Estive a Ler: Saga #7


Diz quem? A nossa filha é rija como sei lá o quê! Acho que essas cenas todas que nos ensinaram de defeitos congénitos nos “híbridos” era só para propaganda para manter os nossos povos separados.

O texto seguinte pode conter spoilers do sétimo volume da série Saga (Formato BD)

Com dezassete Harveys e doze Eisner no bolso, que incluem os prémios de Melhor Escritor, Melhor Desenho, Melhor Capa e Melhor Série em Continuação só em 2017, Saga é já uma série de culto do panorama gráfico internacional. A G Floy Portugal traz-nos mais um volume desta premiada série norte-americana, publicada originalmente pela Image Comics.

Em Saga, Brian K. Vaughan conta com a preciosa colaboração de Fiona Staples, ilustradora canadiana responsável por uma boa-parte do sucesso deste comic que chega agora ao volume 7 em terras lusitanas, pelas mãos da G Floy Studio. O volume inclui os números 37 a 42 da edição original, que encontra-se publicada até ao volume 8. Significa, portanto, que a publicação nacional está perto de alcançar a norte-americana.

Fonte: G Floy

Subversiva e original, Saga é uma space opera divertida que brinca com assuntos sérios da vida. Lidar com uma relação, com o crescimento de uma criança, questões como o controlo parental, famílias separadas, violência doméstica, prostituição infantil e racismo são apenas alguns dos temas tratados de forma suave e bem-humorada, obrigando o leitor a bater com a cabeça nas hipocrisias da sociedade.

O autor qualifica Saga como um “Star Wars para pervertidos”, mas as aventuras e desventuras de Marko e Alana com a sua filha Hazel são muito mais do que isso. Diálogos divertidos e refrescantes, perseguições, tiroteios e cenas de sexo, assim como personagens que parecem saídos de fábulas, que comunicam com o leitor não só através das suas falas sui-generis, como também através das expressões peculiares que Staples imprime em cada prancha.

Sem Título
Fonte: G Floy

Em várias ocasiões, Saga foi também considerada como a Guerra dos Tronos da Ficção Científica no mundo das BD’s, e confesso que este volume deixou-me tentado a concordar com essa comparação. Não que a trama de Saga seja tão complexa e os acontecimentos tão épicos, porque a nota que permeia toda a obra é de uma descontração e boa disposição permanente. Aquilo que mais a aproxima à referida obra é, definitivamente, a casualidade com que as cenas de sexo e de nudez se seguem, assim como a forma como certas mortes ocorrem nos momentos mais inesperados.

“Saga tem um dos argumentos mais fortes e refrescantes que a BD americana tem trazido até nós.”

Convém alertar que estamos a falar de algo diferente, numa toada diferente. Nem mesmo Star Wars consegue ser tão descomprometida quanto Saga. Estamos a falar de uma narrativa leve e sem grandes intenções de ser levada a sério. Há imensos conflitos entre famílias, amores e desamores, guerras entre planetas, estamos a falar de temas sérios da sociedade, mas tudo nos é apresentado de uma forma quase inocente, pelos olhos de uma criança.

Sem Título
Fonte: G Floy

O que não impede que hajam cenas de fazer corar qualquer um pelo meio. Logo nas primeiras páginas deste volume, encontramos um príncipe cuja cabeça é uma televisão, a masturbar-se. O sétimo álbum de Saga leva os nossos protagonistas para Phang, um cometa em estado de sítio, com vários confrontos armados instaurados entre várias fações. Marko e Alana, a sua filha, Hazel, a ama fantasma, Izabel, o Príncipe Robot e a cornuda Petrichor chegam a Phang e logo tropeçam numa família… peculiar.

Várias espécies e classes de personagens antropomórficas reclamam o controlo do astro através da guerra. O grupo encontra uma família de suricatas falantes, da qual Jabarah é a matriarca. Desde logo, Hazel sente uma grande empatia por um menino suricata chamado Kurti. Tal envolvimento vem, porém, a despoletar a ira da pequena para com a sua ama, a fantasma Izabel.

Fonte: G Floy

A adição de um assassino de duas cabeças, uma masculina e outra feminina, vem trazer um novo fôlego à trama (como se esta precisasse de ainda mais fôlego!!!). Segura e letal, esta nova personagem acompanhada por um porco revoluciona a história, mostrando ao núcleo principal que nem só de brigas familiares e caprichos pessoais é feito o mundo em que vivem. Perseguições e mortes seguem-se em catadupa, numa altura em que a família de Kurti revela grandes reservas em sair da sua toca.

“Expressiva e colorida, a arte continua a ser um espetáculo à parte nesta obra que, volume após volume, continua a maravilhar-me.”

Vontade, por sua vez, inicia uma longa caminhada ao encontro de Gwendolyn, Sophie e da Gata Mentirosa, procurando desesperadamente vingar a morte da sua irmã, Estigma. Mas o seu estado mental não parece notar grandes melhorias desde que saiu do coma. Para além de continuar a ver e a falar com a imagem imaginária da mulher aracnídea Haste, também começou a ver e a falar com a irmã morta. Durante o seu trajeto encontra figuras no mínimo peculiares e submete-se a encontros hilariantes.

Imagem relacionada
Fonte: https://geeksout.org/blogs/speedsterdave/speedster-dave-new-york-comic-con-2012

Saga tem um dos argumentos mais fortes e refrescantes que a BD americana tem trazido até nós. Brian K. Vaughan trabalhou um universo à parte, todo ele com cabeça, tronco e membros. Neste sétimo volume, tanto a proficiência narrativa de Vaughan continua a fazer-se sentir, como assistimos ao desfile exuberante de personagens riquíssimas e singulares. Trata-se de uma história de ficção científica com bonecos antropomórficos que pode facilmente ser encarada como um desenho para crianças, mas que fala de temas recorrentes do dia-a-dia dos adultos, com cenas para maiores de 18 ostentadas sem sobreaviso. Sempre numa toada humorística, claro está.

Apesar da escrita de Vaughan ser subversiva, audaz e inventiva, nada do que escreveu seria o mesmo sem as ilustrações de Staples, que tão bem se exprime através do seu lápis. Expressiva e colorida, a arte continua a ser um espetáculo à parte nesta obra que, volume após volume, continua a maravilhar-me.

Avaliação: 9/10

Saga (G Floy Studio Portugal):

#1 Volume 1

#2 Volume 2

#3 Volume 3

#4 Volume 4

#5 Volume 5

#6 Volume 6

#7 Volume 7

#8 Volume 8

#9 Volume 9

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