Estive a Ler: Luta de Poderes, O Legado de Júpiter #1


Ah, sabes como é o meu tio. Ainda não me perdoou por ter saído com aquela mulher que salvei de um incêndio o ano passado.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “LUTA DE PODERES”, PRIMEIRO VOLUME DA SÉRIE O LEGADO DE JÚPITER (FORMATO BD)

O Legado de Júpiter é a nova publicação da G Floy Studio Portugal. Após o sucesso de Kick-Ass e Kingsman, tanto nos cinemas como nas bandas-desenhadas, Mark Millar tornou-se uma figura de referência e Millarworld uma chancela de qualidade reconhecida pelos leitores. Publicado entre abril de 2013 e janeiro de 2015, o primeiro volume de O Legado de Júpiter é um retorno ao mundo dos super-heróis por parte do autor, que já havia trabalhado em Fantastic Four, Superman, Wolverine: Old Man Logan e Civil War, entre outros.

Desta feita, surge ao lado de Frank Quitely (Batman & Robin, All Star Superman e Flex Mentallo), um artista já veterano dentro do género. O Legado de Júpiter tem sido, ao longo dos últimos anos, reconhecido pela crítica como um dos trabalhos mais importantes dos dois autores, muito embora apenas dois volumes tenham sido lançados nos states. O primeiro volume, em Portugal, intitula-se Luta de Poderes.

Imagem relacionada
Fonte: https://hiveminer.com/Tags/frank,quitely

Muito embora super-heróis mais tradicionais não sejam a minha praia, fui aliciado pelas críticas positivas que li ao livro, e acabei constatando que o álbum tem mesmo uma aura adulta, violenta e muito pouco dócil. Ainda que não me tenha arrebatado – e tenha achado sinceramente que foi num sentido decrescente em termos de ligação narrativa – gostei bastante da forma como a questão dos poderes foi abordada e o contexto em que todas as temáticas foram trabalhadas.

“A capa e a capacidade de voar é apenas um ingrediente secundário neste trabalho bem conseguido da dupla Millar e Quitely.

Neste primeiro volume, abraçamos um mundo de super-heróis atípico, com uma forte componente de crítica social e política. A história começa em 1932, quando uma expedição liderada por Sheldon Sampson, a sua família e amigos, encontra uma misteriosa ilha no Oceano Atlântico com que Sheldon havia sonhado. Ele é uma figura a quem todos parecem seguir sem reservas, e que nutre o profundo desejo de participar ativamente na resolução de vários problemas reais decorrentes da Grande Depressão nos E.U.A.

Sem Título
Fonte: G Floy

A ilha oferece a todos os que ali chegam vários poderes e então somos desde logo alavancados para o presente, onde Sheldon é um super-herói envelhecido, casado com a sua esposa Grace, quase uma versão Mulher-Maravilha de O Legado de Júpiter. O casal tem dois filhos, Chloe e Brandon, e é neles que a história se foca. Ao contrário dos pais, usam os seus poderes para serem vistos como celebridades, explorando as respectivas imagens e ganhando milhões à sua custa.

“É realista e sério, sem deixar de ser uma fantasia urbana com ocasionais momentos de combate mais inverosímeis.

Chloe é budista e vegetariana, não se cansando de se autopromover para alimentar a fundação de solidariedade social que criou, enquanto Brandon procura afirmar-se, mas não passa de um sedutor problemático que acaba por ser sucessivamente envergonhado pelo pai. Sheldon tem ainda um outro problema grave em mãos. Enquanto ele procura não interferir nos assuntos governamentais, o seu irmão Walter, também ele um velho super-herói, busca avidamente por resoluções e desafia-o permanentemente com o seu comportamento e atividade social.

O álbum possui uma narrativa abrangente, que consegue mesclar temas e géneros com inventividade, falando de assuntos sérios como o capitalismo, a ecologia, a volatilidade do Homem e o plasticismo da sociedade, ao mesmo tempo que joga com a ideia que temos de um super-herói. A capa e a capacidade de voar é apenas um ingrediente secundário neste trabalho bem conseguido da dupla Millar e Quitely.

Fonte: G Floy

Parece-me por isso que não é uma série que agrade apenas aos fãs mais tradicionais de Superman, Batman ou X-Men, porque aqui o objetivo não é combater monstros ou vilões tenebrosos. Luta de Poderes explora a noção de família, conflitos ideológicos e o que pode resultar, na visão das gerações seguintes, de um evento de extrema notoriedade como é o acesso a super-poderes. É realista e sério, sem deixar de ser uma fantasia urbana com ocasionais momentos de combate mais inverosímeis.

O que me agradou mais no álbum foi, no entanto, a arte de Quitely, que mostra que o artista escocês, habitual companheiro de Grant Morrison, sabia ao que vinha e trabalhou as personagens na perfeição. O Legado de Júpiter parece-me um excelente início para uma série que lamento não estar a ser publicada com grande assiduidade lá fora. É, ainda assim, mais uma excelente publicação da Image e mais uma boa aposta da G Floy em Portugal.

Avaliação: 7/10

O Legado de Júpiter (G Floy Studio Portugal):

#1 Luta de Poderes

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