Estive a Ler: Nove Príncipes de Âmbar, As Crónicas de Âmbar #1


E a minha mente foi invadida por um revoar de coisas que me recusava a sequer conceber, e surgiu um novo grito, arrancado de um peito em agonia, e que terminou em silêncio.

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “NOVE PRÍNCIPES DE ÂMBAR”, PRIMEIRO VOLUME DA SÉRIE AS CRÓNICAS DE ÂMBAR

Roger Zelazny foi um dos mais prestigiados autores de fantasia e ficção científica dos anos 60 e 70 do último século. A sua primeira história foi publicada em 1962, vindo a publicar cerca de 150 contos e romances até à sua morte em 1995. Ao longo da sua carreira, Zelazny foi o vencedor de três Prémios Nebula e seis Prémios Hugo e entre as suas obras mais consagradas, incluem-se os livros Lord of Light, This Immortal e a série de que falamos hoje.

Nove Príncipes de Âmbar é o primeiro volume de uma série de dez intitulada As Crónicas de Âmbar, dos quais cinco são protagonizados pela personagem Corwin e os restantes pelo seu filho Merlin. Publicado pela Edições Saída de Emergência em abril de 2017, o primeiro volume da saga de Roger Zelazny tem um total de 224 páginas e tradução de José Saraiva. Controversa e bem-humorada, esta série serviu de referência a obras como Sandman de Neil Gaiman ou A Guerra dos Tronos de George R. R. Martin.

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Fonte: https://ayej.deviantart.com/art/Nine-Princes-in-Amber-371803441

Sentia muita curiosidade para conhecer estes Nove Príncipes de Âmbar, até porque é difícil encontrar uma série tão consensual quanto esta épica história de Roger Zelazny, e acabei por pôr as mãos neste pequeno livro de 200 e poucas páginas. Escrito em 1970, este volume inaugural destaca-se pelo sentido de inventividade do escritor americano, que viria a tornar-se um dos nomes fortes do género fantástico.

“O livro está cheio de boas peculiaridades, mas peca por ficar-se pelo potencial.

A imersão no mundo apresentado é instantânea, sem que sejam necessárias demasiadas apresentações, informações ou perdas de tempo. E, visualmente, é uma história que atrai. Não só as nuances do protagonista Corwin, que deambula no nosso mundo desde os anos sempre inspiradores do século XVIII, deixam antever uma personagem com muito para oferecer, como há um painel de irmãos – Eric, Random, Bleys, Caine, Florimel, Fiona, Julian, Gérard, Llewella, Brand ou Benedict – todos eles distintos, a lutar por um trono.

Sem título
Fonte: http://www.saidadeemergencia.com/produto/litfantastica-bang/fantasia-o-202346/nove-principes-de-ambar/

Não pensem, porém, que se trata de uma guerra sanguinária com grandes traços de realismo. Oberon, o pai, foi afastado para parte incerta, e os irmãos competem entre si pelo lugar de rei no trono de Âmbar, o único mundo verdadeiro. Todos os outros mundos, incluindo o nosso, são meras sombras. Sombras que nada são em comparação com a magnificência daquele reino. Alguns dos irmãos estão desaparecidos, e os outros… bem, à falta de capacidade para igualar os principais candidatos, vão forjando alianças com estes aqui e acolá.

Pouco a pouco, percebemos que Corwin, o protagonista, bem como o seu irmão Eric, são os mais bem cotados para herdar a Coroa, mas acontece que Corwin começa este livro na sombra que é o nosso mundo, sem memória, e o irmão conta com muitos apoios e o poderio sobre Âmbar. A tarefa de Corwin consiste em descobrir aquilo que se esqueceu e liderar um ataque sem precedentes contra o irmão.

A única forma que ele tem para chegar a Âmbar, porém, é através das invenções do génio Dworkin, seja através de um Padrão, seja através das cartas que contêm vários desenhos, que podem ilustrar locais ou mesmo as faces dos príncipes de Âmbar, através das quais podem convocar ou ser convocados. A ideia das cartas é bastante boa, sendo uma das peculiaridades das Crónicas de Âmbar que serviu de inspiração à Saga do Império Malazano de Steven Erikson.

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Fonte: http://www.saidadeemergencia.com/produto/litfantastica-bang/fantasia-o-202346/nove-principes-de-ambar/

O livro está cheio de boas peculiaridades, mas peca por ficar-se pelo potencial. Lamento mesmo, mas esperava algo muito melhor e não consegui gostar deste livro. Nunca um livro tão pequeno me custou tanto a ler. As cenas são corridas, não existe profundidade nesta história, as personagens vão e vêm de pára-quedas sem estabelecerem qualquer relação com o leitor. Não existe um background sólido ou convincente, worldbuilding 0 e capacidade de entrosamento narrativo idem.

“A tarefa de Corwin consiste em descobrir aquilo que se esqueceu e liderar um ataque sem precedentes contra o irmão.

A escrita do autor é outro dos handicaps do livro. Básica, com alguns laivos de humor que não chegam a nada, foi melhorando ao longo do livro e chegou a cativar-me durante os momentos de batalha naval, mas ficou por aí. Ainda que seja um livro escrito nos anos 70, soou-me a uma história de encantar escrita por um menino. Bastante pobre a todos os níveis, tem uma premissa e um aspecto visual que tinha tudo para dar certo, mas não deu.

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Fonte: https://pulpaction-gal.deviantart.com/art/Trumps-of-Amber-Corwin-346395712

Para mim, é claro, porque opiniões valem o que valem. A ideia das cartas é das poucas coisas que salvam o livro, a história não consegue ser original e as cenas sucedem-se de forma muito pouco convincente. É precisamente o tipo de narrativa, tresloucada só porque sim, que faz com que o género seja visto como coisa de criança. Vale pelas ideias, os Trunfos, as Regências, a rivalidade entre irmãos e a aura meio vitoriana que perpassa o livro.

Mas a mensagem moral é redundante, as personagens não têm grande coisa que as distinga, não há um fio de Humanidade que me faça comprar a história. Talvez venha a ler a continuação, porque como disse inicialmente, potencial é o que não lhe falta e se eu tivesse lido o livro de forma mais bem descomprometida, talvez a minha opinião fosse outra. As expectativas são assim mesmo. Vale a lindíssima edição gráfica da Saída de Emergência, que faz exatamente jus ao melhor do livro.

Este livro foi cedido em parceria com a editora Saída de Emergência.

Avaliação: 4/10

As Crónicas de Âmbar (Saída de Emergência):

#1 Nove Príncipes de Âmbar

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