Estive a Ler: Clockworks, Locke & Key #5


Don’t cry, children. We’ll be together again, soon enough. In glory.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “CLOCKWORKS”, QUINTO VOLUME DA SÉRIE LOCKE & KEY (FORMATO BD)

Publicada pela IDW Publishing, Locke & Key é um comic de sucesso internacional, tendo conquistado prémios importantes como o Eisner, em 2011. De forte composição subversiva, esta BD norte-americana conta com argumento de Joe Hill, filho do célebre escritor Stephen King e com ilustrações de Gabriel Rodriguez, francamente inspiradas na obra de Bill Watterson.

A série termina no sexto volume, pelo que se podia esperar o início de uma conclusão para a história com este álbum. Intitulado Clockworks, o quinto volume vem trazer algumas respostas para os mistérios dos livros antecessores, mas também desenvolver personagens e núcleos até aqui não tão desenvolvidos. À medida que procuram saber mais sobre o pai e a mansão que dele herdaram, os irmãos Locke devem ainda lidar com a entidade maligna que tem espalhado morte e terror à sua volta.

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Fonte: https://www.pinterest.pt/chaptersscenes/locke-key-clockworks/

Não tão frenético como o álbum anterior, mas igualmente impactante, Clockworks remete o leitor a uma viagem alucinante pelo tempo, para a infância de Rendell Locke e mais além, permitindo descobrir os segredos das chaves e a sua origem. Com uma linguagem crua, muito humor, sátira e criatividade, Locke & Key volta a surpreender. As cenas mais incríveis ocorrem quando menos esperamos e a história convence, ainda que se revele imensamente rocambolesca.

“Clockworks é mais um exemplo da proficiência narrativa de Joe Hill e do talento irrefutável de Gabriel Rodriguez.”

O grafismo continua a demonstrar uma evolução sustentada, álbum após álbum, e é impossível passar indiferente à expressão facial de Dodge, no mínimo inquietante, ou ao olhar do pequeno Bode depois de ser possuído. As sequências gráficas são estonteantes e, em mais do que uma situação, o desenhista conseguiu passar um sem-número de mensagens e de cenas sobrepostas numa única prancha. Rodriguez, a quem teci críticas negativas na minha primeira abordagem à série, acabou por me agradar com toda a sua expressividade e detalhe.

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Fonte: https://www.goodreads.com/book/show/13490570-locke-key-vol-5

Kinsey e Tyler viajam ao passado através da quinta chave que, ajustada ao velho relógio da mansão, proporciona aos seus portadores viagens no tempo, permitindo-lhes revisitar a história da família. O envolvimento dos Locke com traidores da Coroa britânica, na segunda metade do século XVIII, abre o pano para uma narrativa maior envolvendo Benjamin e Miranda, antepassados de Rendell. Enquanto tentavam esconder os rebeldes, uma porta negra é encontrada na cave, por onde entrou o demónio que viríamos a conhecer como Dodge.

No presente, o mesmo demónio volta a fazer das suas, agora preso ao corpo de Bode, seja a provocar a morte de um menino, atropelado pelo autocarro escolar, seja a investigar o quarto de Kinsey, onde é surpreendido pela mãe, Nina. Os irmãos Locke viajam até 1988, onde encontram o pai adolescente e os seus amigos Mark Cho, Lucas Caravaggio, Kim Topher, Erin Voss e Ellie Whedon, descobrindo que estes foram protetores das chaves mágicas.

Chegou o último dia de aulas e os jovens pretendem criar uma nova chave para selar a despedida. As cenas que se seguem mostram como eles, ao entrar em contacto com a porta negra na cave da mansão, se deparam com o demónio, e como ele se apossou do corpo de Lucas Caravaggio. Sequências que fazem perceber as reações de várias personagens à existência de Zack e os comportamentos de Ellie, que lhe era apaixonada.

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Fonte: https://www.goodreads.com/book/show/13490570-locke-key-vol-5

Visualmente envolvente, visceral e violento, Locke & Key conquista também pelo lado intimista do argumento, pela facilidade de identificação com as personagens e pelas bizarrices com que lidam. Os acontecimentos macabros sucedem-se, sem que por vezes nem as personagens nem os leitores os compreendam de imediato ou na totalidade, para virem, mais tarde, a juntar as peças e a gritar Eureka!

“As cenas mais incríveis ocorrem quando menos esperamos e a história convence, ainda que se revele imensamente rocambolesca.

Clockworks é mais um exemplo da proficiência narrativa de Joe Hill e do talento irrefutável de Gabriel Rodriguez. Uma obra-prima do género de horror em quadradinhos à beira da conclusão, não deixando o leitor a desesperar, mas sem conseguir libertá-lo da influência maligna deste demónio e dos poderes inusitados das várias chaves.

Avaliação: 9/10

Locke & Key (IDW Publishing):

#1 Welcome to Lovecraft

#2 Head Games

#3 Crown to Shadows

#4 Keys to the Kingdom

#5 Clockworks

#6 Alpha & Omega

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