Estive a Ler: Fogo de Dragão, Dragomante #1


A quem é que estás a chamar criança, ó grunho?

O TEXTO SEGUINTE ABORDA O LIVRO “FOGO DE DRAGÃO”, PRIMEIRO VOLUME DA SÉRIE DRAGOMANTE (FORMATO BD)

Publicado em formato franco-belga, Dragomante: Fogo de Dragão é a mais recente criação de uma dupla de sucesso na literatura e BD de fantasia. Filipe Faria é autor de uma das séries de romances de fantasia de maior sucesso no nosso país (As Crónicas de Allaryia) e Manuel Morgado é autor para o mercado francês de BD, tendo recentemente assinado o álbum Gréldinard, para a Dargaud (da série Chroniques de la Lune Noire).

Mais uma colaboração da G Floy Studio com a Comic Heart, frequente em publicações nacionais, esta recente BD nacional foi apresentada no passado sábado no Festival Contacto, em Benfica, onde o autor Filipe Faria entrou em contacto com os fãs. De realçar que, ao contrário do que é decorrente neste tipo de literatura, foi o ilustrador que contactou o argumentista para dar “voz” aos seus desenhos, quando já havia ilustrado a quase totalidade do álbum.

Fonte: G Floy

Dragomante: Fogo de Dragão, chama desde logo a atenção pela magnificência das ilustrações. Costuma-se dizer que os olhos também comem, e no caso das BDs essa asserção não podia ser mais verdadeira. É um privilégio contarmos com artistas como o Manuel Morgado no nosso país, de quem muito sinceramente – e shame on me – nunca tinha ouvido falar. Este álbum é um desses casos, em que a beleza da ilustração nos faz comprar o produto.

“Apesar da ideia de um “cavaleiro de dragão” e da envolvente medieval estar já muito batida, creio que Filipe Faria e Manuel Morgado conseguiram fazer aqui algo de novo e de original.

Já o argumento, é um caso à parte. Goste-se ou não, Filipe Faria é um dos nomes maiores, se não o maior, da fantasia escrita em português de Portugal. E como muitos outros jovens autores, fui um daqueles que sentiu atraído pelo mundo da escrita graças às Crónicas de Allaryia do Filipe. Nunca terminei a série, mas os cinco volumes que li acabaram por marcar parte da minha juventude e do meu amor pelo fantástico.

Sem Título
Fonte: G Floy

Percursor de um género que pouco era visível no nosso país, Filipe Faria veio a construir uma reputação e um nome que, aqui e ali, vai fazendo por não cair no esquecimento. E embora hoje olhe para as suas Crónicas e para a sua escrita com muito menos apreço do que outrora, é um facto de que gosto do seu trabalho e sinto grande afinidade para com as suas ideias e para com a forma como as passa para o papel.

Em Dragomante, Filipe tinha o desafio hercúleo de dar sumo a uma história que já estava praticamente toda desenhada. Ou, melhor dizendo, criar uma história para essas ilustrações que, por si só, já contavam algo. O resultado foi muito satisfatório. Se bem que fique a ideia que a BD é bastante pequena para aquilo que o tipo de história exigia e a sensação de que ele passa a maior parte do álbum a tentar explicar-nos o que é um dragomante.

Fonte: G Floy

Como a sinopse nos conta, a história é passada no reino de Armitaunin, onde um Dragomante e um dragão são guerreiro e cão de guerra, aliados e amigos inseparáveis. Mas enquanto um Dragomante homem só pode efetivar a ligação com um dragão, uma mulher pode ser cobiçada por vários dragões e, em certas circunstâncias, pode dominá-los a todos. Nereila é a primeira mulher Dragomante em séculos, que prossegue o seu treino com o Preceptor Leunaius, um sujeito rígido e obcecado.

“Este álbum é um desses casos, em que a beleza da ilustração nos faz comprar o produto.”

O preceptor insiste em que Nereila seja acompanhada por Ékion, o seu Escudeiro. O papel deste Escudeiro é bastante importante porque, mais do que defender o Dragomante dos seus adversários em combate, ele deve também funcionar como a ligação do Dragomante à humanidade. Uma vez que o Dragomante passa tanto tempo com o dragão, tende a acumular características dele, e o Escudeiro deve lembrá-lo de que é ainda humano e trazer à tona estas características.

Nereila é filha de um Dragomante então falecido chamado Edégeon, que fora temível nos seus tempos de glória.  Era tão poderoso, que decidiu tornar-se mais do que um Dragomante, mas o Protector daqueles domínios. Isso levou a que criasse inúmeros inimigos, entre eles o Barão Gargól, com quem empreendeu uma rixa que chegou aos dias de hoje e poderá cair sobre a cabeça da própria Nereila e do seu dragão Iscérikan.

Fonte: G Floy

Apesar da ideia de um “cavaleiro de dragão” e da envolvente medieval estar já muito batida, creio que Filipe Faria e Manuel Morgado conseguiram fazer aqui algo de novo e de original. Não só a relação de Ékion e Nereila está muito bem tecida, mostrando em poucas pranchas que cada um deles possui já um historial pesado sobre os ombros, como a própria história foi bem concebida e enquadrada nos desenhos.

Não sei se os autores planeiam fazer uma continuação, mas parece-me que a parceria (que já havia trabalhado junta em Talismã) deu certo e gostaria de ver um desenvolvimento para esta história, uma vez que o álbum me pareceu mais uma introdução do que outra coisa, que poderia ter tomado um rumo menos agradável não fosse o final cheio de ritmo e volte-faces, para além do bom humor que permeou o volume.

Avaliação: 8/10

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