Estive a Ler: Imperatriz #1


Bem, o tempo não é nosso amigo, minha senhora. O Rei Morax espera-a para jantar dentro de dezasseis minutos.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O VOLUME UM DA SÉRIE IMPERATRIZ (FORMATO BD)

192 páginas de saltos espaciais e emoções à flor da pele, Imperatriz é a nova coqueluche do catálogo G Floy em Portugal. Publicada na Marvel e pertence da coleção MILLARWORLD, a saga de ficção científica escrita por Mark Millar (O Legado de Júpiter, Kingsman: Serviço Secreto, Guerra Civil) e ilustrada por Stuart Immonen (The Incredible Hulk, Superman: Secret Identity) chega ao nosso país num início de ano repleto de boas novidades, onde se destacam títulos como Descender e Potter’s Field, como exemplo.

Reunindo os números 1 a 7 do comic Empress, este primeiro volume é o único publicado até agora, e embora tenha sido finalizada já em janeiro de 2017, Millar garantiu que escreveria mais aventuras de Emporia e da sua família. Acompanhado por Immonen, artista mais ligado à Marvel, ultimamente focado em Star Wars, Mark Millar quis fazer a sua própria space opera, rivalizando com as maiores ficções científicas que a indústria dos quadradinhos tem trazido a público.

Sem título
Fonte: G Floy

Imperatriz é um doce para qualquer fã de uma ficção científica plena de ritmo, perseguições, seres monstruosos e volte-faces inesperados. Nem tanto para quem preza o lado mais intelectual do meio. Na minha opinião, o álbum alia uma arte de efeitos visuais vistosos e coloridos, que agradará decerto aos fãs de Fiona Staples, Alan Davis, Chris King ou Rob Guillory (créditos ainda para o trabalho de Wade von Grawbadger e Ive Svorcina nas cores) a um argumento pop corn que, independentemente dos gostos, entretém e arrasta o leitor numa jornada de tirar o fôlego.

“A imaginação de Millar toca em muitos aspectos o universo Star Wars

Achei que a imagem e a história casaram na perfeição. Ambas muito competentes, cumpriram aquilo que prometiam. A história da mulher que foge do esposo, um tirano inter-galático de quem todos temem, pode não ser propriamente original, mas foi muito bem desenvolvida e apresentada, passando de vários planos sem desprimor de nenhum. O humor não é utilizado com a frequência desejada, mas funciona quando aparece.

Sem título
Fonte: G Floy

A composição do grupo de protagonistas foi aquilo que mais me agradou neste comic. Temos Emporia, a rainha que decide fugir do marido cruel com os três filhos (a carismática Aine, o inventivo Adam e o bebé de colo Puck), um capitão da guarda chamado Dane e o seu amigo Tor, um ex-militar experimentado que me fez lembrar um Tyrion Lannister de pele escura, por sua vez sempre acompanhado por um tele-transportador de formato esférico chamado Nave.

Graças a Nave, o grupo consegue fintar os enviados do Rei Morax e escapulir-se de planeta em planeta, mas o prémio pela sua captura é elevado e ninguém, independentemente do planeta, parece disposto a ajudá-los, até porque isso significa enfrentar a crueldade lendária do tirano. Morax parece ter também espiões em tudo quanto é lugar, decidido a frustrar os planos da sua esposa.

À medida que a narrativa avança, vamos conhecendo mais sobre Emporia e a sua relação com Morax, assim como descobrimos as potencialidades dos vários personagens, que todos eles parecem revelar-se à medida que os obstáculos o exigem. Emporia pretende chegar à irmã, que a deverá manter a salvo, mas poderá contar até com a oposição da filha. A imaginação de Millar toca em muitos aspectos o universo Star Wars, embora a linguagem visual também brinque em vários momentos com Blade Runner.

Sem título
Fonte: G Floy

O álbum é auto-conclusivo, ainda que termine num cliffhanger que obriga o leitor (e os autores) a ter em mente que aquilo que julgavam ser o final pode ser apenas o início de uma aventura maior, mais complexa e original do que este primeiro volume o foi. A interação entre os personagens foi, para mim, o ponto forte da trama, pelo que podia considerar o livro extraordinário não fosse um dos plot-twists finais tirarem consistência e coerência à fuga de Emporia.

Ainda assim, Imperatriz é um volume lindíssimo que tem tudo para conquistar o leitor. Se naves espaciais e tiroteios inter-galáticos não te chegarem, junta a isso dinossauros, monstros horríveis e personagens com cara de bróculos (ou algo parecido) e encanta-te com uma protagonista que tem tudo para se revelar tão carismática quanto os secundários, assim o autor nos traga mais histórias deste mundo novo.

Avaliação: 8/10

Imperatriz (G Floy Studio Portugal):

#1 Volume Um

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