarda pela execução quando recebe a visita de Murilo.  É-lhe proposto um acordo: em troca da sua liberdade, com um cavalo e um saco de ouro, Conan deve matar Nabonidus.

Murilo suborna um guarda para o libertar. Porém, esse mesmo guarda é preso, acusado de corrupção, sendo substituído por outro. Murilo pensa que o seu esquema foi descoberto. O novo carcereiro fica aturdido ao encontrar o prisioneiro livre de correntes, a comer preguiçosamente bocados de carne de boi; Conan neutraliza-o com um osso do próprio bovino.

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Fonte: https://www.pinterest.com/pin/139893132149177670/

Por um tempo, ele considera deixar Murilo por conta própria, mas depois decide seguir o plano original e manter a sua palavra. Antes, porém, decide vingar-se da prostituta que o entregara, matando o seu novo amante. Enquanto isso, o aristocrata, acreditando não poder contar com Conan, decide ele próprio matar Nabonidus e aventurar-se na sua mansão.

“É um conto raso, sem grande profundidade ou surpresas, apesar dos volte-faces mais ou menos expectáveis.

Ao entrar na casa, encontra o Sacerdote Vermelho… ou aquilo em que se transformou. Murilo torna-se um prisioneiro na cave da residência, onde vem a encontrar Conan, que se infiltrara por uma passagem subterrânea. Juntos, tentam escapar do cativeiro, quando descobrem que a figura que aprisionou Murilo não era exatamente quem eles pensavam. A partir daqui, uma série de patifes reúne-se na habitação para destruírem um inimigo comum.

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Fonte: http://www.comicartfans.com/gallerypiece.asp?piece=828557

Simples, brutal e cheio de ritmo, este conto mostra que nem tudo o que parece é e que a representação do mal por vezes é um espelho do mundo em que ela própria vive. A violência bárbara de Conan contrasta neste conto com a corrupção levada a cabo por um jovem nobre e pela crueldade intrínseca de um sacerdote poderoso. Por ironia, Conan é o mais honesto dos três.

É um conto raso, sem grande profundidade ou surpresas, apesar dos volte-faces mais ou menos expectáveis. É mais um típico conto pulp de Howard, sem grandes novidades mas com personagens cheios de matizes muito peculiares e um braço-de-ferro interessante entre as figuras de poder. Contém ainda um primata irritante e uma orelha cortada como bónus.

Avaliação: 7/10

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