Fala-se de: O Gerente da Noite T1


Baseada num romance de espionagem do escritor John le Carré, a minissérie britânica The Night Manager ganhou diversos Emmy e Globos de Ouro no ano passado. Editado originalmente em 1993, O Gerente da Noite é um exemplo da classe e do charme de le Carré no destrinçar do mundo pós-Guerra Fria. Na série, Jonathan Pine (Tom Hiddleston) é um ex-soldado britânico que seguiu a carreira como gerente noturno de um hotel de luxo, o Nefertiti, no Cairo.

O seu caminho cruza-se com o de Sophie (Aure Atika), uma bela mulher de origem árabe, que tem ligações com Richard Onslow Roper (Hugh Laurie), um inglês do mercado negro especializado em armas. Ela fornece a Pine documentos criminosos, que ele entrega a um amigo que pertence à diplomacia britânica. Quando Sophie aparece morta, Jonathan decide trabalhar disfarçado como parte de um plano de Angela Burr (Olivia Colman) contra Roper, para se vingar da morte da mulher.

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Fonte: conspiracy-cafe.blogspot.com

Incrível e surpreendente a cada episódio, autor, produção e elenco tiveram o mérito de contar uma história que toca nas sensibilidades do nosso mundo real e consegue assumir-se como uma narrativa tensa entre dois personagens. Jonathan Pine e “Dicky” Roper convencem pela credibilidade e pela interação, que salta entre a amizade, fictícia ou não, e a centelha da desconfiança. De menos não se podia esperar, ou não estivéssemos nós a falar de dois dos melhores atores do nosso tempo.

Dirigida pela cineasta Susanne Bier, uma das mais talentosas da escola dinamarquesa de cinema, O Gerente da Noite (2016) é uma produção conjunta entre a AMC, a BBC e The Ink Factory, gravada por diversos sítios do mundo, como Londres, Suiça, Marrocos, Egipto e Espanha, e conta com incríveis paisagens naturais, como Palma de Maiorca e Marraquexe. O primeiro episódio prende desde logo a atenção do telespectador.

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Fonte: https://www.deadgoodbooks.co.uk/whos-who-in-the-night-manager/

São muito os elementos que perpassam a história: a embaixada britânica, a comunicação social, a Casa do Rio (MI6), e o núcleo central, que começa no Cairo. O argumento, bem gerido e doseado, chama a atenção pelo toque na problemática do tráfico de armas e pela exploração aos países de terceiro mundo, como é bem habitual nas obras de le Carré. Nesse sentido, a face de Hugh Laurie traduz na perfeição o rosto do oportunismo financeiro, passando a imagem de um pai de família exemplar.

O livro sofreu várias alterações para o argumento final. Angela Burr substitui o personagem masculino do livro como a íntegra chefe de espionagem britânica, e o desempenho de Olivia Colman como uma mulher grávida num mundo de homens não deixa margem para dúvidas de que a escolha foi acertada. O argumentista, David Farr, fez um trabalho exemplar na adaptação e reinvenção para os dias de hoje, sem deixar de lado a aura bem quente e difusa recorrente da obra de leCarré.

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Fonte: http://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-129252/

A ação da história também mudou de um iate de luxo para uma ilha paradisíaca em Maiorca. Da América do Sul e a guerra contra a droga, a série voltou-se para os países do Médio Oriente, com maior foco no Egipto, onde a democracia está em perigo. O resto está lá. Uma história cativante e intensa, com magníficas interpretações e um elenco de luxo.

Também Elizabeth Debicki cativa como Jed Mashall, o interesse amoroso dos protagonistas, e embora a sua atuação não tenha sido um dos grandes destaques da trama, a imagem de femme fatale proibida a nadar nas piscinas de Maiorca não deixa de ser uma das atrações da sequência. E o que dizer do multifacetado Tom Hollander, que vi há bem pouco tempo em Taboo? O seu Corkoran conseguiu ser uma pedra no sapato do protagonista, assim como o alívio cómico da série.

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Fonte: http://www.amc.com/shows/the-night-manager/season-1/episode-01-episode-101

Também o elenco secundário conseguiu mexer comigo. Jonathan salvou a vida ao filho de Roper, numa atuação fenomenal com o objetivo de ganhar a confiança do traficante e introduzir-se no seu meio, mas quem conseguiu ficar indiferente àqueles seguranças? O casal Langbourne, Sandy (Alistair Petrie) e Caroline (Natasha Little) foram outros dos destaques no núcleo de Roper. E o que dizer das intrigas e volte-faces no meio de Burr? Tobias Menzies volta a convencer como Dromgoole, Douglas Hodge (Rex), David Harewood (Joel) e Adeel Akhtar (Singhal) cumpriram nos seus papéis. No Cairo, sem grande tempo de tela, David Avery fez-nos odiar Freddie Hamid.

Em suma, O Gerente da Noite foi uma aposta ganha. É impossível ficar indiferente ao sorriso trémulo de Tom Hiddlestone e ao olhar gelado de Hugh Laurie, à beleza sensual de Elizabeth Debicki e à convicção dramática de Olivia Colman. Um duelo de xadrez entre duas facções inteligentes, cujo resultado final pode pender para qualquer um dos lados da balança. Uma série fenomenal de seis episódios que não deixa desiludido nenhum dos fãs do autor britânico.

Avaliação: 9/10

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