Estive a Ler: A Rainha da Costa Negra


Agora acabámos com a romaria, para sempre;

Já os remos não refreiam o harpejo do vento;

Nem a bandeira vermelha amedronta a costa sombria;

Azul faixa do mundo, recebe novamente

Aquela que me deste um dia.

O texto seguinte aborda o conto “A Rainha da Costa Negra”

“Queen of the Black Coast” é um mais um conto de Conan, o Cimério, escrito pelo autor americano Robert E. Howard e publicado pela primeira vez na revista Weird Tales em Maio de 1934. Mais uma vez passada na fictícia Era Hiboriana, esta aventura de espada & feitiçaria conta como Conan se tornou um pirata famoso, saqueando as aldeias costeiras de Kush ao lado de Bêlit, uma determinada e incrível femme fatale.

Devido ao seu alcance épico e ao romance atípico, a história é considerada um clássico indiscutível da tradição de Conan e é frequentemente citada pelos estudiosos de Howard como um dos seus contos mais famosos. Foi traduzido para português por António Vilaça como “A Rainha da Costa Negra”, na coletânea de 2007 da Saída de Emergência, com o mesmo nome.

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Fonte: https://aamcconnell.com/tag/queen-of-the-black-coast/

Um dos contos mais aclamados pelos fãs de Robert E. Howard, “A Rainha da Costa Negra” é um conto que sugiro claramente a quem quiser começar a ler Conan. Li esta história, ou uma versão dela, em BD, e esperava vir a gostar mais deste conto do que gostei. A primeira parte é incrível, contando um pouco das origens do herói cimério e falando de deuses e crenças, embora a parte final tenha sido demasiado fantasiosa para o meu gosto.

“Assoberbado por aquela beleza de marfim, Conan acede e, juntos, saqueiam as cidades costeiras…”

Não devemos esquecer, porém, que se trata de um conto de espada & feitiçaria, um exemplar único da tradição pulp. A escrita, porém, é de merecer as maiores vénias. Que elegância e ginástica vocabular. Magistral do início ao fim. Howard escreveu esta história quando procurava um “épico” para melhor apresentar Conan depois de já ter escrito várias narrativas com o bárbaro cimério. Percebi que deste conto foram incluídos vários trechos de diálogo na adaptação do filme de Conan O Bárbaro de 1982 com Arnold Schwarzenegger.

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Fonte: https://warballoon.deviantart.com/art/Conan-and-Belit-commish-458351992

A história começa num porto de Argos, onde Conan impõe a sua passagem a bordo do veleiro Argus, que se preparava para navegar para sul, tendo em vista o comércio de sedas, açúcar e espadas de latão para os reis negros de Kush. O capitão começa por opor-se a Conan pela audácia, mas quando o cimério o ameaça e à sua tripulação, ele acede em deixar Conan a bordo, uma vez que seria útil ter um homem com as suas características bélicas consigo.

Pouco a pouco, ele e o capitão Tito desenvolvem uma forte cumplicidade. O bárbaro informa o capitão que fugiu das autoridades de Argos devido a uma disputa judicial em que Conan se recusou a trair um amigo, o que faria ao denunciar a sua localização. Ao invés, cortou a cabeça ao juiz com um golpe de espada e viu-se obrigado a fugir instantaneamente.  

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Fonte: https://benyhibridos.deviantart.com/art/Conan-y-Belit-281527597

Ao chegar às águas de Kush, o navio é atacado pelos infames piratas liderados por Bêlit, a Rainha da Costa Negra. Bêlit e os seus guerreiros de pele escura massacram a tripulação do Argus, mesmo com a liderança feroz do herói cimério. Conan tenta reunir a tripulação após a morte de Tito, e quando a vitória se torna impossível, salta para o navio pirata.

“É um dos meus contos preferidos, muito embora não possa deixar de destacar pela negativa tanto o romance fácil quanto as características oníricas dos monstros que Conan enfrenta.”

Conan mata muitos dos piratas, esperando totalmente ser sobrecarregado e morto, pelo que Bêlit ordena à sua tripulação que o poupem, ficando impressionada com a coragem e a ferocidade do cimério. Bêlit oferece a Conan a oportunidade de navegar com ela, ser o seu companheiro e amante. Assoberbado por aquela beleza de marfim, Conan acede e, juntos, saqueiam as cidades costeiras, ao mesmo tempo que os tesouros de uma cidade perdida na selva os envolve numa sequência de eventos e volte-faces imbuídos do mais puro dos horrores.

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Fonte: https://johnbecaro.deviantart.com/art/Commission-BELIT-from-Conan-265226161

A história começa com muita força, mas a relação de Conan e Bêlit, a pirata comummente chamada de A Rainha da Costa Negra, é mais do que forçada. O respeito entre dois adversários temíveis é compreensível, agora a paixão assolapada resultante de um único encontro parece-me claramente exagerada. Não comprei o relacionamento entre os dois, mas aparte disso os acontecimentos em volta da dupla maravilha conquistaram-me enquanto leitor.

Ação não falta a este conto. As cenas de luta são épicas e não é de admirar que “A Rainha da Costa Negra” tenha ficado gravada como uma das obras mais populares de Robert E. Howard. É um dos meus contos preferidos, muito embora não possa deixar de destacar pela negativa tanto o romance fácil quanto as características oníricas dos monstros que Conan enfrenta.

Avaliação: 7/10

Um comentário em “Estive a Ler: A Rainha da Costa Negra

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