Estive a Ler: A Espada de Shannara, A Espada de Shannara #1


Setecentos anos antes, a grande Muralha Exterior fora construída no limite do planalto, estendendo-se ao máximo que a natureza permitia. Nas planícies férteis, abaixo da fortaleza, ficavam as fazendas e as terras de plantio que alimentavam a cidade, a terra escura nutrida e sustentada pelas águas vitais do grande Mermidon, que corria para sul e para leste.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “A ESPADA DE SHANNARA”, PRIMEIRO VOLUME DA TRILOGIA A ESPADA DE SHANNARA

Terry Brooks não é um nome novo no mundo da fantasia. E Shannara é um título bem conhecido para aqueles que se encontram familiarizados com o género. Não só Terry foi um dos escritores mais conhecidos de fantasia épica nos anos 80 e 90 do século passado, como a sua obra se mantém “na moda”, como se pode ver pela série The Shannara Chronicles, estreada em 2016. A primeira temporada foi produzida pela MTV e a segunda e última temporada, pela Spike.

O autor norte-americano, nascido Terence Dean Brooks, ficou conhecido pela trilogia A Espada de Shannara, a que se seguiram duas dezenas de livros passados no mesmo universo. Publicado pela Saída de Emergência em 2015, com tradução de Ana Cristina Rodrigues e adaptação de Idalina Morgado, A Espada de Shannara é um livro de 560 páginas que narra a história de Shea Ohmsford, um meio-elfo, e a sua busca pela ambicionada espada que dá título ao livro.

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Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Terry_Brooks_-_Lucca_Comics_%26_Games_2016.jpg

O primeiro volume, A Espada de Shannara, foi publicado em 1977, e se J. R. R. Tolkien não se ergueu da sepultura nessa ocasião, podes ficar descansado, que não o virá a fazer. As semelhanças entre este livro e a trilogia O Senhor dos Anéis são gritantes, de tal modo que fico surpreendido como é que Terry não foi acusado de plágio. Infelizmente para ele, isso não chegou para fazer a sua obra boa. A Espada de Shannara é um livro fraquinho.

“O ritmo foi satisfatório e, felizmente, a história que Terry tinha para copiar de O Senhor dos Anéis chegou ao fim.

Shea foi criado por Curzad Ohmsford. Desde cedo percebeu que não era o verdadeiro filho do estalajadeiro, uma vez que tinha traços elfos, mas isso não o impediu de o ver como pai e ao filho de sangue deste, Flick, como irmão. Tudo corria normalmente na vida deles, até que um sujeito alto e de ar sombrio os visita e conta a Shea que ele é descendente de Jerle Shannara, um grande rei élfico. Como se não bastasse, conta-lhe ainda a História das Quatro Terras e o papel que lhe é destinado.

Sem Título
Fonte: http://www.saidadeemergencia.com/produto/a-espada-de-shannara/

Esse sujeito é Allanon, um Druida. Ele diz a Shea e a Flick que o mundo foi em tempos dominado pela ciência. Sim, a série Shannara é passada no nosso mundo, e os elfos, anões, gnomos e afins ficaram assim devido a mutações provocadas pelas radiações, após as Grandes Guerras que conduziram a Humanidade à quase extinção. Acontece que depois das Grandes Guerras a ciência foi esquecida e os homens apostaram na exploração do mundo místico e espiritual.

A ambição pelos conhecimentos e pelo poder, no entanto, levaram a que um druida chamado Brona se virasse contra os restantes. Lutou contra Bremen, o líder dos druidas, e conduziu a Humanidade às conhecidas Guerras das Raças. Mais tarde, Brona viria a ser conhecido como Lorde Feiticeiro, uma criatura maligna que vigia as Quatro Terras através dos seus soldados espectrais, os Portadores da Caveira.

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Fonte: https://ediduch.myportfolio.com/the-shannara-chronicles-allanon

Se conheces O Senhor dos Anéis, a história não te trará grandes novidades. Aqui o objetivo do jovem herói é procurar a Espada de Shannara, uma vez que é a única arma que pode aniquilar o Lorde Feiticeiro. A questão é que só um descendente de Jerle Shannara pode segurar a espada, e o Feiticeiro tem vindo a matar todos os descendentes para impossibilitar a empresa. A esperança de Allanon é que o Lorde Feiticeiro desconheça a identidade de Shea.

Ao lado do seu irmão Flick e de Allanon, do jovem príncipe Menion de Leah, do respeitado Balinor Buckannah, do anão Hendel e dos elfos Durin e Dayel, Shea inicia uma jornada árdua que os leva a todos a fins mais ou menos expectáveis, na luta contra as armas nefastas do Lorde Feiticeiro e contra os exércitos de gnomos. Shea acaba por cruzar-se com uma dupla de ladrões improvável, o imprevisível Panamon Creel e o troll de pedra Keltset Mallicos, interessados nas Pedras Élficas que Allanon lhe oferecera.

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Fonte: https://ardinaryas.deviantart.com/art/Menion-Leah-279325651

Como já referi, o livro vive muito da linha narrativa de Tolkien, alguns acontecimentos praticamente copiados a papel químico. Vários momentos protagonizados pelo anão e a introdução de Panamon e Keltset acabaram por ser os pontos mais positivos e originais, deixando claro que, quando Brooks fugia ao estéreotipo, conseguia fazer alguma coisa de interessante.

Se há livros pelos quais vale comprar pela capa, A Espada de Shannara é, seguramente, um deles.

De qualquer forma, é difícil escrever algo com qualidade quando se vive à sombra de uma figura maior, e Terry Brooks não se esforçou minimamente para esconder o seu fascínio por O Senhor dos Anéis. Com alguma diferença em termos de qualidade, na verdade. Os personagens de Brooks são superficiais e pouco cativantes, e apesar de acreditar que a premissa não fosse tão batida no tempo em que o livro foi escrito, tanto as histórias como os diálogos soaram imenso a deja vu.

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Fonte: https://seriemaniacos.tv/shannara-chronicles-cancelado/

É certo e sabido que eu não sou grande admirador de espadas mágicas, senhores negros e jornadas de aventura, mas mesmo assim consigo tirar algo de bom deste livro. E esse algo de bom está muito relacionado com os pequenos momentos em que Brooks se descolou de Tolkien, assim como a escrita do autor não foi o desastre que em alguns momentos sugeriu tornar-se. Infelizmente, a grande maioria dos diálogos foram extremamente infantis, mas mesmo com algumas descrições pobres como “o homem alto” de cada vez que indicava Allanon, Terry Brooks mostrou ter um vocabulário amplo e uma escrita assim-assim.

Ter um vocabulário amplo e uma escrita assim-assim, no entanto, não significa que me tenha agradado por aí além. Por vezes o vocabulário não é tudo para que a escrita seja boa, e notei muita falta de maturidade literária na escrita do autor. O ritmo foi satisfatório e, felizmente, a história que Terry tinha para copiar de O Senhor dos Anéis chegou ao fim. O que é que isto significa?

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Fonte: https://beyondthepalegate.wordpress.com/category/books/

Significa que o segundo volume tem tudo para ser melhor. Não só Brooks teve margem para melhorar a nível de escrita, como as histórias em redor do neto de Shea, Wil Ohmsford, têm tudo para ser mais interessantes em As Pedras Élficas de Shannara. Vi alguns episódios da série e a história de Wil não me convenceu, mas penso vir a ler o livro, para tirar as teimas.

Agora, se me perguntarem o que gostei mais neste volume, respondo sem hesitar. A edição da Saída de Emergência é lindíssima, não só a capa como os desenhos dos mapas no interior. Se há livros pelos quais vale comprar pela capa, A Espada de Shannara é, seguramente, um deles.

Este livro foi cedido em parceria com a editora Saída de Emergência.

Avaliação: 3/10

A Espada de Shannara (Edições Saída de Emergência):

#1 A Espada de Shannara

9 comentários em “Estive a Ler: A Espada de Shannara, A Espada de Shannara #1

  1. Oie,

    Sem duvida que é muito fraquito e há por ai escritores bem melhores a nível de fantasia, tambem não gostei muito e deixei de ler 🙂

    Abraço e boas leituras

    1. Boas. Eu quando tiver oportunidade ainda quero experimentar o segundo. Dizem que é melhor. Veremos.
      Obrigado pelo comentário. Abraço e boas leituras.

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